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Encontro está previsto para a próxima semana. Obama pretende impor mais sanções a autoridades ucranianas e russas

O presidente dos EUA, Barack Obama, convidou nesta terça-feira os líderes aliados para uma reunião de emergência na Europa na próxima semana a fim de discutir novas medidas contra Moscou em resposta às ações russas na Ucrânia. A Casa Branca anunciou a reunião logo após Putin assinar um tratado para incorporar a região da Crimeia ao mapa da Rússia .

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Presidente russo Vladimir Putin entra em assembleia federal no Kremlin em Moscou, Rússia
AP
Presidente russo Vladimir Putin entra em assembleia federal no Kremlin em Moscou, Rússia


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A porta-voz da Casa Branca, Caitlin Hayden, disse que Obama quer reunir os líderes do G7 e da União Europeia na Holanda. O encontro "terá como foco a situação na Ucrânia e outras medidas que o G7 pode adotar em resposta à evolução da crise e ao apoio ao país", de acordo com Caitlin.

Estados Unidos, Grã-Bretanha, Alemanha, Japão, França, Itália e Canadá compõem o G7. A Rússia se uniu para formar o G8 na década de 1990, mas tem tido pouca expressão nas reuniões anuais. O G8 foi ofuscado nos últimos anos pelo G20, que inclui a China e mercados emergentes. Essa cúpula foi criada para representar melhor os motores da economia global do século 21.

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A Rússia receberia uma reunião da cúpula em Sochi no mês de junho, mas outros membros do G8 suspenderam os preparativos para o encontro em objeção à incursão da Rússia na Ucrânia.

Autoridades americanas ponderavam sobre a ideia da reunião de cúpula emergencial desde, pelo menos, o último final de semana, diante da posição de Putin na crise ucraniana.

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O chanceler francês, Laurent Fabius, disse nesta terça que os líderes decidiram suspender a participação da Rússia no G8 por causa de sua incursão na Crimeia, mas outros países-membros afirmaram que não há nenhuma decisão acertada sobre o futuro da Rússia no grupo. Já o Ministério das Relações Exteriores da Grã-Bretanha declarou nesta terça que a Rússia ainda faz parte do G8, mas não descartou uma suspensão ao país.

"O G7 coletivamente deixou claro na semana passada que tomaria novas medidas caso a Rússia anexasse a Crimeia ao seu território", disse o ministério em comunicado. "Estamos analisando essas considerações com parceiros do G7."

Em resposta ao discurso inflamado do presidente russo, Vladimir Putin, sobre a anexação da Crimeia nesta terça, o governo de Kiev descreveu o líder como uma ameaça para o mundo.

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“As declarações de hoje feitas por Putin mostraram que a Rússia é uma ameaça real ao mundo civilizado e à segurança internacional", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores ucraniano, Evhen Perebinis, por meio do Twitter. "(A anexação) não tem nada a ver com a lei ou com a democracia ou o pensamento sensato."

Crimeia

Um militar ucraniano foi morto após ataque a uma base militar na Crimeia,  a primeira morte desde que as forças pró-Rússia assumiram o controle da região em fevereiro, de acordo com um oficial da região. A fonte disse que as tropas da base em Simferopol foram alvo de ataques.

Milhares de soldados russos foram posicionados ao longo da fronteira leste da Ucrânia nas últimas semanas - a Rússia diz que foi para treinamento militar, enquanto os EUA e a Europa veem as tropas como uma tática de intimidação.

Em seu discurso nesta manhã, Putin defendeu que os meses de protestos na capital ucraniana de Kiev - as manifestações levaram à deposição do presidente Viktor Yanukovych - foram instigados pelo Ocidente a fim de enfraquecer a Rússia. Ele afirmou também que o novo governo ucraniano é ilegítimo e foi impulsionado por radicais "nacionalistas, neonazistas e antissemitas". Putin também acusou o Ocidente de ignorar os interesses russos nos anos que se seguiram ao colapso da União Soviética, em 1991.

"Eles sempre tentaram nos manter isolados por causa da nossa postura independente, por defendê-la, por darmos a cada coisa seu devido nome e não sermos hipócritas", disse Putin. "Mas há limites. E, no caso da Ucrânia, nossos parceiros ocidentais cruzaram a linha. Eles se comportaram de forma grosseira, irresponsável e não profissional."

Após o discurso, Putin e autoridades crimeias assinaram tratado pela anexação da província. O documento ainda terá de ser aprovado pelo Tribunal Constitucional da Rússia e ratificado por ambas as Casas do parlamento, mas Valentina Matviyenko, presidente da Câmara do Parlamento russo, disse que o procedimento pode ser concluído até o final da semana.

A Crimeia fazia parte da Rússia desde o século 18, até que o líder soviético Nikita Khrushchev a transferiu para a Ucrânia, em 1954. Russos e maioria da população de etnia russa na Crimea veem a anexação como forma de corrigir um insulto histórico. A turbulência na Ucrânia começou em novembro com uma onda de protestos contra o presidente Viktor Yanukovych e se acelerou após sua fuga para a Rússia no final de fevereiro.

'Sancionados'

Parlamentares russos responderam nesta terça com sarcasmo às sanções ocidentais impostas contra autoridades envolvidas nos procedimentos para anexar a Crimeia, pedindo aos Estados Unidos e à União Europeia que imponham as mesmas penalidades a centenas de membros do Parlamento.

Uma declaração adotada por unanimidade pela Duma Federal, a Câmara baixa do Parlamento, afirmou: "Nós propomos ao sr. Obama e aos...euroburocratas que incluam todos os deputados da Duma Federal que votaram a favor desta resolução na lista de cidadãos russos afetados pelas sanções dos EUA e da UE".

*Com AP e Reuters

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