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Investigadores também não descartam possibilidade de sequestro e sabotagem em sumiço de aeronave em 8 de março

Investigadores não descartam a possibilidade de suicídio do piloto seguido de assassinato em massa, sequestro e sabotagem no desaparecimento do voo MH370 da Malaysia Airlines no dia 8 e verificam o histórico de todos os 227 passageiros e dos 12 tripulantes, assim como dos funcionários em terra, para verificar se vínculos com terroristas, problemas pessoais ou questões psicológicas poderiam explicar um dos maiores mistérios da aviação recente.

Hoje: Buscas por voo desaparecido da Malásia se expandem da Austrália ao Casaquistão

Parente de passageiros chineses de voo desaparecido da Malásia usa celular para assistir à coletiva sobre o caso em Pequim
AP
Parente de passageiros chineses de voo desaparecido da Malásia usa celular para assistir à coletiva sobre o caso em Pequim

Domingo: Piloto falou com controle após sistema de sinalização ser desligado, diz jornal

Nesta segunda-feira, a busca pela aeronave se expandiu para os hemisférios norte e sul , com a Austrália vasculhando o sul do Oceano Índico e a China oferecendo 21 satélites para responder ao pedido feito pela Malásia de ajuda na caçada sem precedentes.

Autoridades malais afirmam que o Boeing 777 foi intencionalmente desviado de sua rota durante um voo de madrugada entre Kuala Lumpur, na Malásia, para Pequim, na China, e viajou durante várias horas fora do curso. A principal suspeita recaiu sobre os pilotos, embora as autoridades afirmem que todos no voo são suspeitos.

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A polícia da Malásia confiscou um simulador de voo da casa do piloto no sábado e também visitou a casa do copiloto, no que o chefe da polícia da Malásia, Khalid Abu Bakar, inicialmente descreveu como as primeiras visitas policiais a essas residências. Mas o governo — que ficou sob críticas do exterior sobre os erros e a demora em divulgar informações — emitiu uma declaração nesta segunda-feira contradizendo esse relato ao dizer que a polícia primeiramente visitou as casas dos pilotos no dia 9, um dia depois do desaparecimento.

Veja as fotos sobre o voo desaparecido da Malásia:

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O presidente da Malaysian Airlines, Ahmad Jauhari Yahya, disse que uma investigação inicial indicou que o copiloto, Fariq Abdul Hamid, falou as últimas palavras do voo — "Tudo bem, boa noite" — aos controladores do voo. Se a voz não fosse de Fariq ou do piloto, Zaharie Ahmad Shah, seria a indicação mais clara de que algo aconteceu de errado na cabine antes de o voo sair do curso.

Previamente as autoridades da Malásia disseram que essas palavras surgiram depois que um dos sistemas de comunicação do voo — o Aircraft Communications Addressing and Reporting System (Acars) — havia sido desativado, aumentando as suspeitas que um ou ambos os pilotos tinham envolvimento com o sumiço da aeronave.

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Entretanto, Ahmad disse nesta segunda-feira que, embora a última transmissão de dados da Acars — que indica o desempenho do avião e a informação de manutenção — tenha surgido antes disso, ainda não está claro em que ponto o sistema foi desligado. Isso abriu a possibilidade de que tanto o Acars quanto os transponders — que deixam o avião visível para os controladores de tráfego aéreo civis — foram desligados mais tarde e perto do mesmo tempo.

Casos de suicídio do piloto

Enquanto a polícia investiga os dois pilotos, a possibilidade — embora remota e até improvável — de que um deles cometeu suicídio, e assassinato em massa no processo, deve ser considerada.

Apesar de tais incidentes terem acontecido anteriormente, o tópico continua um tabu, com os investigadores e autoridades relutantes em concluir que um piloto de forma proposital cause a queda de um avião com o objetivo de cometer suicídio mesmo quando a evidência parece convincente.

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Há mais de dez anos, investigadores dos EUA apresentaram um relatório final sobre o acidente da EgyptAir Flight 990, em 1999, que mergulhou no Oceano Atlântico perto da ilha de Nantucket, em Massachusetts, matando todos os 217 a bordo. Eles concluíram que, quando o copiloto Gameel El-Batouty se viu sozinho no comando do avião, mudou o sistema para o piloto automático, apontou o avião para baixo e calmamente repetiu a frase "Conto com Deus" por 11 vezes seguidas.

Ministro dos Transportes malaio, Hishamuddin Hussein, mostra nova rota de buscas à imprensa na Malásia
AP
Ministro dos Transportes malaio, Hishamuddin Hussein, mostra nova rota de buscas à imprensa na Malásia

Embora a Comissão Nacional de Segurança do Transporte ter concluído que as ações do piloto causaram o acidente, não usaram a palavra "suicídio" nas principais descobertas do relatório de 160 páginas, em vez disso dizendo que suas ações "não eram determinadas". Funcionários egípcios, enquanto isso, rejeitaram completamente a noção de suicídio, em vez disso afirmando que houve alguma razão mecânica para o acidente.

Também houve divergência sobre a causa do acidente do voo 185 da SilkAir, que caiu em um rio em 1997 durante um voo de Jacarta, Indonésia, para Cingapura, matando todos os 104 passageiros e a tripulação. Uma investigação dos EUA descobriu que o acidente do Boeing 737 foi proposital, mas uma investigação indonésia foi inconclusiva.

Funcionários de Moçambique têm investigado um acidente que deixou 33 mortos em novembro. As investigações preliminares indicam que o piloto do avião moçambicano que ia para Angola intencionalmente o fez cair, e agora se investigam suas possíveis motivações.

Um estudo da Administração Federal de Aviação indica que o suicídio do piloto é algo raro. Durante os dez anos terminando em 2012, apenas oito de 2.758 acidentes fatais da aviação foram causados pelo suicídio do piloto, um nível de 0,3%. O relatório descobriu que todos os oito suicidas eram homens, com quatro tendo testado positivo para álcool e dois para antidepressivos.

*Com AP

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