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Manobra legal poderia oferecer uma saída para atenuar impasse entre Rússia e Ocidente após ação militar de Moscou

O Parlamento da Crimeia disse nesta terça-feira (11) que a península do Mar Negro se declarará independente caso os moradores da região concordem em separá-la da Ucrânia e se anexar à Rússia em referendo a ser realizado no domingo (16) - uma ambígua manobra legal que poderia oferecer uma saída para atenuar o impasse entre a Rússia e o Ocidente.

A declaração de independência da Crimeia poderia congelar a tentativa de o território se tornar parte integrante da Rússia, dependendo da resultado da barganha do presidente russo, Vladimir Putin, com o Ocidente.

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Manifestantes levantam cartazes de
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Manifestantes levantam cartazes de "Crimea - Ucrânia" durante movimento contra a possível adesão da província à Rússia, em Simferopol, Crimeia, na Ucrânia


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A disputa entre Moscou e o Ocidente sobre a Crimeia é uma das mais severas crises geopolíticas na Europa desde o fim da Guerra Fria. As forças russas asseguraram controle sobre a península, mas as nações ocidentais denunciaram o referendo como ilegítimo e alertaram contra a tentativa de Moscou de anexar a península.

Crimeia, onde a Rússia mantém sua base da Frota do Mar Negro, tornou-se o epícentro das tensões na Ucrânia depois que o presidente pró-Rússia Viktor Yanukovych fugiu no mês passado após meses de protestos e casos de banho de sangue.

A medida do Parlamento da Crimeia "é uma mensagem para o Ocidente de que não há uma conversa sobre a Rússia incorporar a Crimeia", disse o analista político com base em Kiev Vadim Karasyov. "É um tranquilizador para todos - para o Ocidente e para muitos na Ucrânia que estão em pânico."

Karasyov especulou que a Crimeia poderia existir como uma Estado "quase-legítimo", enquanto a Rússia e o Ocidente negociam.

Depois de uma breve guerra entre Rússia e Geórgia em 2008, alguns líderes das províncias separatistas georgianas de Abkházia e Ossetia do Sul também pediram para serem anexadas à Rússia, mas seus pedidos nunca foram concedidos.

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Enquanto isso, o presidente em exercício da Ucrânia pediu, nesta terça-feira, a formação de uma guarda nacional e a mobilização de reservistas e voluntários para as Forças Armadas do país. Oleksandr Turchynov pediu aoParlamento nacional para aprovar uma mudança na lei, que colocaria as tropas do Ministério do Interior como guarda nacional "para defender o país e os cidadãos contra eventuais criminosos, contra a agressão externa e interna". Turchynov disse que a mobilização incluirá aqueles que têm servido previamente no Exército e voluntários. 

As forças russas reforçaram seu controle sobre a Crimea na fase de preparação para referendo, a ser realizado no domingo. O primeiro-ministro da Ucrânia, Arseniy Yatsenyuk, que viajará para Washington para se encontrar com o presidente Barack Obama nesta quarta-feira (12), conclamou as nações ocidentais a defender a Ucrânia contra o país "que está armado até os dentes e faz uso de armas nucleares."

*Com Reuters e AP

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