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Daniel Tinoco foi alvejado no peito durante confronto entre estudantes e a polícia. Mortos em manifestações somam 22

O líder estudantil Daniel Tinoco foi fatalmente baleado no peito na noite de segunda-feira (10), na cidade universitária de San Cristóbal, após dia de confrontos em que as forças de segurança venezuelanas atacaram e desmantelaram barricadas nos principais cruzamentos da região, disse o prefeito Daniel Ceballos.

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Manifestante joga lata de gás lacrimogêneo em direção a polícia, durante protesto anti-governo, em Caracas, Venezuela (10/03)
AP
Manifestante joga lata de gás lacrimogêneo em direção a polícia, durante protesto anti-governo, em Caracas, Venezuela (10/03)


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Segundo a repórter da TV local Beatriz Font, há relatos não confirmados de pelo menos outros dois feridos por tiros na cidade de 600 mil habitantes, onde a onda de protestos estudantis estourou no início de fevereiro e onde a agitação antigoverno tem se tornado cada vez mais feroz. O grupo de direitos humanos Provea tuitou que um aluno foi seriamente ferido após ser alvejado.

Homens da Guarda Nacional lançaram gás lacrimogêneo e fizeram disparos durante confrontos que duraram todo o dia nos bairros residenciais, afirmou uma fonte por telefone.

A oposição não disse quem pode ter matado Tinoco, mas tuitou que paramilitares armados, aliados ao governo de Nicolás Maduro, e conhecidos como "colectivos" lutaram contra os manifestantes juntamente com a Guarda Nacional.

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Uma fonte disse também que Tinoco era “um dos estudantes que estavam sempre na Avenida Carobobo (lotada de barricadas) dando entrevistas. Ele estava muito entusiasmado". Mais cedo, o prefeito havia dito que os confrontos atrapalhavam a vida em San Cristóbal. “Aqui a cidade está quase toda paralisada”, Ceballos disse à Associated Press.

Na semana passada, Maduro lançou uma “conferência de paz” em nível estadual em San Cristóbal, mas a oposição tem se recusado a participar até que o presidente venezuelano liberte os ativistas presos, entre outras exigências.

As semanas de protestos que envolveram a Venezuela começaram na própria San Cristóbal, quando estudantes, furiosos após uma tentativa de violência sexual contra uma colega de classe, tomaram as ruas. Rapidamente as manifestações se expandiram a outras cidades e atraíram a maior parte da classe média do país, fartos da inflação gritante, escassez de produtos básicos e uma das maiores taxas de homicídio do mundo. 

*Com AP

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