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Mudança de rota acrescenta confusão e mistério sobre um dos incidentes mais enigmáticos da aviação em épocas recentes

O Boeing 777 que desapareceu com 239 pessoas a bordo no sábado (8) mudou de rota sobre o mar, cruzou a Malásia e alcançou o Estreito de Malaca - centenas de quilômetros distante da última posição registrada por autoridades civis, disseram oficiais militares da Malásia nesta terça-feira citando dados de radar.

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Diretor geral do departamento de aviação civil da Malásia, Azharuddin Abdul Rahman, explica rota do avião em coletiva de imprensa (10/03)
AP
Diretor geral do departamento de aviação civil da Malásia, Azharuddin Abdul Rahman, explica rota do avião em coletiva de imprensa (10/03)


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A revelação acrescentou confusão e mistério sobre um dos incidentes mais enigmáticos da aviação em épocas recentes e levantou questões de por que o voo MH370 da Malaysia Airlines aparentemente não transmitiu sinais detectáveis por um radar civil, por que sua tripulação ficou em silêncio sobre a mudança de rota e por que nenhuma chamada de alerta foi feita depois que ele fez o desvio.

"Ele mudou de rota após Kota Bharu (Malásia) e assumiu uma altitude menor. Ele foi para o Estreito de Malaca", disse à Reuters uma fonte militar sob anonimato após receber informações sobre as investigações. O Estreito de Malaca, uma das mais movimentadas rotas marítimas do mundo, separa a parte continental da Malásia (e também Cingapura) da ilha indonésia de Sumatra.

Muitos especialistas têm trabalhado com a ideia de que houve algum evento catastrófico no voo - como uma explosão, uma falha de motor, um ataque terrorista, uma turbulência extrema, erro do piloto ou mesmo suicídio.

O diretor da CIA, John Brennan, disse nesta terça-feira que as autoridades de inteligência não podem descartar o terrorismo como um fator no desaparecimento do avião. Mais cedo, Ronald Noble, chefe da Interpol, disse não acreditar que o desaparecimento do avião fosse um incidente terrorista.

O voo MH370, com 227 passageiros e 12 tripulantes, decolou de Kuala Lumpur às 0h41 de sábado (13h41 de sexta-feira em Brasília) em direção a Pequim, na China. As autoridades inicialmente disseram que o voo perdeu contato com os controladores em terra menos de uma hora depois de decolar e a uma altitude de 35 mil pés (10.670 metros), quando estava em algum lugar entre a costa leste da Malásia e o Vietnã.

Mas nesta terça-feira o jornal Berita Harian citou o comandante da Força Aérea da Malásia, general Rodzali Daud, informando que um radar em uma base militar rastreou o jato enquanto ele mudava de rota, com seu último sinal às 2h40 mostrando o avião perto da ilha de Pulau Perak, no ponto norte de acesso ao estreito. Ele voava a uma altitude menor, de 29.528 pés.

Veja as fotos sobre o desaparecimento do avião:

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A busca inicialmente teve como alvo centenas de quilômetros ao leste, nas águas perto do Vietnã, com mais de 40 aviões e navios de ao menos dez nações fazendo buscas na área sem encontrar nenhum rastro da aeronave desaparecida.

Na manhã desta terça, a Malaysia Airlines disse em uma declaração que equipes de busca e resgate expandiram a operação para o Estreito de Malaca.

*Com AP e Reuters

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