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Aeronave sumiu do radar quando seguia para Pequim, China, no sábado (8). Investigações não descartam suposto sequestro

Horas de angústia se transformaram em um dia e meio. Cansados de aguardar por informações sobre o avião desaparecido da Malaysia Airlines, parentes dos passageiros em Pequim, China, deram um ultimato a companhia aérea e falaram com jornalistas durante uma coletiva de imprensa improvisada.

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Parentes dos chineses a bordo do avião desaparecido da Malaysia Airlines aguardam notícias em sala de um hotel de Pequim, China
AP
Parentes dos chineses a bordo do avião desaparecido da Malaysia Airlines aguardam notícias em sala de um hotel de Pequim, China


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Diante da situação de emergência, a companhia disse estar fazendo tudo o que pode para responder as perguntas sobre o voo MH370, que desapareceu com 239 pessoas a bordo no último sábado (8), no trajeto Kuala Lumpur-Pequim, China.

A incerteza sobre o paradeiro do avião está deixando os parentes frustrados, mas também prejudicando a resposta da operadora: é difícil transmitir uma mensagem clara quando as coisas ainda não estão tão claras assim.

Em uma sala reservada em hotel próximo do aeroporto de Pequim, um homem com camiseta preta surge com uma declaração assinada por cerca de 100 parentes, dizendo que, caso a companhia aérea não lhes der informações, eles levariam o caso à Embaixada da Malásia no país.

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“Não acreditamos mais na Malaysia Airlines. Desculpem, nós apenas não acreditamos mais”, disse o homem, que se recusou a reveler seu nome, no domingo (9).

A essa altura, a companhia aérea já havia enviado dezenas de cuidadores para Pequim, cada um para uma família, providenciando acomodação, comida e assistência financeira. A empresa disse ainda que está fornecendo notícias atualizadas sobre o sumiço do avião, apesar da falta de informação sobre a aeronave.

Os familiares explicaram que o avião aterrissaria às 6h30 do sábado em Pequim. Quatro horas mais tarde, uma nota escrita à mão foi postada em um quadro branco no aeroporto, aconselhando parentes a usarem um serviço de transporte para ir ao Hotel Lido e aguardar por informações lá. “Isso não pode ser bom”, sussurrou uma mulher a bordo do primeiro ônibus rumo ao local.

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Mas quando familiares chegaram ao hotel, vagaram perdidos e angustiados antes dos empregados do hotel – aparentemente despreparados – escoltarem-nos a uma área privativa. Isso foi algumas horas antes de um porta-voz da companhia aérea fazer uma breve declaração aos jornalistas, fornecendo pouca informação sobre o desaparecimento.

“Estamos literalmente tentando descobrir o que aconteceu. Até encontrar a aeronave, não tem como saber o que realmente se passou por lá”, o diretor comercial da companhia aérea Hugh Dunleavy disse à Associated Press no domingo. “Nosso foco tem sido vir aqui, encontrar alguns familiares e dar a eles o máximo de informações que podemos, mas sem levantar falsas esperanças”, continuou.

Mais tarde, no domingo, a companhia aérea tentou falar mais regularmente com parentes e agilizar os pedidos de passaporte e visto para aqueles que gostariam de ir para a Malásia. Mas mesmo assim, ficou sob o fogo cruzado.

"Não quero ir para a Malásia agora", disse Guo Qishun, cujo genro estava no avião desaparecido, nesta segunda-feira. "Estamos na China e os funcionários da Malaysia Airlines nos tratam de forma ruim. Se formos para a Malásia, eles vão cuidar de nós? Eu duvido".

Hipótese de sequestro

Um possível sequestro do avião da Malaysia Airlines que desapareceu não pode ser descartado, informou o chefe das investigações na Malásia nesta segunda-feira (10).

O investigador afirmou que as autoridades vietnamitas não confirmaram ter avistado qualquer destroço do avião. O voo MH370 desapareceu do radar cerca de uma hora após decolar de Kuala Lumpur, depois de atingir altitude de 10.600 metros.

*Com Reuters e AP

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