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Em telefonema, Obama pressiona presidente russo a solucionar crise pela diplomacia, mas Putin afirma que ação militar é legal

O Parlamento da Crimeia tem o direito de convocar um referendo sobre o futuro da região e, se a população decidir aderir à Rússia, a câmara alta do Parlamento russo vai endossar a decisão, disse a presidente da Casa nesta sexta-feira.

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Premiê regional da Crimeia, Sergei Aksyonov (D), entra em sala antes de negociações com o Parlamento russo em Moscou, Rússia
AP
Premiê regional da Crimeia, Sergei Aksyonov (D), entra em sala antes de negociações com o Parlamento russo em Moscou, Rússia

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Subestimando as especulações de que a Rússia estaria planejando invadir o restante da Ucrânia, Valentina Matviyenko declarou apoio à decisão do Parlamento local da região do sul da Ucrânia de realizar um referendo sobre a adesão à Rússia em 16 de março .

"Sem dúvida, o Parlamento da Crimeia, como uma autoridade legítima, tem o direito soberano dos povos de determinar seu futuro", disse Valentina Matviyenko, chefe do Conselho da Federação Russa, saudando uma delegação da Crimeia com a presença do novo líder apoiado por Moscou. "Se o povo da Crimeia tomar a decisão em um referendo de aderir à Rússia, nós, como câmara alta, vamos obviamente apoiar essa decisão", completou.

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O Parlamento da Crimeia, região estratégica no sudeste da Ucrânia com 60% de sua população se identificando como russa, convocou a votação em meio a uma crise internacional desatada pela decisão de Moscou de enviar tropas para a península após a queda do presidente pró-Rússia Viktor Yanukovych no dia 22 . Ele foi deposto pelo Parlamento depois de três meses de protestos iniciados em novembro por sua decisão de se aproximar da Rússia em vez de assinar um acordo comercial com a UE.

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Na quinta, o presidente dos EUA, Barack Obama, disse que a proposta de referendo viola o direito internacional e afirmou que os EUA atuaram para impor sanções para fazer a Rússia pagar o custo pela intervenção na Ucrânia. Além dos EUA, a União Europeia (UE) também anunciou a imposição de sanções.

Em telefonema na noite de quinta com Obama, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, defendeu a incursão de seu país na nação vizinha como consistente com a lei internacional.

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Segundo uma nota publicada no site do Kremlin, Putin também reiterou seu argumento de que o novo governo de Kiev que sucedeu a Yanukovych é resultado de um "golpe inconstitucional", afirmando que a Rússia "não poderia ignorar" os pedidos de proteção feitos pelo leste e sul da Ucrânia, que pendem para a Rússia.

Apesar da divergência com os EUA, que consideram a ação militar russa uma violação da lei internacional, Putin relembrou a importância das relações da Rússia com os EUA, dizendo esperar que os dois países não se tornem "vítimas do desacordo" em certos assuntos.

Segundo uma declaração da Casa Branca, Obama reivindicou no telefonema que o presidente russo ponha fim à disputa de forma diplomática, recuando as forças para a base russa na Crimeia e trazendo monitores internacionais para a Ucrânia.

Nesta sexta-feira, o novo primeiro-ministro ucraniano, Arseny Yatsenyuk, disse que a Ucrânia está disposta a conversar com a Rússia, mas antes Moscou precisa retirar suas tropas, respeitar os acordos internacionais e interromper o apoio a "separatistas e terroristas". 

O premiê disse que solicitou um segundo telefonema com o primeiro-ministro russo, Dmitry Medvedev. Os dois conversaram no sábado, no único contato de alto nível entre os dois países desde o início da crise. "Ninguém no mundo civilizado reconhecerá os resultados de um referendo realizado por essas autoridades", disse Yatseniuk, que considerou os planos ilegais e inconstitucionais.

*Com Reuters

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