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Comboio russo se dirige à capital da Crimeia um dia depois de Rússia tomar controle da península sem disparar um único tiro

Após uma sessão fechada do seu novo Parlamento em Kiev, o novo primeiro-ministro da Ucrânia, Arseniy Yatsenyuk, conclamou neste domingo o presidente da Rússia, Vladimir Putin, a recuar suas tropas na disputa entre os dois países pela estratégica Crimeia, dizendo que "estamos à beira do desastre".

Sábado: Ucrânia põe tropas em alerta e EUA pedem que Rússia recue

Grupo de homens armados sem emblemas em uniformes cortam luz do Quartel-General das forças navais ucranianas em Sevastopol, Crimeia, Ucrânia (2/3)
AP
Grupo de homens armados sem emblemas em uniformes cortam luz do Quartel-General das forças navais ucranianas em Sevastopol, Crimeia, Ucrânia (2/3)

Após pedido de Putin: Parlamento russo aprova envio de tropas à Ucrânia

As declarações de Yatsenyuk foram feitas enquanto um comboio com centenas de soldados russos direcionava-se para Simferopol, a capital da região da Crimeia, um dia depois de as forças russas terem assumido o controle da península no Mar Negro sem disparar nem um único tiro. "Não houve nenhuma razão para a Federação Russa invadir a Ucrânia", disse o premiê.  

Até agora, o novo governo em Kiev tem se mostrado sem poderes para reagir às táticas militares russas. Homens armados em uniformes sem emblema se movem livremente na península, ocupando aeroportos e cercando bases em três lugares diferentes .

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Putin desafiou pedidos do Ocidente para recuar suas tropas, insistindo que a Rússia tem o direito de proteger seus interesses e os falantes de russo na Crimeia e em outros lugares da Ucrânia. Entretanto, não há sinais de que a população de etnia russa esteja sofrendo ataques na Crimeia, onde correspondem a 60% dos habitantes, ou em outros locais do país.

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Da estrada de Sevastopol, o porto da Crimeia onde a Rússia tem sua base-chave naval do Mar Negro, a Simferopol, jornalistas da Associated Press viram 12 veículos militares com soldados, um veículo blindado armado com uma metralhadora e duas ambulâncias.

O presidente dos EUA, Barack Obama, falou com Putin por 90 minutos ao telefone no sábado e expressou sua "profunda preocupação" sobre "a clara violação russa da soberania e da integridade territorial ucranianas", disse a Casa Branca. Obama alertou que a "violação contínua da lei internacional pela Rússia levará a um maior isolamento político e econômico".

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Os EUA também disseram que suspenderão a participação nos "encontros preparatórios" para a cúpula econômica do G8, planejados para junho no resort de Sochi, local das recentes Olimpíadas de Inverno de 2014.

O ministro de Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, concordou, dizendo na rádio francesa Europa que o planejamento do cúpula deveria ser suspenso. A França "condena a escala militar russa" na Ucrânia e Moscou deve "perceber que ações têm custos", afirmou neste domingo.

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Mas os EUA e os outros governos ocidentais têm poucas opções para conter as movimentações militares da Rússia.

O Conselho do Atlântico Norte da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), o órgão de tomada de decisão política da aliança militar, e a Comissão da Ucrânia-Otan devem se reunir neste domingo. O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, disse que os aliados se "coordenaram de perto" sobre a situação na Ucrânia, que ele classificou como "grave".

A Ucrânia não é um membro da Otan, significando que os EUA e a Europa não estão obrigados a sair em sua defesa. Mas a Ucrânia participou de alguns exercícios da aliança militar e enviou tropas para sua força de resposta.

O presidente em exercício da Ucrânia, Oleksandr Turchynov, anunciou no fim da noite de sábado que ordenou as Forças Armadas da Ucrânia a estar em prontidão total por causa da ameaça de "potencial agressão". Ele também disse que ordenou o aumento da segurança nas usinas nucleares, aeroportos e infraestrutura estratégica. Na Crimeia, entretanto, as tropas ucranianas não ofereceram nenhuma resistência.

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O novo governo chegou ao poder na semana passada depois de meses de protestos pró-democracia contra o agora fugitivo presidente Viktor Yanukovych e contra sua decisão de voltar-se para a Rússia em vez de alcançar laços mais estreitos com a União Europeia (UE).

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A população da Ucrânia está dividida em lealdades entre a Rússia e a Europa, com boa parte da área ocidental ucraniana defendendo vínculos mais próximos com a UE, enquanto as regiões leste e sul recorrem à ajuda da Rússia.

A Crimea é em sua maioria falante do russo. O território apenas se tornou parte integrante da Ucrânia em 1954, quando o líder soviético Nikita Khrushchev transferiu a jurisdição da Rússia, uma medida que era uma mera formalidade quando a Ucrânia e a Rússia faziam parte da União Soviética (URSS). O colapso da URSS em 1991 significou que a Crimeia ficou para uma Ucrânia independente.

*Com AP

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