Tamanho do texto

Ucrânia abre processo por traição contra Denis Berezovsky. Forças russas tomaram o controle sobre a península da Crimeia

A Ucrânia abriu um processo de traição contra o comandante da Marinha que se rendeu em seu quartel-general neste domingo (2), no porto de Sebastopol, na Crimeia, em seu segundo dia no cargo. Denis Berezovsky foi mostrado na TV russa jurando lealdade aos líderes regionais pró-Rússia na Crimeia.

Avanço: Centenas de homens armados cercam bases militares da Ucrânia

Forças russas tomaram controle sobre a península da Crimeia e ordenaram a militares ucranianos para entregarem suas armas. "Durante o bloqueio do quartel-general da Marinha pelas forças russas, ele se recusou a oferecer resistência e abaixou as armas", disse Viktoria Syumar, do Conselho de Segurança da Ucrânia. Outro almirante, Serhiy Hayduk, foi colocado no comando da Marinha ucraniana.

Chefe da Marinha ucraniana, Denis Berezovsky adere a tropas pró-Rússia na região da Crimeia
Reuters
Chefe da Marinha ucraniana, Denis Berezovsky adere a tropas pró-Rússia na região da Crimeia


Uma base da Ucrânia foi cercada por soldados russos em Perevalne, ao sul da capital regional de Simferopol, com outra base em Sevastopol sendo bloqueada por uma "unidade de autodefesa" pró-Rússia. Na cidade portuária de Feodosia, um grupo de estimados 100 fuzileiros navais também foram bloqueados em sua base. Homens armados exigem que eles declarem lealdade às novas autoridades pró-Rússia da região.

'À beira do desastre': Premiê da Ucrânia exige recuo militar da Rússia

Apesar de não haver nenhum confronto aberto entre os homens armados e as forças militares na Ucrânia, Vladislav Seleznyov, porta-voz do Centro de Mídia da Crimeia do Ministério de Defesa do país, caracterizou o bloqueio das bases "como um alerta vermelho": "Isso é realmente uma declaração de guerra em nosso país", disse à rede de TV CNN.

Jornalistas da Associated Press testemunharam o bloqueio da base em Perevalne. Segundo eles, centenas de soldados sem identificação em caminhões e veículos blindados cercaram impedem a saída dos soldados que estão dentro do local. Em minoria, os ucranianos posicionaram um tanque no portão da base, deixando os dois lados em um tenso impasse.

Repercussão internacional

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) alertou a Rússia neste domingo de que uma ação militar contra a Ucrânia violará a legislação internacional e expressou grave preocupação sobre a autorização do Parlamento russo para uso da força. Depois de uma reunião de emergência dos embaixadores da Otan em Bruxelas, a aliança pediu para que a Rússia leve suas forças de volta às bases e evite novas interferências na Ucrânia.

Sábado: Ucrânia põe tropas em alerta e EUA pedem que Rússia recue

Após uma sessão fechada do seu novo Parlamento em Kiev, o novo primeiro-ministro da Ucrânia, Arseniy Yatsenyuk, conclamou neste domingo o presidente da Rússia, Vladimir Putin, a recuar suas tropas na disputa entre os dois países pela estratégica Crimeia, dizendo que "estamos à beira do desastre". As declarações de Yatsenyuk foram feitas um dia depois de as forças russas terem assumido o controle da península no Mar Negro sem disparar um único tiro.


O presidente dos EUA, Barack Obama, falou com Putin por 90 minutos ao telefone no sábado e expressou sua "profunda preocupação" sobre "a clara violação russa da soberania e da integridade territorial ucranianas", disse a Casa Branca. Obama alertou que a "violação contínua da lei internacional pela Rússia levará a um maior isolamento político e econômico". 

Após pedido de Putin: Parlamento russo aprova envio de tropas à Ucrânia

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, condenou neste domingo a intervenção militar russa na Crimeia e avisou Putin de que o país pode ser expulso do grupo do G8 - que reúne as principais economias do mundo - se persistir nesse tipo de abordagem. Kerry classificou de “incrível de agressão” a decisão do parlamento russo em autorizar "um recurso às forças armadas” e a mobilização de tropas para a região autónoma da Crimeia.

Já o ministro de Relações Exteriores da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, pediu calma e defendeu a permanência da Rússia no G8. "O formato do G8 é atualmente o único no qual nós no Ocidente podemos falar diretamente com a Rússia", disse Steinmeier à emissora pública ARD. "Devemos realmente desistir deste formato único?"

Os EUA e os outros governos ocidentais têm poucas opções para conter as movimentações militares da Rússia. O secretário-geral da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), Fogh Rasmussen, disse que a Rússia violou a Carta da ONU com sua ação militar na Ucrânia e exigiu que Moscou "recue na escalada de tensões". Ele fez suas declarações em Bruxelas antes de abrir uma reunião para discutir a crise do órgão de tomada de decisão política da aliança militar.


A Ucrânia não é um membro da Otan, significando que os EUA e a Europa não estão obrigados a sair em sua defesa. Mas a Ucrânia participou de alguns exercícios da aliança militar e enviou tropas para sua força de resposta.

Os EUA também disseram que suspenderão a participação nos "encontros preparatórios" para a cúpula econômica do G8, planejados para junho no resort de Sochi, local das recentes Olimpíadas de Inverno de 2014.

O ministro de Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, concordou, dizendo na rádio francesa Europa que o planejamento do cúpula deveria ser suspenso. A França "condena a escala militar russa" na Ucrânia e Moscou deve "perceber que ações têm custos", afirmou neste domingo.

Com Reuters, AP e BBC

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.