Tamanho do texto

Declarações aumentam ainda mais divergências entre a Rússia e a Ucrânia após queda de líder pró-Moscou na semana passada

O líder pró-Rússia da região ucraniana da Crimeia declarou estar com o controle da polícia e do Exército da região neste sábado e fez um apelo para que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, ajude a manter a paz, aumentando ainda mais a discordância entre os dois países vizinhos.

Yanukovych:  Na Rússia, presidente deposto da Ucrânia promete lutar pelo país

Homens armados não identificados e vestidos com uniformes de camuflagem bloqueiam a entrada do prédio do Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3)
AP
Homens armados não identificados e vestidos com uniformes de camuflagem bloqueiam a entrada do prédio do Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3)

Acusação da Ucrânia:  Forças Armadas da Rússia ocupam aeroportos na Crimeia

As declarações representam a mais recente escalada depois da queda do presidente pró-Rússia Viktor Yanukovych na semana passada após três meses de um movimento de protesto que tinha como objetivo aproximar a Ucrânia da União Europeia (UE) e afastá-la da Rússia.

Homens armados descritos como soldados russos tomaram o controle de aeroportos-chave e de um centro de comunicações na Crimeia na sexta-feira. A Ucrânia acusou a Rússia de uma "invasão e ocupação militares" - uma alegação que levou uma nova dimensão alarmanete à crise e levantou temores de que Moscou atua para intervir na península estratégica onde sua Frota do Mar Negro está baseada.

Quinta-feira: Ucrânia alerta Rússia contra 'agressão militar' na Crimeia

Tensão: Homens armados pró-Rússia tomam prédios do governo na Crimeia

A população da Ucrânia está dividida em lealdades entre a Rússia e a Europa, com boa parte da área ocidental ucraniana defendendo vínculos mais próximos com a UE, enquanto as regiões leste e sul recorrem à ajuda da Rússia. A Crimea é em sua maioria falante do russo.

Veja as imagens dos protestos que levaram à queda de Yanukovych:

Premiê: Rússia diz que não tratará com 'amotinados' da Ucrânia

O primeiro-ministro da Crimeia, Sergei Aksyonov, declarou que as Forças Armadas, a política, o serviço de segurança nacional e os guardas de fronteira na região responderão apenas a suas ordens. 

O primeiro-ministro da Ucrânia, Arseny Yatsenyuk , abriu uma reunião de gabinete na capital, Kiev, pedindo que a Rússia não provoque discórdia na Crimeia, uma península no Mar Negro.

Terça: Presidente interino da Ucrânia alerta para 'série ameaça de separatismo'

Quarta:  Líder da Rússia ordena exercícios militares em meio à tensão com Ucrânia

"Conclamamos o governo e as autoridades da Rússia a reconvocar suas forças e a reposicioná-las em suas estações", disse Yatsenyuk, citado pela agência de notícias russa Interfax. "Companheiros russos, parem de provocar a resistência militar e civil na Ucrânia."

A Crimeia apenas se tornou parte integrante da Ucrânia em 1954, quando o líder soviético Nikita Khrushchev transferiu a jurisdição da Rússia, uma medida que era uma mera formalidade quando a Ucrânia e a Rússia faziam parte da União Soviética (URSS). O colapso da URSS em 1991 significou que a Crimeia ficou para uma Ucrânia independente.

O presidente dos EUA, Barack Obama, alertou Moscou na sexta-feira que "haverá custos" se intervir militarmente.

Vídeo: Câmeras 'flagram' fuga de presidente deposto na Ucrânia

Mandado: Presidente deposto da Ucrânia é procurado por assassinato em massa

A Rússia adotou uma posição de confronto em relação a seu vizinho depois de o pró-russo Yanukovych ter fugido do país . Yanukovych foi destituído pelo Parlamento depois de semanas de protestos que deixaram mais de 80 mortos .

Homem com uniforme das forças armadas patrula aeroporto de Simferopol, na Ucrânia (28/2)
AP
Homem com uniforme das forças armadas patrula aeroporto de Simferopol, na Ucrânia (28/2)

Os manifestantes buscaram sua renúncia depois de ele abrir mão de um acordo que aproximaria a Ucrânia da UE para alinhar-se à Rússia. Yanukovych se refugiou na Rússia e diz que ainda é o presidente.

Aksyonov, o líder do principal partido pró-Rússia da penínsual, apelou a Putin "por assistência em garantir a paz e a calma no território da república autônoma da Crimeia". Aksyonov foi empossado pelo Parlamento da Crimeia na quinta-feira, depois que homens armados pró-Rússia tomaram o controle do prédio e as tensões aumentaram por causa da resistência da Crimeia em relação às novas autoridades em Kiev, que assumiram o poder nesta semana.

*Com AP

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.