Tamanho do texto

Com a justificativa de que sistema automatizado do país impossibilita recontagem voto a voto, juíza diz não haver base legal para acatar pedido de candidato da oposição

A presidente da Suprema Corte da Venezuela, Luisa Estela Morales, disse nesta quarta-feira que não há base legal para realizar a recontagem voto a voto que o candidato Henrique Capriles , da oposição, reivindicou após contestar a vitória do governista Nicolás Maduro na eleição presidencial de domingo.

Oposição: Após episódios de violência, Capriles cancela grande passeata em Caracas

Candidato da oposição na Venezuela, Henrique Capriles, participa de coletiva em Caracas (16/4)
AP
Candidato da oposição na Venezuela, Henrique Capriles, participa de coletiva em Caracas (16/4)

Após eleição: Confrontos violentos após a eleição deixam sete mortos na Venezuela

A declaração foi a mais recente indicação que o sistema de governo deixado por Hugo Chávez , morto em 5 de março após uma luta de quase dois anos contra um câncer, não tem nenhuma intenção de acatar o pedido de Capriles, que oficialmente perdeu com 49% dos votos, em uma diferença de quase 273 mil votos em relação a Maduro, que alcançou 50,8%. Alegando milhares de irregularidades nos postos de votação, Capriles ainda não reconheceu a vitória do oponente.

Capriles não fez um pedido formal de recontagem ao Conselho Nacional Eleitoral, que na segunda ratificou Maduro , apontado por Chávez como seu sucessor, como vencedor.

De acordo com Morales, o sistema de votação venezuelano é tão automático que não existe uma contagem manual. Tecnicamente, porém, uma recontagem é possível pelo fato de comprovantes em papel serem produzidos a cada voto depositado e poderem ser confrontados com contagens feitas por cada uma das urnas eletrônicas, pelas inscrições dos eleitores e pelos registros centralizados.

A presidente da Suprema Corte é a mesma juíza que anunciou a controversa decisão três dias após a morte de Chávez de que Maduro efetivamente se tornou presidente após o falecimento de seu antecessor. Isso possibilitou a Maduro assumir como líder interino e também concorrer nas eleições como candidato presidencial.

Líderes da oposição da Venezuela afirmaram nesta quarta que temem perseguição contra os protestos pós-eleitorais, mas Maduro prometeu proteger seu rival. Os EUA se uniram aos apelos pela recontagem, com o secretário de Estado John Kerry declarando que Washington ainda não decidiu se reconhecem Maduro.

Partidários de Capriles enfrentam tropa de choque durante protesto após eleições na Venezuela (15/4)
Reuters
Partidários de Capriles enfrentam tropa de choque durante protesto após eleições na Venezuela (15/4)

Protestos liderados pela oposição acabaram com um total de sete mortos , e o governo prometeu uma ação legal contra Capriles e outros ao acusá-los de incitar a violência. A agitação deixou clara a profunda polarização de um país dividido ao meio entre facções pró e antigoverno.

Durante a noite, Capriles alegou que o governo tinha ordenado gangues a atacar seus partidários e até mesmo sua residência oficial no Estado de Miranda, onde ele é o governador. "Qualquer coisa que acontecer comigo na residência oficial em Los Teques é de responsabilidade de Nicolás Maduro!", declarou.

Apesar de exigir uma ação legal contra Capriles e chamá-lo de fascista, Maduro, no entanto, disse que ele seria protegido. "Sou um homem de paz e de palavra. Pedi à (agência estatal de inteligência) Sebin para manter a proteção do ex-candidato da direita, embora ele tenha se livrado de quem o protegia", declarou Maduro via Twitter.

Capriles tinha planejado liderar uma marcha de protesto no Conselho Nacional Eleitoral nesta quarta, mas Maduro proibiu. Posteriormente, o líder da oposição cancelou o evento , dizendo que o governo havia planejado iniciar uma confusão e culpá-lo. Maduro deve tomar posse na sexta.

*Com AP e Reuters

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.