Tamanho do texto

Kenyatta é o 2º líder da África a enfrentar acusações na corte. Ele diz que provará inocência sobre alegações de que ajudou a orquestrar violência que manchou eleição de 2007

Uhuru Kenyatta tomou posse nesta terça-feira como o quarto presidente do Quênia em um estádio lotado com dezenas de milhares de quenianos e dezenas de líderes africanos.

Dia 30: Suprema Corte do Quênia confirma eleição de Kenyatta como presidente

Presidente do Quênia, Uhuru Kenyatta, segura Bíblia durante cerimônia de posse em Kasarani, perto de Nairóbi
AP
Presidente do Quênia, Uhuru Kenyatta, segura Bíblia durante cerimônia de posse em Kasarani, perto de Nairóbi

Kenyatta: Quênia anuncia presidente eleito

Kenyatta, 51, filho de Jomo Kenyatta (primeiro presidente do Quênia), tornou-se o segundo presidente em exercício da África a enfrentar acusações no Tribunal Penal Internacional (TPI). Ele é alvo de alegações de que ajudou a orquestrar a violência tribal que manchou a eleição presidencial de 2007 do país.

O presidente de Uganda e o novo vice do Quênia usaram a cerimônia de posse para atacar o alerta feito pelo TPI e pelos EUA antes das eleições de 4 de março de que uma vitória de Kenyatta traria "consequências" ao Quênia.

"Quero saudar os eleitores quenianos em outra questão - a rejeição da chantagem do Tribunal Penal Internacional e daqueles que tentam abusar dessa instituição para seus próprios interesses", disse o presidente de Uganda, Yoweri Museveni, à multidão, acrescentando: "Eles agora usam isso para estabelecer líderes de sua escolha na África e eliminar aqueles de que não gostam."

O vice William Ruto pontuou que ele e Kenyatta venceram no primeiro turno apesar do alerta dos EUA.

A cerimônia desta terça contrastou drasticamente com o apressado evento fechado ao público de há cinco anos para a posse do presidente Mwai Kibaki, cujos oponentes políticos acusaram de roubar a votação de 2007. Essas suspeitas desataram semanas de violência tribal que deixou mais de 1 mil mortos.

É em relação a essa violência que Kenyatta enfrenta acusações no TPI. Ele nega as acusações dos promotores de que ajudou a orquestrar a violência e prometeu cooperar com o tribunal para provar sua inocência. Seu julgamento está com início previsto para julho. O vice Ruto enfrenta acusações similares em um julgamento programado para maio.

Kenyatta derrotou outros sete candidatos presidenciais com 50,07% dos votos. Essa pequena margem foi desafiada pelo primeiro-ministro Raila Odinga - que alcançou 43% dos votos - e por grupos da sociedade civil que reclamaram de anomalias no processo de votação. A Suprema Corte manteve a vitória de Kenyatta depois de audiências transmitidas pela TV.

Perspectivas econômicas

O fato de a disputa ter sido resolvida pela Justiça, evitando a repetição da violência eleitoral de 2007, deu um sinal positivo para a confiança dos investidores na maior economia da África Oriental. Um dos setores que pretendem se beneficiar disso é o turístico, ainda mais pelo fato de Kenyatta ser dono de hotéis e de um vasto império empresarial.

Além de buscar mais visitantes, o Quênia quer também receber investimentos para a exploração de gás e petróleo, para financiar um novo porto na cidade de Lamu, para realizar outras obras de infraestrutura e para reforçar a posição do país como polo industrial regional.

"Os planos de investimento previamente suspensos no Quênia por causa da incerteza relacionada à eleição tendem agora a ser realizados", disse a economista Razia Khan, do banco Standard Chartered. Os investimentos estrangeiros, disse, "podem demorar um pouco mais para terem um aumento significativo, mas isso também deveria ser o aumento de uma ascensão em curto prazo", afirmou.

No entanto, velhos problemas que incomodam os empresários, como a corrupção e a burocracia, não foram resolvidos com a decisão judicial que confirmou a eleição de Kenyatta contra Odinga. Além disso, a presidência de Kenyatta vem com a carga do indiciamento no TPI, o que poderia complicar suas relações pessoais com governos ocidentais, embora diplomatas falem em uma abordagem "pragmática" que evite danos às relações comerciais.

"Há ainda a incerteza mais ampla pelo caso do TPI. Se as acusações serão mantidas é algo a se observar de perto", disse Khan. 

Alguns empresários acham que Kenyatta pode ser uma dádiva para o turismo. Sua família é dona da rede hoteleira Heritage Group, além de ter negócios que abrangem de laticínios a bancos e escolas.

"Quando Kenyatta era presidente do Conselho de Turismo do Quênia,  era alguém com quem podíamos conversar", disse Suresh Sofat, executivo-chefe da importante operadora de viagens local Somak Travel. "Ele entendia o turismo e lutava por todos nós."

*Com AP e Reuters

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.