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Presidente deposto afirmou que não quer gerar constrangimento aos 'colegas'. País foi suspenso da reunião após processo de impeachment dele

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Lugo classificou destituição como ‘golpe parlamentar contra a vontade do povo’
Reuters
Lugo classificou destituição como ‘golpe parlamentar contra a vontade do povo’

O ex-presidente do Paraguai, Fernando Lugo, não participará mais das reuniões de cúpula do Mercosul e da Unasul nesta sexta-feira na cidade argentina de Mendoza, como chegou a ser anunciado, informa à BBC Brasil seu assessor internacional, Gustavo Codas, acrescentando que o ex-líder deve sair em caravanas pelo país como forma de protesto.

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A crise gerada em seu país após o processo relâmpago que o derrubou do poder deve dominar o encontro dos chefes de Estado e governo latinoamericanos.

Lugo teria tomado a decisão nesta quarta-feira durante reunião com reduzido grupo de assessores em sua casa em Lambaré, na Grande Assunção.

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"O presidente entendeu que sua presença poderia gerar constrangimento aos colegas do Mercosul e da Unasul e preferiu não ir mais à reunião. Ele agora está preparando a agenda para percorrer o país como fez na campanha (presidencial) em 2008 e durante seu mandato", afirmou Codas.

Segundo ele, Lugo entende que já conversou com os ministros das Relações Exteriores dos países do Mercosul que estiveram em Assunção, na semana passada, e viram de "de perto a inconstitucionalidade" da sua destituição.

Codas e seu ex-assessor Roberto Paredes indicaram que Lugo ainda espera "reverter a situação inconstitucional e retornar à Presidência", mesmo após a decisão da Suprema Corte de Justiça de "convalidar" e considerar "constitucional" o impeachment relampâgo votado na semana passada, no Senado.

Lugo X Franco

Ex-bispo da Igreja católica, Lugo assumiu a Presidência em 2008 e seu mandato terminaria em agosto do ano que vem. A 14 meses da posse do sucessor e a nove meses das eleições presidenciais, em abril de 2013, Lugo foi substituído no cargo por seu ex-vice, agora presidente Federico Franco.

"Lugo ficou calmo até demais. Depois ele até reagiu um pouco falando em golpe parlamentar e golpe de Estado mas a calma dele ainda nos surpreende, mas sabemos que é atitude de quem foi bispo", afirmou um de seus assessores diretos.

Politicamente, ao longo de sua gestão, Lugo e Franco mostram diferenças públicas em relação a diferentes questões, como troca de ministros e em relação a acordos do Mercosul e da Unasul.

"Lugo assinou um acordo com a Unasul que prevê fortes sanções ao país que desrespeitar a democracia, como o fechamento de fronteiras. A iniciativa de Lugo não teve o respaldo da oposição, incluindo Franco, porque o Paraguai é um país sem acesso ao mar e depende dos outros países para importar e exportar. Aqui, foi entendido que uma medida assim seria possível em outros países, como Brasil, Argentina e Uruguai, mas não no Paraguai que com uma medida dessas ficaria isolado", afirmou o analista político-econômico Fernando Masi, do Centro de Análises e Estudos da Economia Paraguaia (Cadep), de Assunção.