Estudo da Unesp encontra químicos ligados ao câncer em plásticos

Substâncias tóxicas foram descobertas em locais de descarte de resíduos. Sem análise e tratamento, reciclagem pode distribuir materiais contaminados

Reciclagem
Foto: Divulgação/Polata
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Pesquisa desenvolvida por estudantes da Universidade do Estado de São Paulo (Unesp), em parceria com a Universidade de Birmingham, no Reino Unido, identificou componentes associados ao câncer em diferentes resíduos sólidos no Brasil.

O estudo chegou à conclusão por meio da coleta de 207 amostras de lixo na região metropolitana de Sorocaba, em São Paulo. Dentre os resíduos coletados, estavam espumas de poliuretano, tecidos de estofamento automotivo, capas de colchão, móveis, isopor (EPS) e artigos infantis de plástico/silicone .

Riscos à saúde

Os compostos químicos ésteres de organofosfato clorados (Cl-OPEs) foram encontrados na composição desses materiais. Eles são aditivos químicos sintéticos que eram misturados pela indústria aos plásticos e espumas durante a fabricação para reduzir a inflamabilidade desses produtos.

A presença desses químicos nos objetos representa riscos significativos à saúde pública e ao meio ambiente podendo provocar prejuízos aos sistemas endócrino e reprodutivo, além de favorecer o aparecimento de câncer, em caso de exposição contínua aos componentes.

A contaminação ocorre no contato direto com o objeto no qual eles foram inseridos, por meio da inalação ou ingestão constante da poeira liberada no ambiente pelo processo de degradação do material .

Intervenção

O pesquisador André Henrique Rosa pontua que a importância da pesquisa está em gerar discussão a respeito da gestão segura de resíduos no Brasil, visando à implementação de economia circular, ou mesmo a proteção dos trabalhadores de reciclagem, que estão em contato com esses tipos de materiais diariamente.

De acordo com o pesquisador David Burgos, alguns dos componentes encontrados já foram proibidos pela Convenção de Estocolmo, documento internacional do qual o Brasil é signatário desde 2004.

No entanto, ele explica que somente proibir não faz desaparecer os materiais que já foram produzidos. É necessário reciclá-los com análise química ou tratamentos prévios para que as substâncias não voltem a circular no ambiente por meio de novos itens.