Transmissão ao vivo teve como convidados o diplomata Cesário Melantonio Neto e a porta-voz de políticas públicas para o Meio Ambiente do Greenpeace, Luiza Lima
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Transmissão ao vivo teve como convidados o diplomata Cesário Melantonio Neto e a porta-voz de políticas públicas para o Meio Ambiente do Greenpeace, Luiza Lima

Especialistas ouvidos pelo iG nesta terça-feira (11), durante a live Em Cima do Fato , avaliaram a política ambiental do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) como "nefasta" e disseram que o discurso a favor de medidas para evitar a degradação ambiental é "falacioso".

Para o ex-embaixador e diplomata Cesário Melantonio Neto, o Brasil sempre teve uma política ambiental que era minimamente respeitada no resto do mundo. Nos dois anos e quatro meses de governo Bolsonaro, porém, ele afirma que o País está "jogando fora" um grande patrimônio natural.

"O Brasil está jogando fora um patrimônio que não só a natureza, mas que diversos governos, de uma forma ou de outra, levaram adiante uma política ambiental com cerca responsabilidade. Tudo isso está sendo perdido em dois anos e quatro meses, em pouquíssimo tempo", disse.

Ao comentar a participação brasileira na Cúpula do Clima, ele lamentou que o Brasil não tenha tido um papel de destaque.

"A imagem do Brasil, por ter discursado depois das Ilhas Marshall, de Bangladesh, com o presidente Biden saindo da sala, é um reflexo dessa política. Como a gente diz em política internacional, ninguém é bobo, ninguém é cego. Todo mundo lê, todo mundo escuta, todo mundo fala, todo mundo está ligado na internet. Então não adianta querer enganar as pessoas, muito menos enganar os países e os governos. Como a gente diz no Brasil, mentira tem perna curta. Não adianta querer enganar", afirmou.

Assista ao trecho da entrevista:

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A informação foi compartilhada por Luiza Lima, porta-voz de políticas públicas para o meio ambiente do Greenpeace. Segundo a ativista, as promessas brasileiras durante o evento internacional eram coisas que já estavam previstas por governos.

Em seu discurso, Bolsonaro se comprometeu a reduzir em 37% a emissão de gases de efeito estufa até 2025 e em 47% até 2030, prometeu a "neutralidade climática" até 2050, disse que iria dobrar o orçamento para fiscalização ambiental e zerar o desmatamento ilegal.

"Já era compromisso brasileiro a gente ter reduzido o desmatamento em 80% até 2020. A gente caminhava muito bem para atingir esse objetivo até a chegada desse governo. A gente vinha vendo um acréscimo moderado nos governos anteriores, já que ele voltou a subir em 2013. Mas ele [desmatamento] voltou a subir de forma vertiginosa nos últimos anos", disse Lima.

"Esse é um discurso extremamente falacioso do ponto de vista de querer colocar resultados que, na verdade, o governo tenta trabalhar no oposto, na direção contrária. E com compromissos muito vazios e muito pouco ambiciosos, muito aquém do que o Brasil tem condições de apresentar para o mundo, como já fez em anos anteriores", completou.

Impactos econômicos

De acordo com o diplomata Cesário Melantonio Neto, a situação é tão grave que pode ter impactos nas relações comerciais brasileiras, incluindo boicotes de grandes potenciais mundiais.

"Isso vai afetar certamente, é uma questão de tempo, as exportações brasileiras. Vai afetar dezenas de bilhões de dólares do agronegócio. Já grandes supermercados estão discutindo a eventualidade de boicote aos produtos brasileiros por causa dessa nefasta política ambiental. Isso é muito grave. É uma 'desdiplomacia'. Estamos desfazendo o que a diplomacia brasileira fez durante 20 ou 30 anos", disse o ex-embaixador.

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