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Se entre janeiro e abril de 2015 foram 1 milhão de autuações a quem trafega em até 20% da velocidade permitida, em 2016 aumentou para 2 milhões

Velocidade máxima na capital caiu para 50 km/h, e os limites nas marginais Tietê e Pinheiros também foram reduzidos
Gabriela Biló/ AGE/ Estadão Conteúdo
Velocidade máxima na capital caiu para 50 km/h, e os limites nas marginais Tietê e Pinheiros também foram reduzidos

O número de multas por excesso de velocidade dobrou em São Paulo nos primeiros quatro meses do ano. Se em 2015 foram emitidas 1 milhão de autuações entre janeiro e abril, no mesmo período de 2016 aumentou para 2 milhões – uma média de quase 12 infrações por minuto para quem trafega em até 20% da velocidade permitida.

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Esta é a principal infração cometida pelos paulistanos e representa quase metade de todas as multas (5,2 milhões). Isso se deve, entre outros fatores, pela redução das velocidades máximas feita no ano passado pela gestão Haddad.

“As multas não são uma forma de punição ao motorista, mas ao infrator", afirmou o prefeito Fernando Haddad (PT) em entrevista à Rádio e TV Estadão na última quarta-feira (10). Em maio, ele chegou a virar réu em uma ação civil de improbidade administrativa por causa do aumento no número de autuações, mas o petista defende a redução como forma de diminuir acidentes e mortes no trânsito.

"Cinco por cento dos motoristas de São Paulo respondem por 50% das multas na cidade. Não é melhor olhar pelo outro lado? Temos 9 mil feridos e 250 feridos a menos em um ano." Somando todos os tipos de autuações, o volume de multas cresceu 50% nos primeiros quatro meses de 2016.

De acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). O número de acidentes com vítimas nas marginais caiu de 608, no primeiro semestre de 2015, para 308, este ano .

Polêmica

A velocidade máxima na capital caiu para 50 km/h, e os limites nas marginais Tietê e Pinheiros também foram reduzidos. As mudanças fizeram com que o advogado Michel Anderson de Araújo, de 38 anos, perdesse a carteira nacional de habilitação (CNH) duas vezes.

A primeira foi no segundo semestre de 2015, e esta semana ele perdeu novamente a CNH após seis autuações. "A meta imposta de 50 km/h em quase todas as vias é muito baixa, quase parando. O paulistano estava acostumado a um padrão maior de velocidade", acredita o advogado. Ele também atribui o elevado número de multas ao aumento de radares instalados pela capital.

Em março deste ano, havia 925 equipamentos em ruas e avenidas da capital, aumento de 57,5% em relação a janeiro de 2013, quando Fernando Haddad assumiu: eram 587 radares.

A gerente de recursos humanos Guiomar Pacheco, de 63 anos, pensa que pagar pelas infrações é “jogar dinheiro fora”. Por este motivo, ela toma cuidado no volante e ainda não tem nenhuma infração no “currículo”. Bem diferente do marido, o empresário Márcio Luiz Sala, de 62, que já foi multado sete vezes e teve que pagar mais de R$ 800. "Estou abismado com esse número de multas. Sempre fui corretíssimo. Nunca fui de cometer muitas infrações. Mas, do fim do ano passado para cá, deu uma disparada."

Arrecadação

Aumenta o número de multas, aumenta também a arrecadação da Prefeitura com as infrações. Nos quatro primeiros meses do ano, na comparação com o mesmo período de 2015, o crescimento foi de 24% descontada a inflação, passando de R$ 333 milhões para R$ 413 milhões.

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