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Ciclistas acima do peso passam a se reunir para pedalar nas ruas do Rio de Janeiro para combater preconceito em universo dominado pelos magros

Adeptos do Fatbike, criado há dois meses e que reúne ciclistas fora do
Arquivo pessoal/ Paulo Rodrigues
Adeptos do Fatbike, criado há dois meses e que reúne ciclistas fora do "padrão" para passeio de bicicleta no Rio de Janeiro


O professor de história Paulo Rodrigues, de 41 anos, entrou em depressão quando seu segundo casamento chegou ao fim. Mas a fase difícil, que fez com que ele ganhasse 90 quilos e perdesse o amor pela própria vida, se transformou em um projeto que tem levado ao esporte pessoas acima do peso como ele: o ciclogordismo – ou "grupo de ciclismo para gordinhos", como define. E tudo graças a uma bicicleta que ganhou da mãe.

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Assim que ganhou o presente de dona Odila Lucena, Rodrigues abraçou a ideia de usá-la. Mas não foi nada fácil. Nos primeiros dias, ele não conseguia nem dar uma volta completa na praça perto de sua casa. Pouco mais de nove meses depois, no entanto, ele já se orgulha de conseguir fazer passeios de mais de 100 km com a bicicleta – período em que perdeu 30 kg somente com atividades físicas.

Professor Paulo Rodrigues acredita que, depois que começou a pedalar, tudo mudou em sua vida
Arquivo pessoal/ Paulo Rodrigues
Professor Paulo Rodrigues acredita que, depois que começou a pedalar, tudo mudou em sua vida

Apesar de toda a mudança, o professor, agora com 160 kg, continuou se sentindo um intruso em meio a ciclistas em boa forma e não se via com condicionamento físico suficiente para acompanhá-los em seus passeios pelo Rio de Janeiro, onde vive.

Rodrigues, então, se afastou dos grupos tradicionais – mas não desistiu da bike. E, com apoio de muitas pessoas ao seu redor e, principalmente, da mãe, veio a ideia: por que não criar um grupo de ciclismo para gordinhos?

Ciclogordismo

Amigos do professor que também estavam acima do peso começaram a procurá-lo após a mudança de vida. Logo, decidiram se unir. “Pensamos em um grupo em que todos pudessem pedalar e ser aceitos, com passeios leves a moderados, que serviriam para habilitar esses ‘gordinhos’ a ingressar no pedal de outros grupos (fisicamente mais preparados)”, explica Rodrigues.

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“As pessoas acham que ser gordo é falta de vergonha na cara e falam barbaridades quando eu ando de bike. São tantas que prefiro nem contar. Então, o grupo é para isso, para vencer preconceitos, pedalar e ser feliz."

Grupo Fatbike em passeio de bicicleta pelo Rio de Janeiro que teve a presença de Odila, mãe do professor Paulo
Arquivo pessoal/ Paulo Rodrigues
Grupo Fatbike em passeio de bicicleta pelo Rio de Janeiro que teve a presença de Odila, mãe do professor Paulo



Criado há dois meses no Rio de Janeiro, o Fatbike – Ciclogordismo vem aos poucos ganhando adeptos. Por enquanto, o passeio com mais pessoas reuniu dez ciclistas, mas o número tem aumentado a cada novo encontro – sempre divulgados na página do grupo no Facebook.

Empolgado com a adesão dos colegas, Rodrigues se recorda de como tudo começou graças ao presente que ganhou da mãe, mulher que, assim como ele agora, vê o andar de bicicleta como sua maior terapia . “Difícil eu ter uma lembrança da minha mãe sem bike. Ela me levava pra escola na garupa”, conta o professor. "Hoje, meus problemas ficam para trás quando pedalo. Eles ficam bem para trás e não mais me alcaçam."

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