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Motoristas do sexo masculino representam 76,3% das mortes nas vias de São Paulo, enquanto as mulheres são apenas 19%

Em 2015, homens se acidentaram no trânsito mais nas motocicletas (32%) e nos carros (23%)
Mario Ângelo/Sigmapress/Estadão Conteúdo
Em 2015, homens se acidentaram no trânsito mais nas motocicletas (32%) e nos carros (23%)

Seja por fatalidade ou imprudência, estudos apontam que os homens morrem muito mais no trânsito de São Paulo do que as mulheres. A diferença no índice é exorbitante: até março, 76,3% das mortes nas vias eram de pessoas do sexo masculino contra 19% do sexo feminino (4,7% não foram identificados). 

A razão pode parecer óbvia, já que eles representam a maior parte das CNHs emitidas no Estado – 63%, um total de 11.104.496 habilitações. No entanto, especialistas apontam que o comportamento agressivo ao volante e a distração seriam alguns dos motivos que explicam o porquê de os homens serem as principais vítimas no trânsito.

Professora de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e representante do Movimento Paulista de Segurança no Trânsito, a médica Júlia Maria D'Andréa Greve explica que a conduta dos motoristas homens de se arriscarem mais do que as mulheres está diretamente ligada aos acidentes. “Eles normalmente são mais confiantes como condutores e costumam se colocar em situações de risco, principalmente quando são jovens. É um aspecto cultural”, avalia.

Já as mulheres, segundo Júlia, tendem a ser mais cuidadosas e tranquilas na direção, o que explica o número consideravelmente baixo de mortes entre pessoas do sexo feminino.

Em 2015, as mulheres representaram apenas 17% das mortes no trânsito, enquanto os homens, 77% (6% dos casos não foram especificados). A média é bastante similar à de anos anteriores.

“Com a mulher cada vez mais independente, saindo sozinha para se divertir e, às vezes, ingerindo bebida alcoólica, essa tendência pode aumentar um pouco. Mas isso não muda tanto a relação entre o perfil de homens e mulheres e as mortes no trânsito”, afirma a médica. Para ela, uma fiscalização direta sobre os motoristas nas vias seria essencial para evitar que “a atitude agressiva de alguns homens ‘contaminem’ outros condutores do Estado”.

Especialista em Engenharia de Transportes e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Alexandre Rojas compartilha da opinião da médica. "O homem normalmente parece usar o tempo para fazer outras coisas, perdendo o foco naquela atividade que realmente está fazendo", opina ele. "A mulher é mais centrada em suas atividades."

Entre as mulheres, a maioria das mortes no trânsito em 2015 foi de motoristas de carros (35%), seguidas por motocicletas (13%). O restante da parcela de óbitos está dividida entre pedestres (36%), não especificado (13%) e outros – que seriam de condutoras de ônibus, caminhão e bicicleta, por exemplo (3%).

No mesmo período, os homens no trânsito morreram mais guiando motocicletas (32%), seguido dos automóveis (23%), pedestres (21%), outros (13%) e não especificado (11%).

Veja no infográfico abaixo alguns dados sobre mulheres e homens no trânsito:


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