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De acordo com epidemiologista da Fundação Oswaldo Cruz, doenças são reflexo de nossa falta de capacidade de resolver problemas estruturais

Aumento do número de chuvas e volta das temperaturas elevadas favorem o desenvolvimento do Aedes aegypti
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Aumento do número de chuvas e volta das temperaturas elevadas favorem o desenvolvimento do Aedes aegypti

Especialistas afirmam que, com a chegada das chuvas e do verão, novos surtos de dengue, chikungunya e zika não estão descartados. Além disso, outras doenças também podem ser transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti.

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De acordo com o epidemiologista Mauricio Barreto, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz na Bahia, a dengue é desde 2011 um “reflexo de nossa falta de capacidade de resolver problemas estruturais, de saneamento”, além de outros. “Daí se desdobra, dois anos depois, na chikungunya e na zika e pode se desdobrar em outras, porque o Aedes aegypti pode transportar outros vírus.”

Pesquisadores da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, já anunciaram ter encontrado no Haiti um caso inédito de mayaro , doença caracterizada por uma febre hemorrágica similiar à da chikungunya e que também pode ser disseminada pelo inseto.

Verão

Vice-presidente de Pesquisa e Laboratórios de Referência da Fiocruz, Rodrigo Stabeli alerta que os casos das doenças diminuíram nos últimos meses por conta das condições climáticas infavoráveis ao Aedes aegypti, porém, com a chegada das chuvas e a volta de temperaturas mais altas, é possível que ocorra, novamente, uma alta nos registros. A crise da zika em 2015 levou o país a decretar situação de emergência por causa da microcefalia.

Durante o simpósio The Zika menace in Americas: challenges and perspectives, Maurício Barreto cobrou mais recursos internacionais para a pesquisa sobre o zika vírus e flexibilidade de órgãos reguladores para destravar os estudos.

 “Muitos laboratórios precisam importar e exportar material, como amostra. É comum que uma parte das pesquisas seja feita fora do país e o pesquisador precise mandar sua amostra para Alemanha ou trazer material [desse país]. Esse processo de ida e vinda às vezes leva meses e acontece no caminho de o material se deteriorar, não prestar ou estar envelhecido”, criticou.

Pesquisas brasileiras

Rodrigo Stabeli garante, entretanto, que organizações de cientistas brasileiros já conseguiram importantes resultados. “A partir de uma força mútua, com motivação pessoal, conseguiram publicar trabalhos-chave que mostraram as relações da zika congênita não só com a microcefalia, mas com as demais doenças do sistema nervoso central que acometem na gestação e a Guillain-Barré”, citou.

A expectativa para o futuro é de colocar em uso o kit de teste rápido elaborado pela Fiocruz e recentemente aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para identificar a zika de forma mais rápida.

*Com informações da Agência Brasil

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