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Primeiros exames não indicaram irregularidades, mas criança apresentou atraso no desenvolvimento, perda de força e dificuldade de locomoção

Exames feitos no menino apontaram redução de estruturas cerebrais e calcificações, características da microcefalia
Pixabay
Exames feitos no menino apontaram redução de estruturas cerebrais e calcificações, características da microcefalia

Últimos estudos feitos para analisar o efeito do zika vírus em bebês apontam que mesmo aqueles que nascem com perímetro cefálico considerado normal podem ter problemas neurológicos  graves. Nesta quinta-feira (25), um artigo revelou o caso de um bebê que só manifestou sequelas graves provocadas pela infecção seis meses após o nascimento.

De acordo com o estudo feito por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Santa Casa de Misericórdia e publicado no jornal The New England Journal of Medicine, a criança nasceu em janeiro de 2016, em São Paulo, com 32,5 centímetros de perímetro cefálico e sem sinais aparentes de má-formação, mesmo a mãe tendo sido infectada pela zika durante a gravidez.

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Exames de imagem feitos no menino, no entanto, apontaram redução de estruturas cerebrais e calcificações, características da microcefalia. Os primeiros testes, feitos aos dois meses de vida, não apontaram nenhuma irregularidade, mas quatro meses depois as sequelas passaram a dar sinais. A criança foi diagnosticada com atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, perda de força muscular e dificuldade de locomoção. O vírus permaneceu no organismo do bebê por mais de dois meses após o nascimento, segundo exames.

Outros problemas

Pesquisa realizada em uma parceria entre o Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino, a Universidade Federal do Rio de Janeiro, o Instituto de Pesquisa Professor Amorim Neto, a Universidade de Tel Aviv e o Hospital Infantil de Boston analisou recém-nascidos, fetos e mulheres grávidas infectados pelo vírus.

De acordo com o artigo, os crânios das crianças frequentemente tinham aparência "desmoronada", "com suturas sobrepostas e dobras redundantes na pele" .

A pesquisadora Deborah Levine, uma das autoras do estudo, afirma que o primeiro trimestre de gestação é quando a infecção parece mais arriscada.  “Do ponto de vista das imagens, as anomalias no cérebro são muito severas em comparação a outras más-formações congênitas."

Ao contrário do que se observa em outras infecções como toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus e herpes, os cérebros dos fetos e bebês infectados pela zika apresentaram más-formações corticais e modificações localizadas na junção da massa branca e da massa cinzenta do cérebro. Também foi identificada redução do volume cerebral, anomalias no desenvolvimento cerebral e ventriculomegalia, um problema caracterizado quando as cavidades do cérebro, preenchidas por fluidos, são maiores que o normal.

*Com informações do Estadão Conteúdo

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