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Estudo acompanhou recém nascidos, fetos e mulheres grávidas com zika e identificou severidade das alterações neurológicas causadas pela infecção

Cientistas usaram exames de ultrassom, tomografia computadorizada e ressonância magnética  para estudarem a zika
Pixabay
Cientistas usaram exames de ultrassom, tomografia computadorizada e ressonância magnética para estudarem a zika

Uma das maiores preocupações das autoridades em relação à zika é a microcefalia, que pode ser causada em fetos quando uma mulher grávida contrai o vírus . Porém este é apenas um problema entre várias alterações cerebrais provocadas pela infecção congênita.

O estudo foi "essencial para identificar a severidade das alterações neurológicas induzidas pela infecção viral no sistema nervoso central em desenvolvimento", afirma a autora principal do artigo, Fernanda Tovar-Moll. "Nós estamos desenvolvendo um estudo de seguimento para investigar como a infecção congênita pelo vírus da zika pode interferir não apenas no período pré-natal, mas também na maturação pós-natal do cérebro. A microcefalia é apenas a ponta do iceberg."

Fernanda é pesquisadora do Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino (Idor), com sede no Rio de Janeiro, e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Junto com cientistas, de uma equipe formada também por profissionais do Instituto de Pesquisa Professor Amorim Neto (Ipesq), acompanhou 45 bebês nascidos no Brasil infectados com zika para coletar imagens dos danos causados pelo vírus além da microcefalia.

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Segundo o artigo publicado na revista científica Radiology, os crânios das crianças frequentemente tinham aparência "desmoronada", "com suturas sobrepostas e dobras redundantes na pele". Além dos recém-nascidos, também foram avaliados fetos e mulheres grávidas com o vírus por meio de tomografia computadorizada, ressonância magnética e ultrassom.

A pesquisa foi feita em parceria com a Universidade de Tel Aviv (Israel) e do Hospital Infantil de Boston (Estados Unidos).

Problemas

A pesquisadora Deborah Levine, uma das autoras do estudo, afirma que o primeiro trimestre de gestação é quando a infecção parece mais arriscada.  “Do ponto de vista das imagens, as anomalias no cérebro são muito severas em comparação a outras más-formações congênitas."

Ao contrário do que se observa em outras infecções como toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus e herpes, os cérebros dos fetos e bebês infectados pela zika apresentaram más-formações corticais e modificações localizadas na junção da massa branca e da massa cinzenta do cérebro. Também foi identificada redução do volume cerebral, anomalias no desenvolvimento cerebral e ventriculomegalia, um problema caracterizado quando as cavidades do cérebro, preenchidas por fluidos, são maiores que o normal.

Alguns dos bebês com ventriculomegalia severa tinham tamanho de circunferência da cabeça considerado normal . Os resultados indicaram também anomalias no corpus callosum, um feixe de fibras nervosas que permite a comunicação entre os hemisférios direito e esquerdo do cérebro, fazendo com que os neurônios não se movessem para a destinação correta no cérebro em formação.

O estudo que investiga a zika além da microcefalia vai continuar para que os especialistas possam correlacionar as modificações morfológicas observadas no estudo aos dados clínicos e imunológicos e às informações sobre o ambiente onde as mães foram infectadas.

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