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São Paulo registrou 104 novos casos e Rio de Janeiro, 46; os dois são os Estados com maior número de notificações

Região Nordeste ainda concentra cerca de 75% de bebês diagnosticados com microcefalia
DIEGO NIGRO/JC IMAGEM/ESTADÃO CONTEÚDO
Região Nordeste ainda concentra cerca de 75% de bebês diagnosticados com microcefalia

O diretor do Departamento de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde, Eduardo Hage Carmo, disse nesta segunda-feira (20) que, nas últimas cinco semanas, há indicativo de que o problema da microcefalia está se agravando na Região Sudeste, que não só acompanhou o crescimento de casos suspeitos em relação à Região Nordeste, mas a ultrapassou por uma pequena margem: 172 contra 171 bebês que podem ter microcefalia.

No acumulado de casos, o Nordeste ainda concentra cerca de 75% de bebês com o perímetro da cabeça menor que o estabelecido para a notificação de casos, que atualmente é de 32 cm. 

Eduardo Hage Carmo deu a informação no Seminário Estadual de Vigilância e Resposta às Arboviroses e suas Complicações, iniciado esta segunda, no Recife. De acordo com o diretor, na Região Nordeste tem havido desaleceração do registro de novos casos desde o fim do ano passado, enquanto no Sudeste, sobretudo em São Paulo e no Rio de Janeiro, o movimento é contrário.

Os dois são os Estados com maior crescimento de registros suspeitos de microcefalia. Nas últimas cinco semanas a variação foi de 46 (RJ) e 104 (SP) novos bebês notificados, enquanto no Espírito Santo e em Minas Gerais o total foi de 11 registros cada. O caso de São Paulo – o mais populoso do Brasil – ultrapassa qualquer estado do Nordeste. A maior variação é de Pernambuco, com 52 novas suspeitas – metade do observado no estado paulista.

O diretor Eduardo Hage analisa os números recentes: “Provavelmente, os casos estão relacionados ao pico de ocorrência de infeção por zika, que na região Sudeste se dá depois da região Nordeste. Enquanto na região Nordeste há um pico no primeiro semestre, até meados de junho/julho de 2015, na região Sudeste esse pico se dá entre novembro, dezembro, janeiro e fevereiro de 2016. Há um período entre a ocorrência da infecção por zika e a notificação da microcefalia, que é a gestação”, explica. Segundo ele, a tendência é que haja uma curva ascendente dos casos na região.

O último boletim divulgado pelo Ministério da Saúde informa que, em 2016, foram 54.803 casos de Zika no Sudeste, contra 51.065 na Região Nordeste.