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Sindicato defendeu uso de "fumacê aéreo", mas proposta discutida no Senado não foi aceita pelo Ministério da Saúde

Senadores discutiram a utlização de aviões agrícolas no combate ao mosquito Aedes aegypti
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Senadores discutiram a utlização de aviões agrícolas no combate ao mosquito Aedes aegypti

O combate ao mosquito Aedes aegypti , causador da dengue, zika e chikungunya, pode ter a aviação agrícola como aliada. Em audiência nesta quinta-feira (9) no Senado, representantes do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola defenderam a aplicação aérea de inseticidas como uma das alternativas para tentar evitar uma nova epidemia de dengue. Mas a proposta de fazer o "fumacê aéreo" nas cidades encontra resistência dentro do Ministério da Saúde.

Entre as vantagens do método, estão a velocidade do tratamento (mais de 400 hectares por hora), o efeito de choque sobre o mosquito adulto, o alcance em áreas que o "carro fumacê” não consegue atingir, uniformidade de deposição e o custo reduzido, de acordo com Júlio Augusto Kampf, vice-presidente do Sindag.

A proposta das empresas de aviação agrícola é escolher uma área piloto em uma região de epidemia da doença e, ali, utilizar um avião para aplicar o mesmo inseticida atualmente utilizado apenas por terra. A intenção é chegar a um protocolo de operações que garanta a segurança da população.

"Se estamos em guerra [contra o mosquito], vamos utilizar todas as ferramentas para diminuir a epidemia", disse Kampf.

O engenheiro agrônomo José Carlos Christofoletti registrou que o uso de aviões para combate a mosquitos é comum nos Estados Unidos e em diversos países da América Latina. No Brasil, a técnica também foi utilizada em 1975, quando  aviões agrícolas foram responsáveis pela eliminação dos focos de mosquitos Culex na região da Baixada Santista, em São Paulo.

A experiência de pulverização aérea realizada em 1975 não pode, no entanto, servir de parâmetro para determinar a segurança e a eficácia dessa prática de acordo com o Ministério da Saúde. A densidade demográfica e a organização das cidades eram diferentes segundo os argumentos. Além disso, o Aedes aegypti e o Culex têm características diversas, o que poria em xeque o efeito do método.

A coordenadora-geral dos Programas Nacionais de Controle da Dengue e da Malária da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (MS), Ana Carolina Santelli, teme que a pulverização aérea de inseticidas para o controle de vetores cause doenças nos seres humanos. Ela defendeu o aprofundamento dos estudos antes que seja autorizada a realização de um projeto-piloto:

"Na implantação de uma estratégia em saúde pública temos um rito a seguir. O primeiro rito a seguir é ver se funciona. O segundo é ver se é seguro", disse a representante do Ministério da Saúde.

“Se o Ministério da Saúde se baseia em eficácia, segurança e novas tecnologias, a pesquisa com a aviação agrícola deve ser considerada”, disse o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) durante a reunião presidida pela senadora Ana Amélia (PP-RS). Para o senador, o  uso de aviação agrícola no combate ao mosquito da dengue e zika é uma medida necessária.

"As empresas de aviação agrícola colocam avião à disposição, piloto à disposição e a única coisa que se pede do Ministério da Saúde é controle se está sendo feito corretamente.  Por que não fazer isso no Nordeste onde temos três mil casos de microcefacelia?", questionou o senador.

Ao defender o início imediato do projeto-piloto, Waldemir Moka (PMDB-MS) ponderou que o governo não pode esperar o começo de uma nova epidemia para agir. "O Ministério da Saúde tem que dar uma abertura para isso. O correto seria que lugares que têm infestação grande sejam consultados para fazer o projeto-piloto. Ninguém está defendendo fazer isso massivamente", observou.

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