Tamanho do texto

Última fase tem início no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP; pesquisa envolverá 17 mil participantes

O governo de São Paulo realizou o teste final da primeira vacina brasileira contra a dengue. O início da terceira fase de estudos clínicos foi acompanhado nessa segunda-feira (22) pelo governador Geraldo Alckmin.

Os estudos estão sendo conduzidos pelo Instituto Butantan, um dos maiores centros de pesquisas biomédicas do mundo, ligado à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo.

Alckmin acompanhou a última fase de testes clínicos da primeira vacina brasileira contra a dengue
A2img / Eduardo Saraiva
Alckmin acompanhou a última fase de testes clínicos da primeira vacina brasileira contra a dengue

"Hoje é um dia de grande esperança para o mundo, que a gente possa desenvolver uma vacina que consiga segurar uma das doenças de grande risco epidêmico, especificamente nos países tropicais e subtropicais", enfatizou o governador. "Estamos frente a um importante momento da ciência, onde o Brasil está na vanguarda em uma questão que envolve grande parte do planeta", completou Alckmin.

Durante o evento, o governador anunciou a liberação, por parte daFundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, de R$ 100 milhões para os estudos de toda a parte da vacina e de pesquisa aplicada relacionadas às arboviroses. Na ocasião, a presidente Dilma Rousseff formalizou o repasse de R$ 100 milhões para os testes da fase 3.

Os estudos vão começar com 1,2 mil voluntários recrutados pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e um dos 14 centros credenciados pelo Butantan para a realização dos testes, que envolverão 17 mil participantes em todo o Brasil.

Os voluntários do HC entraram em contato diretamente com o hospital ou deixaram seus dados no Serviço de Atendimento ao Cidadão do Butantan, autorizando que eles fossem repassados ao centro de pesquisas do complexo hospitalar. Eles têm entre 2 e 59 anos de idade e residem em diferentes localidades da capital e da região metropolitana de SP.

Neste primeiro dia, 10 pessoas foram vacinadas. Na capital paulista, o cadastro de interessados em participar do estudo passa de dois mil.

Voluntários

Podem ser voluntários do estudo pessoas que estejam saudáveis, que já tiveram ou não dengue em algum momento da vida e que se enquadrem em três faixas-etárias: 2 a 6 anos, 7 a 17 anos e 18 a 59 anos. Interessados também podem procurar o SAC do Butantan pelo e-mail sac@butantan.gov.br.

Os participantes serão acompanhados por um período de cinco anos para verificar a duração da proteção oferecida pela vacina. O acompanhamento será feito por meio de visitas programadas para coleta de amostras, além de contatos telefônicos e mensagens por celular.

Presidente Dilma Rousseff também esteve presente na lançamento da última fase de testes
A2img / Eduardo Saraiva
Presidente Dilma Rousseff também esteve presente na lançamento da última fase de testes

A vacina do Butantan, desenvolvida em parceria com o National Institutes of Health (EUA), tem potencial para proteger contra os quatro vírus da dengue com uma única dose e é produzida com os vírus vivos, mas geneticamente atenuados, isto é, enfraquecidos. Com os vírus vivos, a resposta imunológica tende a ser mais forte, mas como estão enfraquecidos, eles não têm potencial para provocar a doença.

Além do HC, a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, na capital paulista, também foi credenciada pelo Butantan para a realização dos testes da fase 3. Nos outros 12 centros, o cronograma de vacinação deverá ser divulgado em breve.

"Todos os estudos até aqui apontam que a vacina é segura e que ela estimula o organismo a produzir anticorpos de maneira equilibrada contra os quatro vírus da dengue. Os brasileiros estão sensibilizados quanto ao tema e acreditamos que isso fará com que os ensaios clínicos tenham boa adesão", explica o diretor do Instituto Butantan, Jorge Kalil.

"A dengue é uma doença endêmica no Brasil e em mais de 100 países. A vacina brasileira produzida pelo Butantan, um centro estadual de excelência reconhecido internacionalmente, será certamente uma importante arma de prevenção para que o País possa delinear estratégias de imunização em massa, protegendo nossa população contra a doença e suas complicações", afirma o secretário de Estado da Saúde, David Uip.

Ao todo, a vacina já foi testada em 900 pessoas: 600 na primeira fase de testes clínicos, realizada nos EUA pelo NIH, e 300 na segunda etapa, realizada na cidade de São Paulo pela Faculdade de Medicina da USP, parceira do Butantan. Os dados disponíveis até agora, das duas primeiras fases, indicam que a vacina é segura, induz o organismo a produzir anticorpos de maneira equilibrada contra os quatro vírus da dengue e é potencialmente eficaz.

Saiba como evitar que o mosquito da dengue nasça:


    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.