Era Lula e novos desafios

enhanced by Google
 

Na economia, o desafio é manter crescimento

Superar falhas na infraestrutura, qualificar mão de obra e atrair dinheiro externo são tarefas do novo governo

Rodrigo de Almeida, especial para o iG | 02/12/2010 06:00

Compartilhar:

Terreno habitual para divergências, as previsões para o desempenho da economia brasileira têm revelado um raro consenso: embora não haja nada parecido com recessão no horizonte, dificilmente o ciclo de 2011 a 2014 repetirá os bons ventos enfrentados entre 2003 e 2008. O otimismo comedido vem mesmo de economistas alinhados ao Palácio do Planalto, como o ex-ministro Delfim Netto, para quem a presidente eleita Dilma Rousseff não vai navegar em mar tranquilo, como navegou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A bonança da economia global ficou para trás. As condições externas serão mais difíceis e provavelmente o mundo não verá mais oito anos de crescimento contínuo e acentuado nos preços das matérias-primas – até mesmo se a China continuar crescendo quase a 10% ao ano.

O governo projeta expansão de 5,5% como previsão de crescimento para 2011. Analistas citam índices menores, entre 4% e 4,5%. São cifras protocolares. No fundo, ninguém consegue estimar a variação do Produto Interno Bruto (PIB) com tanta antecedência.

É possível identificar, no entanto, indicadores que sugerem os limites de um crescimento ancorado no consumo, sem desempenho igualmente exuberante dos investimentos público e privado necessários para expandir a produção.

Se a economia brasileira vive seu período de maior prosperidade desde os anos 1970, a taxa de investimento está entre as menores do planeta.

A ampliação do investimento público em infraestrutura física e humana, o aperfeiçoamento do mercado de capitais para desenvolver financiamento de longo prazo e o aumento da taxa de investimento para 25% do PIB – hoje na casa dos 20% – estão entre as recomendações para o próximo governo fazer o dever de casa em prol da manutenção do crescimento econômico do País.

Será um governo sobre o qual haverá uma grande pressão para criar meios de o País garantir competitividade – às empresas e à população economicamente ativa. Reduzir o peso dos impostos, modernizar a infraestrutura e superar gargalos de logística são fatores essenciais para a competitividade brasileira.

Desafios na infraestrutura

A recente queda no saldo da balança comercial aponta um velho desafio: o Brasil não conseguiu retirar as travas que sufocam o crescimento das exportações. De Norte a Sul, exportadores enfrentam estradas esburacadas e mal sinalizadas, malha ferroviária insuficiente e dias nas filas para embarcar suas mercadorias nos portos. Ainda há a burocracia, sempre reclamada pelos empresários, que emperra as operações, falta de consolidação fiscal e acúmulo de impostos.

Uma das ferramentas criadas pelo governo Lula para atacar o problema foi o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), cujo orçamento para 2011 soma R$ 46,5 bilhões. Mas as ações ainda exibem resultados modestos e, em algumas obras, o ritmo é lento. O próprio governo admite que um dos principais desafios de longo prazo do País é aumentar a produtividade da economia.

Mesmo se toda a logística tivesse um nível de eficiência internacional, restaria um desafio igualmente complexo: a falta de mão de obra melhor qualificada. A carência começa na base, com a baixa escolaridade do brasileiro, estacionada nos sete anos. No nível médio, a capilaridade de escolas técnicas está longe do desejado. Não dá para crescer sem projetistas, eletricistas, mecânicos e outros técnicos. E, permeando todos os níveis, há a baixa qualidade do ensino público. Esse cenário faz com que o Brasil perca competitividade e responda por apenas 1% de todo o comércio mundial, segundo dados da Organização Mundial do Comércio. 

*Colaborou Leda Rosa

    Notícias Relacionadas


    Ver de novo