Weslian diz que desconhecia vídeo de Roriz com genro de ministro

Ao iG, ela afirma que não assistiu julgamento que liberou sua candidatura. “Fiquei distraída conversando com a família”, conta

Fred Raposo, iG Brasília | 02/10/2010 15:59

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“Mudou o tempo, não é?”, pergunta uma agasalhada Weslian Roriz. Trajando moletom cinza sobre uma camiseta, e calças da mesma cor para se proteger do frio que chegou em Brasília este sábado, a candidata do PSC recebeu o iG na varanda de sua casa no, Park Way, para uma conversa rápida.

Horas antes, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-DF) havia liberado sua candidatura ao governo do Distrito Federal, que vinha sendo questionada pelo Ministério Público. Ela conta que nem ela nem o marido, o ex-governador Joaquim Roriz, assistiram o julgamento. “Fiquei distraída conversando com minhas filhas. É como se nada estivesse acontecendo”, diz.

Aliada nacional do candidato do PSDB à Presidência, José Serra, Weslian elogiou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva – que faz campanha para a principal rival do tucano, a petista Dilma Rousseff. “O Lula foi um bom presidente da República”, afirma, para completar em seguida que, assim como o petista, pretende ser assessorada por “técnicos”.

A candidata negou ainda ter conhecimento do vídeo, divulgado em primeira mão pelo iG, que mostra uma negociação entre Roriz e o genro do ministro Ayres Britto, Adriano Borges, para que o defendesse no julgamento da Lei da Ficha Limpa.

Se Borges aceitasse o caso, Britto, que votou pela validade da lei nestas eleições, seria impedido de participar do julgamento. “Não tinha conhecimento. Isso não foi feito na nossa presença”, explica ela.

iG: A senhora assistiu de casa o julgamento do TRE-DF?

WESLIAN RORIZ: Não assisti.

iG: Por que não?

WR: Naquela hora eu estava conversando com as minhas filhas. Fiquei distraída conversando, como se nada estivesse acontecendo.

iG: Não teve curiosidade de acompanhar o julgamento? Estava nervosa?

WR: Não me preocupei. Confiava nos advogados e Naquele maior lá de cima, que é Deus.

iG: O seu marido acompanhou o julgamento?

WR: Também não. Toda a família estava sentada no sofá, conversando.

iG: Como ficou sabendo do resultado?

WR: Quando o Fona (Paulo Fona, coordenador da campanha de Weslian) telefonou para o meu marido. Foi justo. Acho que a consciência do tribunal foi firme, pois sabia porque estavam fazendo isso. Sou uma pessoa muito sensata e acreditei muito.

iG: A senhora tem só hoje para fazer campanha como candidata. Qual será sua estratégia?

WR: Olha, nós já percorremos quase todas as cidades. Devido à chuva, talvez dê uma passadinha no Cruzeiro, na Estrutural, até chegar ao Guará. Depende do tempo.

iG: Pesquisas mostram que Agnelo subiu na intenções de voto com a troca da candidatura. Como avalia suas chances?

WR: Isso depende muito agora, porque estava na incerteza do julgamento. Com o julgamento, definiu (minha candidatura). Tenho certeza que amanhã vai ser um resultado bem melhor.

iG: Dá tempo de virar o resultado?

WR: Aí só Deus sabe. Mas vou trabalhar com afinco.

iG: A senhora deixou claro que, caso seja eleita, o seu marido participará do governo. Já pensa em algum cargo para ele?

WR: Não. Ele vai ser um auxiliar. Mas quem vai mandar, definir e escolher os meus auxiliares sou eu. Acho que ele é um bom conselheiro, uma pessoa experiente. De tanto tempo de governo, 14 anos, se não aprendi alguma coisa com ele..

iG: Como reage às críticas que dizem que a senhora tem pouca experiência administrativa?

WR: O Lula foi um bom presidente da República. Se não fossem os ministros dele, ele não tinha feito (um bom governo). Pretendo ser assessorada por técnicos, os melhores de Brasília.

iG: Esta semana o iG divulgou um vídeo mostrando uma negociação entre o seu marido e o genro do ministro Ayres Britto, o que impediria de julgar a Lei da Ficha Limpa. Tinha conhecimento do vídeo?

WR: Olha, vou dizer para você, a gente nem tinha conhecimento disso. Isso não foi feito na nossa presença. Então eu acredito que não tenho o que falar.

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