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Professor integrante do grupo que formulou proposta em discussão afirmou que mudanças deixariam vagas desocupadas

As alterações que o Conselho de Graduação estuda para a o vestibular da Universidade de São Paulo (USP) causariam sobra de vagas na instituição. A constatação é do professor Mauro Bertotti, integrante do grupo de trabalho que propôs e defende as mudanças. “Este ano já sobraram vagas. Se for aprovado (o projeto), vai sobrar mais ainda.”

Nesta quinta-feira, pela segunda vez, a pró-reitora de Graduação, Telma Zorn, adiou a decisão do conselho sobre as mudanças. No mês passado, na primeira reunião sobre o assunto foi aprovado apenas o ponto que alterava o programa de Inclusão da USP (Inclusp), aumentando a possibilidade de bônus na nota para estudantes de escola pública de 12% para 15%. 

Mudanças em pauta Como é Como ficaria
Nota de corte mínima para passar a 2ª fase 22 de 90 questões 27 de 90 questões
Definição da nota de corte das carreiras acima do mínimo Estabelecido de forma que sejam aprovados 3 por vaga para a 2ª fase

Seria estabelecido um número entre 2 e 3 por vaga conforme as notas

Mobilidade dos candidados entre as carreiras Só concorre a vaga no curso em que se inscreveu Se não aprovado na área, poderia usar a nota para outras após a 3ª chamada
Notas da 1ª fase Só contam para ir à 2ª fase Seriam somadas com as da 2ª para o resultado final
Prova do 2º dia da 2ª fase 20 questões dissertativas 16 questões dissertativas

"Podem sobrar vagas, mas vai estar garantida a qualidade", disse o Bertotti. No final do ano passado, em entrevista ao iG , o reitor João Grandino Rodas, já havia declarado que " a USP não podia se abrir rápido demais e perder a excelência" .

Para tentar convencer os membros contrários ao aumento da seletividade, foi apresentado um estudo mostrando o impacto que as mudanças teriam se estivessem valendo nos vestibulares dos últimos dois anos ao lado das mudanças no Inclusp. Em 2010, seria aprovado um aluno a mais de escola pública do que ocorreu no sistema vigente e em 2011 seriam 11 a mais. 

Segundo uma representante dos alunos, o adiamento da decisão foi feito quando estava claro que as propostas de aumentar a dificuldade de ingresso não seriam aprovadas.  Telma afirma que pediu mais tempo para que a apresentação feita oralmente pelo professor Bertorri seja enviada em vídeo para as unidades. “Nós mandamos os dados por escrito, mas falado é outra coisa. A explicação que ele deu aqui é mais clara”, disse ela, reafirmando que é a favor das mudanças.

Para Telma, a alteração que permite a escolha de outro curso para os alunos que fizeram boa pontuação, mas não foram aprovados para a carreira em que se inscreveram é suficiente para preencher as vagas que sobrariam com o aumento da nota de corte. Ela admite, no entanto, que a maioria das medidas tem o objetivo de aumentar a seleção dos ingressantes. “Isso aponta na direção de aumentar a qualidade dos alunos. Nós professores temos que nos manter bem formados, mas a massa da universidade é formada por todos e temos de aprovar os melhores para a nossa universidade.”

Licenciaturas seriam prejudicadas

A maior parte dos cursos que atualmente tem nota de corte abaixo de 27 são licenciaturas. Exigir essa nota mínima para passar a segunda fase diminuiria o número de aprovados nestes cursos e aumentaria o risco de turmas esvaziadas. "Temos de pensar uma solução para estes casos, mas não podemos deixar de solucionar o problema de qualidade que é da USP toda", afirmou Telma.

Votação será no dia 19

Com o adiamento, a votação das propostas ficou remarcada para a reunião mensal do Conselho de Graduação de maio, que ocorrerá no dia 19. Essa é a última chance de aprovar mudanças ainda para o vestibular 2012, pois a Fuvest já divulgou o calendário de provas e começa a trabalhar no manual do candidato nas próximas semanas.

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