Secretária do MEC critica suspensão de kit contra homofobia

Responsável por Educação Básica fala em “reação conservadora” do legislativo. Dilma mandou parar produção de material

iG São Paulo | 25/05/2011 23:08

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A suspensão de todas as produções de combate à homofobia que estavam sendo editadas a pedido do Ministério da Educação despertou reações contrárias dentro da pasta. No Twitter, a secretária de educação básica, Maria do Pilar Lacerda, criticou a decisão. Na tarde desta quarta-feira, o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência da República, anunciou que a presidenta Dilma Rousseff assistiu aos vídeos do chamado kit anti-homofobia e não gostou do tom das produções.

Por volta das 15h desta quarta-feira, a secretária de Pilar Lacerda escreveu "Tempo das trevas!", ao comentar um post que dizia: “Governo recua do kit anti-homofobia para poupar (Antonio) Palocci. Enquanto o patrimônio dele sobe, o do PT cai”.

Cerca de uma hora depois, Pilar afirmou que se referia “a reação conservadora de setores do legislativo” e não à Dilma. “Não teve veto da presidenta ao Kit porque sequer está divulgado”, escreveu.

No ano passado, o iG divulgou com exclusividade o conteúdo do kit, ao qual teve acesso por meio da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad) do MEC. O material do kit ainda não havia sido oficializado, nem finalizado pelo governo. Entretanto, vídeos vazaram pela internet e provocaram polêmica.

Apesar das críticas, os kits ganharam apoio da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e a Cultura (Unesco) que lançou seu parecer favorável ao material. Na avaliação da Unesco, o material iria contribuir para a redução do estigma e da discriminação. O material deveria ser distribuído a 6 mil escolas de ensino médio.

Pressão religiosa

Nesta quarta-feira, o deputado carioca Garotinho admitiu que, para convencer o governo a suspender a produção do material, a bancada evangélica da Câmara ameaçou não colaborar com os projetos do Executivo. O Planalto, no entanto, nega ter usado o kit como moeda de troca para proteger Palocci.

O governo admite que a suspensão do material foi provocada pela pressão da bancada religiosa. "Na verdade o governo recebeu hoje a bancada evangélica e católica que vieram contestar os materiais atribuídos aos ministérios da Educação, da Cultura e da Saúde. O governo informou aos deputados que estão suspensas todas as produções de materiais que falem dessas questões, sobretudo dessa questão comportamental", informou Gilberto Carvalho.

"A posição do governo é clara. Estão suspensas a edição e a distribuição desse material. E qualquer material daqui para frente passará por um crivo de um debate mais amplo da sociedade", enfatizou o ministro.

Ministro

Em viagem ao Ceará, o ministro de Educação, Fernando Haddad, afirmou que o assunto está encerrado e não vai mais falar no kit. Na semana passada, Haddad negou que o ministério tivesse decidido alterar o conteúdo do kit de combate à homofobia em entrevista ao programa de rádio "Bom Dia, Ministro". “O material encomendado pelo MEC visa a combater a violência contra homossexuais nas escolas públicas do País. A violência contra esse público é muito grande e a educação é um direito de todos os brasileiros, independentemente de cor, crença religiosa ou orientação sexual. Os estabelecimentos públicos têm que estar preparados para receber essas pessoas e apoiá-las no seu desenvolvimento”, defendeu à época.

* Com informações da Agência Brasil

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