Metade das vagas no ensino superior não foi ocupada em 2009

Das 3 milhões oferecidas, 52% ficaram vazias. Censo da Educação Superior mostra que situação é mais grave na rede privada

Priscilla Borges, iG Brasília | 13/01/2011 12:11

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O último levantamento realizado pelo Ministério da Educação mostra que o crescimento do número de universitários no Brasil é tímido. Os dados mostram que, em 2009, a quantidade de estudantes matriculados no ensino superior foi 2,5% maior do que em 2008. Segundo o ministro da Educação, Fernando Haddad, o aumento real é maior. Ele explica que, em 2008, após a divulgação do Censo da Educação Superior, o MEC identificou uma irregularidade que havia superdimensionado o crescimento daquele ano. Uma única instituição havia registrado 200 mil vagas a mais de um ano para o outro.

A Fundação Universidade Estadual do Tocantins (Unitins), instituição estadual, passou a oferecer essas vagas na modalidade a distâcia de forma irregular. Por conta disso, a pasta iniciou um processo de supervisão, que levou ao desscredenciamento de cursos da universidade e a redução da oferta de 140 mil dessas 200 mil vagas abertas em 2008. Outras instituições teriam absorvido essas vagas em 2009 a taxa de crescimento entre 2008 e 2009 seria de 6%. Agora, o País está próximo de alcançar 6 milhões de alunos em universidades, centros universitários e faculdades.

"Nós corrigimos uma irregularidade. Esse 'efeito Unitins' não aparece na divulgação e faz parecer que o crescimento de matrículas no ensino superior foi modesto. Mas não foi. De fato, em dois anos, tivemos um aumento linear, que soma 13,4% em dois anos", disse.

O Censo da Educação Superior mostra, no entanto, que a razão para o aumento modesto não é falta de vagas. Pouco mais da metade das vagas oferecidas por instituições públicas e privadas em 2009 continuaram vazias após as diversas seleções de candidatos. As duas redes abriram 3.164.679 vagas naquele ano. Do total, 1.653.291 (52,2%) não foram preenchidas. A rede privada amarga o maior prejuízo: 1.613.740 vagas ociosas. Elas representam quase 60% das 2,7 milhões colocadas à disposição nos vestibulares. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira pelo Ministério da Educação.

O cenário não é novo para as instituições. No entanto, a ociosidade da estrutura das universidades, faculdades e centros universitários brasileiros teve um leve aumento – de 2,6 pontos percentuais – em relação a 2008. Em números absolutos, a quantidade de vagas ociosas nas instituições de ensino superior do País não para de crescer. Ela aumenta mais do que as opções oferecidas aos candidatos.

De 2008 para 2009, as vagas oferecidas pelas instituições brasileiras aumentaram em 5,7%, passando de 2,9 milhões para 3,1 milhões. A ociosidade cresceu 10,5% em 2009 quando comparada a 2008. De 1,4 milhão de vagas sem ocupação, a educação superior tem hoje 1,6 milhão. Em 2009, as instituições receberam 1,5 milhão de calouros, sendo que 350 mil foram para as públicas e 1,1 milhão para as particulares.

Para Haddad, esse é um dado que mostra, de fato, a realidade do ensino superior. Ele explica que algumas instituições privadas colocam à disposição, muitas vezes, mais vagas do que realmente podem e pretendem oferecer, inflando a quantidade de vagas. "Esse é um dado que distorce a realidade. Por isso, deixamos de calculá-lo e observá-lo", afirmou.

Desocupação também nas públicas

Apesar da situação pior da rede privada de ensino, as universidades públicas – tão disputadas em seus vestibulares – também possuem cadeiras vazias nas salas de aulas. Apesar dos 2,5 milhões de candidatos inscritos nos processos seletivos das 245 instituições gratuitas do País, 39.551 das 393.882 vagas oferecidas por elas ficaram desocupadas.

As universidades municipais são as mais prejudicadas. Quase a metade (48,7%) das vagas abertas por elas em 2009 ficaram livres. Foram quase 57 mil disponíveis. A concorrência nessas instituições foi, em média, de 1,57 candidato por vaga. As estaduais foram as mais disputadas – nove candidatos por vaga – mas, ainda assim, ficaram com uma taxa de ociosidade de 7,9% nas turmas iniciais dos cursos, que abriram 127 mil novas vagas. As federais são as mais bem sucedidas entre os calouros: em 2009, não ocuparam apenas 0,9% das 210 mil vagas abertas.

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    18 Comentários |

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    • avimar de freitas | 13/01/2011 21:18

      Qual o motivo de tantas vagas no ensino superior ? Qual o fenomeno que gerou o fato ?

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    • TOMAZ MARCIANO | 13/01/2011 21:14

      Como educador observamos que o poder executivo das tres esferas e a Elite brasileira, preocupam-se apenas em formar alunos no ensino fundamental,médio e técnicos com objetivo principalmente de obter mão de obras baratas. Outrossim salientamos que o índice
      de pobreza no Brasil continua com indice decrescente. Faz-se necessário que os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e a toda sociedade brasileira invistam com maior intensidade de recursos educacional em todos os níveis e fiscalizem os recursos disponíveis, pois existem Prefeitos que recebem livros didáticos do MEC e acumulam numa sala fechada, dizendo que estes livros não são bons; compram livros do positivo e outras fornecedores.Acabam seu mandato saem numa boa sem qualquer punição severa. Entendo
      que se faz necessário que em cada município brasileiro tenha um "Conselho Fiscalizador Eficiente Secreto" (CONFIES) para punir estes corruptos e que não tenha nenhum vínculo Partidário. Isto tinha que ser para ontem.

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    • Ana Rita | 13/01/2011 20:54

      O fato verificado deveria ser pensado. Os jovens estão tendo que trabalhar e não conseguem estudar. A escolas não tem conseguido atrair, seria a pouca valorizaçao da educaçao pela sociedade ou governantes. Os metodos de ensino podem estar defasados em relaçao a realidade do mundo atual? Parece que pensar é muito necessário, como tambem experimentar novas formas de repassar e desenvolver conhecimentos. Certamente há pessoas com idéias para serem ouvidas e que talvez estejam sendo deixadas de lado.

      O que me parece é que não há uma vontade autentica de promover as mudanças necessárias, apenas se fala que é necessario mudanças, e fica tudo do mesmo jeito. Parece que este tempo de adiamentos está se esgotando, com o risco de um grande colapso em nossa educação.

      Ana Rita

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    • Paulo César | 13/01/2011 20:51

      A expansão das "faculdades particulares" com cursos que não geram interesse redundam em vagas ociosas. Veja que nem o Prouni conseguiu preencher certa espécie de instituições...

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    • Hadevigues | 13/01/2011 20:20

      O pior é saber que mais da metade dessas vagas cursadas são de baixa qualidade, fabricadas só para enriquecer donos de faculdades, mercadores do abjeto, pois é, no mínimo, o adjetivo que qualifica quem trata a Educação alheia sem o devido respeito e/ou profissionalismo.
      Por que está assim?
      Basta procurar no Legislativo o número de donos de “barracas” de ensino para encontrar parte da resposta.
      Há algum tempo estava lendo sobre a principais universidades dos EEUU e vi que a maior parte vem de fundações feitas por alguns milionários/ bilionários filantropos. Na China de hoje, comunista, já existe um numero razoável de universidades de altíssima qualidade patrocinada pelos novos bilionários, conscientes que são da necessidade de mão de obra qualificada.
      Qual é a grande universidade brasileira com um perfil parecido; as que conheço são as PUCs, Mackenzie, ????

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    • DANIEL GOMES | 13/01/2011 20:10

      SALÁRIO BAIXO,FACULDADE ALTA NINGUÉM AGUENTA.

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    • alexandre/sp | 13/01/2011 20:10

      Qualidade e Preço,são os principais motivos para abandono e dessistência de um curso superior. As estaduais e federais tem menor ociosidade,pois mantêm melhor qualidade (leia-se professores melhores e bem pagos). Agora,precisa o Governo e a Sociedade perceberem que ficar empurrando vaga em faculdades ruins não está funcionando e nem agradando. Diminua-se o dinheiro entregue para cursos ruins em faculdades ruins e invista-se MAIS no Ensino Médio. De preferência pagando bem aos professores. Aí a conta começa a fechar.

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    • Marcelo | 13/01/2011 20:04

      Olá,

      Por favor, alguem me poderia me dar uma fonte destes números, procurei no site do ministério da educação e não encontrei.

      Na minha cidade o número de estudante cresceu bastante nos ultimos anos.

      http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content

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    • Regina | 13/01/2011 19:29

      VESTIBULAR e ENEM

      Conheço alguns jovens que gostariam de se inscrever no Vestibular de uma Universidade Federal mas concluíram o ensino médio há algum tempo ou estão cursando uma outra faculdade particular ou semi-presencial e portanto não estão realizando o ENEM (que seria mais para quem está concluindo o Ensino Médio) e assim, sem o ENEM, não podem se inscrever no vestibular dessas universidades....


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    • Claudio Afonso Peres | 13/01/2011 18:46

      É preciso dizer com clareza que o número de vagas cresceu na rede privada assustadoramente na década de 1990 e que a renda dos trabalhadores não lhes permite pagar por esses cursos, mesmo porque, a maioria dos graduados nesses cursos fracos da rede privada não consegue emprego com remuneração que corresponda ao valor do curso. Busca-se o emprego com o ensino médio pois não há grande diferença nos salários. Isso tem nome e culpado: FHC e PSDB.

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