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Segundo presidente da autarquia, que é responsável pelo financiamento de pesquisas, conselho precisa de R$ 505 milhões para fechar as contas do ano

CNPq: ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Kassab, participa da 2ª edição do Encontro Finep
Wilson Dias/Agência Brasil - 21.08.17
CNPq: ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Kassab, participa da 2ª edição do Encontro Finep

Com dinheiro suficiente para pagar bolsas apenas até o início de setembro , o ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, afirmou nesta segunda-feira (21) que segue tentando sensibilizar a equipe econômica do governo federal para que sejam garantidos recursos para o Conselho Nacional de Desenvolvimento Tecnológico (CNPq).

O CNPq é responsável pelo financiamento de pesquisas por meio do pagamento de milhares de bolsistas em todo o país e no inicio do deste mês anunciou que passa por dificuldades para cumprir os compromissos até o final do ano. “A pesquisa não pode parar, o bolsista não pode parar”, afirmou o ministro.

Na sede da autarquia, onde participou da abertura do Encontro Finep para Inovação – Região Centro-Oeste, Kassab destacou seu compromisso “de continuar sensibilizando nossas autoridades na área econômica, para que possam ter, no ano de 2017, a mesma visão correta que tiveram no ano de 2016”, quando, segundo o ministro, o setor não foi atingido por cortes, tendo sido beneficiado com R$ 1,5 bilhões, após a repatriação de recursos.

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Gilberto Kassab pediu apoio a representantes de instituições de pesquisa, presentes ao encontro, para ampliar a cobrança, a fim de que sejam garantidos os valores necessário ao desenvolvimento de atividades de pesquisa e inovação. "O investimento é de vital importância, porque a crise jamais será superada nas proporções que queremos, se não investirmos muito nas ciências, na pesquisa, na inovação, na tecnologia. Foi assim que todos os países com a dimensão do Brasil superaram as suas crises”, ressaltou.

Contingenciamento

O Orçamento aprovado pelo Congresso previa R$ 1,3 bilhões para a autarquia, que também contaria com aportes do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, no valor de R$ 400 milhões. No entanto, 44% do total desses valores foram contingenciados.

O presidente da autarquia , Mario Neto Borges, informou que está seguro de que o conselho terá recursos para fechar o ano com os pagamentos em dia. “Em 2016, tivemos a mesma incerteza e acabamos com um orçamento até maior do que o previsto para o ano. O conselho precisa de R$ 505 milhões para fechar as contas até o fim do ano”.

Diante da restrição orçamentária, diversas instituições vinculadas à pesquisa, como a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Associação Nacional de Pós-Graduandos, além de diversos grupos de estudo, têm manifestado preocupação com a manutenção das pesquisas e com a situação dos pesquisadores e cobrado empenho do MCTIC para a garantia dos recursos junto à Presidência da República.

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O Comitê do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, por exemplo, divulgou uma nota na qual expressa "indignação com as notícias veiculadas em relação aos cortes no orçamento do CNPq e à suspensão do pagamento de bolsas de estudo". Segundo o comitê, o programa de bolsas de iniciação científica e tecnológica é uma iniciativa única no mundo na formação de alunos de graduação, preparando gerações de pesquisadores e contribuindo para a soberania nacional.

* Com informações da Agência Brasil