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Na reta final da Fuvest, o peru de Natal e os fogos de artifício coincidem com os últimos dias de estudo antes das provas: saiba usar isso ao seu favor

Estudar e aproveitar as festas de fim de ano é possível. Só é preciso organização
Reprodução/Facebook
Estudar e aproveitar as festas de fim de ano é possível. Só é preciso organização

Ninguém quer passar o fim de ano como essa pessoa da foto. Porém, com a divulgação da lista oficial de aprovados na primeira fase da Fuvest  – que seleciona alunos para os cursos da Universidade de São Paulo (USP) e para a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo – nesta segunda-feira (19), muitos candidatos ficam com a dúvida: estudo ou aproveito as festas?

Segundo os especialistas entrevistados pela reportagem do iG , a palavra-chave para essa fase do vestibular  é "equilíbrio". Não adianta nem passar dezembro inteiro pulando ondas, nem grudado nos cadernos.

"Nessas horas, o aluno deve buscar o equilíbrio, assistindo as aulas do curso preparatório que – e se – estiver fazendo, desenvolvendo as tarefas que se propôs a fazer, resolvendo provas de anos anteriores, mas sem se privar do momento de lazer e de descanso com a família", diz o coordenador do Anglo Vestibulares, Daniel Perry.

Para o coordenador, que é professor de história, aliviar a pressão é saudável, mas é preciso tomar cuidado com o exagero. "Caso vá viajar, o aluno deve ser atento e se programar para que não perca o ritmo dos estudos por muito tempo", explica.

O coordenador-geral do Curso Etapa, Marcelo Dias, concorda com as observações de Perry e complementa. "O candidato não só pode, como deve aproveitar as festas de fim de ano. Se ele ficar muito sozinho, ausente da família e dos amigos, ele acabará se cobrando demais, ficando mais ansioso, o que é negativo na hora da prova", afirma.

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Alguns dias de folga, dois ou três a cada festa, ainda são vistos como razoáveis pelos coordenadores, que sugerem que os candidatos que forem viajar façam a viagem com responsabilidade e disciplina. "Vale acordar mais cedo durante a viagem e estudar uma hora por dia", comenta o coordenador do Etapa, que sugere que os viajantes levem material de estudo.

Confira as demais dicas dos especialistas para a segunda fase dos vestibulares:

Tudo escrito, e agora?

Nessa fase, a maioria dos vestibulares é composta por questões discursivas, não mais de alternativa. Por isso, os candidatos devem chegar prontos para escrever bastante e devem tomar cuidado com o espaçamento das perguntas.

"Cada vestibular oferece um espaço diferente para que o candidato possa desenvolver as respostas. Os vestibulares da Fuvest e da Unicamp não têm muito espaço", afirma Dias. "O aluno pode entrar no site da Fuvest e imprimir um modelo de folha de respostas igualzinho ao que ele terá no dia da prova", pontua o coordenador do Etapa.

Vale também prestar atenção na palavra utilizada no enunciado. O que a questão espera? O candidato deve citar, explicar, analisar, exemplificar ou apenas pontuar os itens que equivalem à resposta? É o enunciado quem dirá isso.

Pode deixar em branco?

Sabe aquelas perguntas que o candidato lê e, logo em seguida, fica com aquela expressão interrogativa? Se o candidato não fizer ideia do que está sendo cobrado ou nunca tiver ouvido falar do assunto, é melhor deixar a questão em branco.

"Essa história de que não pode deixar em branco, é mito. Se não souber abolutamente nada sobre o assunto, o candidato deve deixar a resposta em branco e aproveitar o tempo que lhe resta para as demais questões", afirma o coordenador do Etapa.

Se o candidato conhecer o assunto, mas não tiver certeza da resposta, é melhor responder. "Se ele tiver uma ideia, mas não souber terminar o raciocínio, vale tentar escrever alguma coisa", afirma. "O importante é que ele possa fazer o melhor possível naquelas que ele sabe", conclui.

Estudar o que?

Há quem diga que, na reta final, o estudante deve focar nos assuntos que menos domina, mas se tornar um candidato forte. Porém, o coordenador do Anglo discorda.

"A palavra 'equilíbrio' serve para esse caso também. É um erro achar que se deve estudar só o que tem dificuldades. Faltam poucas semanas, então aprimorar o que se sabe, criar um diferencial sobre os outros candidatos também é bom. Tem que saber dosar", conta Perry.

E a redação?

Os dois especialistas concordam que a melhor maneira de se estudar para a parte da redação é praticando. "O ideal é fazer umas duas redações por semana", diz Dias. "Também tem que ler muito! Ler jornal, matérias, aumentar o poder de argumentação", afirma.

"Tem que fazer duas redações por semana para praticar", concorda Perry. "Mas, veja bem, o estudante que está na segunda fase do vestibular não está preocupado com dicas para a redação. Ele já passou disso, ele já está em um processo de manutenção. O que precisa é continuar praticando", pontua Perry.

E o que que eu vou fazer com essa tal ansiedade?

E é aí que entra o pernil, o Papai Noel e os fogos. Mesmo que a ansiedade seja menor para quem já passou pela primeira fase dos vestibulares, o nervosismo ainda pode ser um inimigo nessa reta final.

Portanto, atividades de laser são muito bem vindas. Perry indica prudência e atividades que deixem a mente ocupada, como assistir a bons filmes e ler bons livros. Para Dias, um dia no parque, com uma caminhada e o contato com a natureza pode ajudar.

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Cuidar do corpo também ajuda a cuidar do cérebro. Logo, praticar esportes, dormir bem e se alimentar com uma dieta equilibrada são dicas básicas para qualquer preparação para testes.

Fora isso, se quiser estudar até o dia da prova, pode. Se quiser parar dois dias antes, pode também. Quer levar aquela tabela periódica no carro para ler no caminho da prova? Pode. Quer ir em silêncio, cantando ou se discontraindo de qualquer outra maneira? Pode também.

"Há coisas que são de aluno para aluno. Cada um tem que conhecer a si mesmo e ver como prefere fazer. Autoconhecimento é tudo. Não tem receita fechada para ir bem no vestibular", encerra Dias. Boa prova!

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