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Provas para privados de liberdade serão aplicadas em 1.290 unidades penitenciárias e centros socioeducativos; 58% dos inscritos são do Sudeste

Enem para presos será aplicado dentro das penitenciárias; segundo o Inep, são pouco mais de 54 mil inscritos
Fábio Munhoz/iG São Paulo
Enem para presos será aplicado dentro das penitenciárias; segundo o Inep, são pouco mais de 54 mil inscritos

Começa nesta terça-feira (13) a aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para pessoas privadas de liberdade. As provas serão aplicadas nesta terça (13) e quarta-feira (14) para 54.358 inscritos de unidades prisionais e socioeducativas, de acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

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O número representa um aumento aproximado de 19% em relação aos 45,5 mil inscritos no ano passado. A maioria dos inscritos no Enem , 58%, é da Região Sudeste. O Sul tem 17% das inscrições, o Nordeste, 12%, o Centro-Oeste, 7%, e o Norte, 6%.

A maior parte deles, 78% (42.490), tentará a certificação do ensino médio por meio do exame. Para isso, os candidatos precisarão alcançar pelo menos 450 pontos em cada uma das áreas de conhecimento das provas e nota acima de 500 pontos na redação.

Vão participar do exame os órgãos e as instituições cujas unidades prisionais e socioeducativas firmaram termo de compromisso com o Inep, já que a aplicação do Enem PPL ocorre dentro das unidades. Do ponto de vista das questões, as provas são equivalentes para garantir a isonomia do exame.

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As provas para pessoas privadas de liberdade estavam inicialmente marcadas para os dias 6 e 7 de dezembro. A data foi alterada após o agendamento da segunda aplicação do Enem, que ocorreu nos dias 3 e 4 para pessoas inscritas na aplicação regular que tiveram as provas remarcadas por conta de ocupações de escolas, universidades e institutos federais e por imprevistos como falta de luz.

Uma visita a um inscrito de São Paulo

No Estado de São Paulo, de acordo com a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP), cerca de 16 mil presos de 155 unidades farão o exame. O total de penitenciárias e CDPs participantes equivale a 93,37% do total, segundo a pasta. A prova é realizada dentro das unidades e a inscrição é feita por um responsável pedagógico indicado pela coordenação do presídio.

“Atualmente, eu penso que ninguém é digno de julgar ninguém. O que difere qualquer pessoa da outra é só uma decisão errada e um caminho errado", diz o candidato Allan da Silva Oliveira, 31 anos, que está preso há sete anos, oito meses e “alguns dias”, sendo um ano e três meses no Centro de Detenção Provisória (CDP) III de Pinheiros, na capital paulista.

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"Não digo que foi certo o que eu fiz nem o que qualquer pessoa faça fora da lei. Continuo não achando certo. Só que hoje eu agiria diferente. A pessoa que fez errado tem que pagar. Eu continuo com essa concepção. Só que hoje eu vejo que a Justiça está aí para cobrar isso”, afirma o inscrito no Enem.

* Com informações da Agência Brasil.

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