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Relatório entregue ao MPF constata que ao menos dois candidatos tiveram acesso às provas; procurador diz que fato "compromete a lisura" do exame

Presidente do Inep, Maria Inês Fini, ao lado do ministro da Educação, Mendonça Filho: Enem 2016 teria vazado
Valter Campanato/Agência Brasil - 7.11.16
Presidente do Inep, Maria Inês Fini, ao lado do ministro da Educação, Mendonça Filho: Enem 2016 teria vazado

A Polícia Federal concluiu que houve vazamento das provas e da redação do Enem 2016  antes de o exame ser aplicado aos estudantes, nos dias 5 e 6 de novembro. A informação consta de relatório de inquérito policial enviado ao Ministério Público Federal do Ceará e divulgado nesta quinta-feira (1º) pela procuradoria cearense.

No documento, a PF conclui que ao menos dois candidatos (um de Minas Gerais e outro do Maranhão) tiveram acesso ao conteúdo das provas do Enem antes da liberação oficial. Os investigadores apontam que houve crime de estelionato qualificado no caso.

A íntegra do relatório e os demais documentos que integram o inquérito policial serão encaminhadas ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região, no Recife. A Corte analisa um recurso do MPF, que pede a anulação da prova de redação

Para o procurador da República Oscar Costa Filho, a conclusão da Polícia Federal põe em xeque a "lisura" do exame.  “Uma quadrilha organizada nacionalmente teve acesso antecipado às provas. Isso compromete a lisura do exame e a própria credibilidade da logística de segurança que vem sendo aplicada”, argumenta o procurador.

O relatório

Segundo informações do MPF,  a Polícia Federal destaca em um dos trechos do relatório que dois candidatos receberam fotografias das provas e tiveram acesso aos gabaritos e ao tema da redação antes do início do exame. As informações foram obtidas a partir da análise de celulares apreendidos durante operações nos dois dias do exame.

Ainda de acordo com a PF, os candidatos tiveram acesso à "frase-código" de uma das versões da prova (caderno rosa). 

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"Tanto o gabarito quanto a frase-código foram divulgados antes do exame, o que garante a responsabilidade de afirmar que houve vazamento da prova", diz o relatório.

A Polícia Federal aponta, ainda, que apesar de dois candidatos terem sido presos em operações policiais diferentes (um em Minas Gerais, e outro no Maranhão), ambos receberam exatamente as mesmas fotografias com gabaritos das provas, porém de intermediários diferentes, deixando claro que a origem do vazamento é a mesma.

Quanto à prova de redação, a perícia da PF identificou que os candidatos presos iniciaram pesquisas no Google sobre o tema da redação a partir de 9h38 do dia 6 de novembro, indicando que tiveram acesso ao tema antes do início da aplicação das provas.

Tanto o Ministério da Educação (MEC) quanto o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pela aplicação do Enem, não se pronunciaram sobre o caso até o momento.

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