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Na última semana antes do Exame Nacional do Ensino Médio, especialistas recomendam não aumentar o ritmo de estudos e focar em temas recorrentes

Mais de 8,6 milhões de estudantes de todo o País devem se debruçar sobre a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem)  neste fim de semana. Um bom desempenho pode significar ao candidato o ingresso em uma universidade federal ou uma bolsa de estudo pelo ProUni – razões que justificam a dedicação que muitos tiveram ao longo dos últimos meses se preparando para a prova.

Mas será que ainda dá tempo de assimilar novos conteúdos? Ou seria melhor, faltando apenas cinco dias para o Enem , começar a reduzir o ritmo de estudos? O iG conversou com especialistas que dão dicas para maximizar as chances de conseguir uma boa pontuação no exame.

Última semana de preparação para o Enem não deve incluir maratona de estudos, na opinião de especialistas
Wilson Dias/Agência Brasil
Última semana de preparação para o Enem não deve incluir maratona de estudos, na opinião de especialistas

Detentor da marca de melhor desempenho na prova de matemática em todas as edições já realizadas do exame, o piauiense Vitor Melo Rebelo, que atingiu 1.008,3 pontos no caderno de matemática e suas tecnologias no Enem 2015, aconselha os candidatos a treinar seus conhecimentos com edições anteriores da prova.

"Na última semana, acho que a melhor dica possível é indicar aos estudantes que resolvam as provas do Enem de 2015 (PPL e normal)", diz o estudante. "No resto de tempo, descansem para não fazerem a prova exaustos demais", pondera Rebelo.

Estudar, mas sem maratonas

O coordenador do Ensino Médio das unidades da rede Anglo, Waguinho Venceslau, faz coro ao conselho do jovem piauiense. Segundo ele, tentar intensificar os estudos nesta reta final não deve surtir efeito na hora da prova. "A recomendação é que os alunos se familiarizem com a prova para eles se acostumarem com a apresentação das questões. O aluno que já está estudando deve manter seu ritmo, porque intensificar agora não vai significar um acréscimo. Seria um gasto de energia", avalia Venceslau.

Para Bruno Ramos, diretor do Colégio Pitágoras Cidade Jardim, de Belo Horizonte, além de não aumentar a carga de estudos, seria interessante para os candidatos do Enem 2016 até mesmo começarem a reduzir as atividades. "Não é hora de virar a noite estudando, tem que dar uma freada. Senão aumenta muito a carga de stress", explica Ramos. "Não tem como dominar todo o conteúdo. Tem que estar confiante no que você sabe. Acho que não é adequado buscar novos conteúdos."

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A gerente de educação da rede Sesi no Paraná, Lilian Luitz, sugere ainda a leitura de obras que não estejam obrigatoriamente relacionadas com a temática do Enem. Segundo a educadora, a prática pode ser importante para "abrir a mente" do aluno e garantir um melhor desempenho na prova.

"A leitura de bons livros facilita a interpretação e traz a lógica necessária para solucionar as questões", diz Lilian, que também desaconselha o estudo de novos conteúdos neste momento. "Agora é o momento de revisitar aquilo que o aluno aprendeu, mas ainda não domina."

Foco em temas recorrentes

Detentor da melhor nota na prova de matemática do Enem, Vitor Melo Rebelo recomenda a leitura de provas anteriores
Divulgação/Instituto Dom Barreto
Detentor da melhor nota na prova de matemática do Enem, Vitor Melo Rebelo recomenda a leitura de provas anteriores

Com poucos dias de estudo pela frente, muitos alunos se veem no impasse sobre se vale a pena empenhar seu tempo estudando temáticas mais complexas. Na opinião de Bruno Ramos, do Colégio Pitágoras, é mais inteligente focar em conteúdos que aparecem na prova com mais frequência.

"As vezes o aluno foca naqueles conteúdos que são menos comuns, mas não acho bom focar muito nisso. Todo ano, por exemplo, tem questões de porcentagem na prova de matemática do Enem. Tem que treinar isso se você não se sente seguro. Você não precisa acertar a prova toda. Você deve focar naquilo que você tem certeza que vai cair", propõe o educador.

A gerente do Sesi paranaense corrobora com a opinião de Ramos e aponta possíveis temas que podem aparecer no exame deste ano. "É bom apostar em algumas questões que caem com mais frequência no Enem. O aluno deve estar muito antenado para aquilo que o mundo falou ao longo do ano, como questões do meio ambiente, da questão política e até a dengue", sugere Lilian.

Já Waguinho Venceslau, do Anglo, considera essa estratégia arriscada e dá outra saída para os alunos. "É difícil determinar o que tem maior ou menor incidência na prova. Nas quatro áreas do exame, possivelmente o aluno deve ter fragilidade maior em algum tema. É bom pegar provas nessas áreas para retomar", opina Venceslau.

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Estratégia para a prova

Se o objeto de estudos gera opiniões divergentes, a melhor tática para se dar bem durante o exame é endossada por todos os especialistas ouvidos pelo iG: começar pelas questões que o aluno considera mais fáceis.

"Desse modo você consegue fazer muitas questões em pouco tempo e fica mais motivado para o resto da prova", justifica Ramos.

O coordenador da rede Anglo também diz que "não é aconselhável" começar pelas questões mais difíceis e propõe que o aluno não passe muito tempo tetando solucionar perguntas de temáticas que ele sabe que tem dificuldade.

Venceslau sugere ainda que a prova de redação, que será aplicada no domingo (6), seja feita aproximadamente após metade do tempo disponível para os alunos. "O ideal é que o aluno comece a prova lendo a proposta da redação. Ele vai ter tempo para elaborar um raciocínio e pode ser que apareça algum texto que tenha vínculo com o tema da redação durante a prova. Faça a redação após cerca de duas horas e meia", sugere.

Já a educadora Lilian Luitz considera mais adequado iniciar o segundo dia do exame já pela redação. Ela concorda, no entanto, com a tática de concluir primeiro as questões menos complicadas. "O aluno tem que ser disciplinado e, se ele se deparar com uma questão que não domina, deve pular para a próxima. Quando ele for dominando mais os temas, ele vai retornar àquelas que ficaram para trás."

Armadilha

Materiais distribuídos nos locais de prova podem confundir alunos que forem fazer o Enem, alertam professores
Lucas Alves/iG São Paulo - 25.10.15
Materiais distribuídos nos locais de prova podem confundir alunos que forem fazer o Enem, alertam professores

Os educadores também encontram um discurso comum quando o assunto são os materiais distribuídos por funcionários de faculdades e cursos pré-vestibular em frente aos locais de prova. Na opinião dos especialistas, dar atenção a esses conteúdos na véspera da prova pode confundir ainda mais os candidatos.

"Uma nova informação pode confundir o aluno e deixá-lo mais nervoso ainda. Vá ao local de prova com um bom livro e fique fazendo a leitura para se tranquilizar", aconselha Lilian, que espera que o Enem 2016 tenha a mesma dificuldade que o do ano passado – considerado um dos mais difíceis já aplicados.

Para a véspera da prova, Bruno Ramos também não recomenda novos estudos, o que poderia gerar "ainda mais inseguranças". "Os fatores emocionais atrapalham muito no desempenho da prova. Sexta-feira é dia de relaxamento, talvez um último olhar em uma fórmula ou outra, mas não recomendo o estudo."

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Dormir e relaxar

Se estudar ao longo desta última semana pré-Enem é importante, os alunos também não devem se descuidar do descanso do corpo e da mente. De acordo com a otorrinolaringologista Luciane Mello, do Hospital Federal da Lagoa, no Rio, uma boa noite de sono faz bem para a memória e pode melhorar o desempenho do estudante.

"Dormir é fundamental para o cérebro consolidar o aprendizado. É ideal que exista uma regularidade de horários. Os alunos podem até dormir um pouco mais tarde, mas sem sair muito da rotina", analisa Luciane, que recomenda ainda cochilos de 20 a 30 minutos entre as seções de estudo.

A otorrinolaringologista também 'veta' o consumo de muita cafeína e energéticos industrializados na véspera da prova. "O café é um bom estimulante, mas pode atrapalhar o sono à noite. O aluno deve evitar tomar café depois das 18h da tarde. O mesmo vale para refrigerantes e chá mate", recomenda a doutora.

Normalmente associada ao relaxamento, a prática de ouvir música também pode ser importante entre os períodos de estudo para fixar as informações assimiladas, de acordo com o escritor e professor de psicanálise Paulo Miguel Velasco.

"A música atua sobre os principais neurotransmissores do cérebro responsáveis pelo humor e pela disposição física. Um cérebro cansado deixa de absorver conteúdos, então é bom dar uma pausa entre uma e duas horas de estudo e organizar uma playlist. Tem que sair em busca de um alívio, e nada melhor do que a música", afirma Velasco, acrescentando que não há um estilo musical considerado "melhor". "Mas é preferível uma música calma. Talvez música clássica", pondera.

Além de se preocupar com a preparação, os estudantes que forem realizar a prova do Enem devem ficar atentos aos horários de abertura e fechamento dos portões: 12h e 13h, respectivamente, no horário de Brasília.

No primeiro dia do Enem 2016, serão testados os conhecimentos em ciências humanas e suas tecnologias e de ciências da natureza e suas tecnologias, com tempo total de 4 horas e 30 minutos. Já no domingo (6), os alunos terão 5 horas e 30 minutos para fazer a redação e as provas de linguagens, códigos e suas tecnologias e de matemática e suas tecnologias.

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