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Números são revelados em auditoria do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, que selecionou 50 escolas que participam do programa desde o início

Atualmente, das 5,1 mil unidades educacionais em todo o Estado, 532 escolas seguem o modelo de ensino  integral
Wilson Dias/Agência Brasil
Atualmente, das 5,1 mil unidades educacionais em todo o Estado, 532 escolas seguem o modelo de ensino integral

Um em cada seis estudantes matriculados nas escolas estaduais de tempo integral, vitrine do governo Alckmin, abandonou seus cursos. De acordo com dados do Tribunal de Contas do Estado (TCE), a taxa de evasão no modelo de ensino com currículo diferenciado e oito horas de aulas diárias chegou a 17% em 2015.

A "inadaptação às exigências e dinâmicas" seria um dos motivos. O Estado diz que ano a ano a desistência vem diminuindo – era de 20% em 2012 e chegou agora a 11%  – e sinaliza que a amostragem aleatória do TCE pode ter resultados diferentes.

Adotado pela rede estadual em 2012, o Projeto Educação Integral (PEI) é uma nova versão de outro programa semelhante, existente desde 2006. Atualmente, das 5,1 mil unidades educacionais em todo o Estado, 532 escolas seguem o modelo, em que os estudantes têm aulas tradicionais no período da manhã e disciplinas optativas à tarde. 

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A ideia é que os alunos estejam inseridos em um modelo pedagógico diferente, com projeto de vida individual e atividades extracurriculares. Os professores têm dedicação integral às unidades e essas escolas ainda costumam ter melhores desempenhos no Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado (Idesp).

A auditoria do TCE selecionou, aleatoriamente, 50 escolas do PEI que participam do programa desde o início, em 2012, para chegar à estimativa de transferências. Dos 15,1 mil alunos matriculados, 2,5 mil (17,1%) mudaram de escola no ano passado. 

"Não dava conta"

Júlia Helena, de 17 anos, é aluna do 3º ano do ensino médio na Escola Estadual Godofredo Furtado, em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo. No ano passado, ela cursou um semestre na Escola Estadual Alves Cruz, de tempo integral, mas não acompanhou as longas jornadas diárias de estudo. "Tinha de ficar muito mais tempo e eu queria começar a procurar emprego, não dava conta", lamenta.

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O problema é comum e, por isso, uma das soluções apontadas pelo relatório do TCE para o problema é a oferta de bolsas. A diferença entre as escolas comuns e as de tempo integral também é abordada no texto: O custo médio anual de um aluno em uma PEI é de R$ 6.091, enquanto em uma escola regular é de R$ 4.540.

Além do mais, as unidades de tempo integral recebem duas vezes mais visitas dos supervisores escolares – profissional responsável por auxiliar os professores em seus projetos pedagógicos – e oferecem mais cursos de formação e aperfeiçoamento aos docentes em relação a outras escolas, de acordo com o levantamento.

Valores: custo médio anual de um aluno em uma PEI é de R$ 6.091, enquanto em uma escola regular é de R$ 4.540
Marcos Santos/USP Imagens
Valores: custo médio anual de um aluno em uma PEI é de R$ 6.091, enquanto em uma escola regular é de R$ 4.540

Apesar de as unidades do PEI apresentarem bons resultados e terem adesão da comunidade escolar, para o TCE, há "indícios" de que a instalação delas "reflete negativamente sobre os resultados de aprendizagem logrados pelas unidades localizadas em suas imediações".

A auditoria também chama a atenção para a distribuição espacial das unidades de ensino integral. Em uma amostragem com as 39 escolas pesquisadas na cidade de São Paulo, o órgão constatou que 29 delas (75%) estão localizadas em regiões de renda média familiar superior a R$ 1,6 mil – apenas dez escolas estão em distritos mais pobres, como Capão Redondo, na zona sul, e Itaim Paulista, na zona leste.

Professores mais interessados

Ao mudar de escola, Júlia notou de cara as diferenças significativas entre a unidade de tempo integral onde estudava e o colégio regular para o qual foi transferida. "Lá, os professores pareciam mais interessados, a merenda era melhor e a infraestrutura da escola também", conta ela.

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Mesmo a um quilômetro de distância, unidades apresentam claras diferenças em suas infraestruturas. "A biblioteca está fechada há muito tempo porque não colocam ninguém no lugar da bibliotecária", reclama a estudante Emily Silva, de 17 anos, aluna do 3.º ano do ensino médio. "A infraestrutura também é ruim. Não tem cadeira para comer no intervalo e falta papel higiênico no banheiro."

Para a gerente executiva de Educação do Instituto Ayrton Senna, Simone André, a escola de tempo integral ideal precisa, no entanto, se adaptar às necessidades dos alunos. "É preciso dar margem para fazer um percurso diferenciado. Se o aluno, por exemplo, precisar trabalhar, pode começar a fazer um estágio remunerado e isso ser incluído em seu currículo. A escola também deve oferecer opções para o aluno se profissionalizar e ver sentido em ficar lá por tantas horas", analisa ela.

O Plano Nacional de Educação prevê, em todo o País, "oferecer tempo integral em, no mínimo, 50% das escolas públicas, de forma a atender, pelo menos, 25% dos alunos da educação básica" em 2024.

*Com informações do Estadão Contéudo

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