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Entrevistados acreditam que nota mínima do Enem para solicitar o benefício deve permanecer em 17,8%; instituições de ensino passarão a custear taxas bancárias do programa, que antes eram quitadas pelo Tesouro Nacional

63,2% dos jovens acreditam que a nota mínima no ENEM, requerido para solicitar o benefício, deve permanecer em 17,8%
USP Imagens - 05.01.15
63,2% dos jovens acreditam que a nota mínima no ENEM, requerido para solicitar o benefício, deve permanecer em 17,8%

Uma pesquisa encomendada pela Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior (Abmes) revelou que a maioria dos jovens nunca matriculados em um curso superior, mas que pretendem utilizar o Fies, aprova maior rigidez das regras para acesso ao financiamento. Dos entrevistados, 63,2% acreditam que a nota mínima no Enem, requerido para solicitar o benefício, deve permanecer em 17,8%.  

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A associação entrevistou 10 mil pessoas com idades entre 18 e 30 anos que concluíram o ensino médio mas ainda não cursaram o ensino superior. Entre eles, 78,9% desejam cursar o ensino superior nos próximos três anos – dessas 50,5% disseram não ter condições de pagar uma faculdade particular e 50,3% dizem ter interesse em fazer faculdade utilizando empréstimo do do  Fies .

"A mensagem que essa pessoa traz é a de que ela quer estudar e precisa de uma oportunidade de acesso à universidade. Ela está disposta a lutar pela nota necessária, mas precisa de um impulso do governo para ter essa oportunidade", disse Juanguiê Diniz, presidente da Abmes. 

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Os resultados da pesquisa ainda mostram que 90,2% dos entrevistados concordam que o governo federal deve aumentar a cada ano o número de vagas do Fies. 

Diniz ainda afirmou que o Fies deve passar por reformulações para continuar sendo “sustentável” aos alunos, às entidades e ao próprio governo. "Com as mudanças que aconteceram nos últimos anos, o programa está se tornando menos atrativo para as entidades. O setor já dá sua colaboração ao ensino superior e não pode ser ainda mais penalizado", explica Diniz.

Instituições de ensino passarão a custear taxas bancárias do programa, que antes eram cobertas pelo Tesouro Nacional
Reprodução
Instituições de ensino passarão a custear taxas bancárias do programa, que antes eram cobertas pelo Tesouro Nacional


Na semana passada, o governo repassou para as instituições de ensino o custeio das taxas bancárias do programa, antes cobertas pelo Tesouro Nacional. Com a entrada da medida em vigor, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal passaram a receber das instituições de ensino um montante mensal de 2% dos encargos educacionais liberados pelo Tesouro a essas empresas, usadas até então para abater despesas previdenciárias.

Diniz ainda disse que algumas instituições são opostas a essa medida por terem de assumir uma “conta” que não é delas. "Estamos momentaneamente contribuindo com o governo para manter o programa pela importância ao governo e aos alunos, e não para o setor. Não concordo com o repasse e esperamos que o governo encontre soluções e implante um Fies mais sustentável no início do ano que vem", afirmou. 

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A entidade disse que deve custear as taxas bancárias apenas neste semestre e espera que o " Fies Turbo ", anunciado pelo ministro da Educação, Mendonça Filho, para o próximo ano, não preveja esse pagamento pelas instituições. "É preciso um novo modelo de financiamento porque termos uma mudança no programa a cada seis meses está fazendo com que ele se torne insustentável" disse Sólon Caldas, diretor executivo da Abmes.

*Com conteúdo do Estadão Conteúdo

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