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Alunos dizem que dedicação pré-vestibular deve continuar na faculdade. Calouro será recebido por ambiente de diversidade

A primeira fase da Fuvest será realizada neste domingo (30) e mais de 141 mil candidatos seguram o nervosismo para a prova que pode definir a faculdade que frequentarão nos próximos anos.

Para incentivar os vestibulando e reduzir sua ansiedade, o iG e o Colégio Bandeirantes pediram a alunos da Universidade de São Paulo (USP) que contassem um pouco de sua vida na universidade e dessem dicas para seus futuros calouros.

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Muito estudo e boa acolhida

Veteranos no vestibular, os estudantes contam que a dedicação aos estudos exigida para passar no concorrido processo seletivo não termina na segunda fase. A Fuvest é a última prova fácil que você fará, brinca o aluno de Engenharia de Petróleo Eriky Kunitake, de 18 anos.

Mas o esforço, segundo eles, é recompensado. O ambiente universitário tem muita diversidade de pessoas e de atividades e permite experiências interessantes. 

Se a mudança dá medo, os estudantes contam que a melhor saída é procurar veteranos para tirar todas as dúvidas. "Seja amigo de pelo menos um veterano", indica o estudante de direito Danilo Zanichelli. 

Eriky Kunitake conta que no campus de Santos os estudantes literalmente abrem as portas de casa para seus 'bixos'. "Existe um projeto no qual veteranos oferecem suas casas gratuitamente para receber os estudantes recém-chegados sem custo, até que eles consigam se instalarem na cidade."

Veja na galeria temas de atualidades que podem cair na Fuvest

Confira abaixo os depoimentos de veteranos

Direito

Danilo Henrique Zanichelli comemora aprovação com os pais
Divulgação/Acervo Pessoal
Danilo Henrique Zanichelli comemora aprovação com os pais

Danilo Henrique Zanichelli, de 18 anos, está no segundo semestre do curso de Direito na USP. Guiado pelo desejo de ajudar as pessoas, escolheu esta carreira. Aos que pretendem fazer USP, Danilo disse que toda a semana o aluno tem que ler diversos textos para todas as matérias, algo que pode totalizar de 200 a 300 páginas por semana.

“Sim, é possível evoluir de semestre sem ler efetivamente todos os textos, mas todo o texto fundamentam as aulas de suas respectivas matérias, de modo que o aluno que não lê os textos perde o contexto da lição, mas não o conteúdo em si”, completa.

Ao estudante que pretende entrar na USP, Danilo sugere que além de estudar bastante, o candidato também busque aprender a lidar com todo o tipo de pessoa, “desde a mais calma e paciente até a mais estourada, desde a mais esquerda política até a mais direita política, por que aquela faculdade é realmente muito diversificada”.

Aos alunos de primeiro ano, daria uma dica essencial que não recebi: "seja amigo de pelo menos um veterano". De acordo com Danilo, essa é a mais importante dica, por que assim é mais fácil entender todos os problemas da faculdade, todas as motivações das greves na USP, entender como retificar matricula e se matricular em diversas matérias, saber aonde é o departamento de cada matéria e como chegar lá.

Economia

Com 22 anos, no sexto semestre de Economia, Flavia Ferri saiu do colégio e entrou direto na faculdade.Aos alunos que pretendem seguir seus passos, Flavia avalia que é muito importante saber se virar por conta própria.

“Não serão em todas as matérias que você poderá contar com o professor e sua didática. Boa parte dos problemas, você terá que resolver sozinho, e com isso quero dizer que o aluno terá muitas vezes que pegar um livro sentar e ler até aprender o que precisa”, conta.

Aos recém-chegados à Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA), Flavia recomenda frequentarem a nova biblioteca. “Vale a pena conferir”, diz.

Engenharia

Eriky Kunitake faz o curso de Engenharia de Petróleo na USP
Divulgação/Acervo Pessoal
Eriky Kunitake faz o curso de Engenharia de Petróleo na USP

A afinidade com química levou Eriky Kunitake, de 18 anos, a optar por prestar vestibular para Engenharia na Universidade de São Paulo, mas tinha dúvidas sobre a especialização. Logo no primeiro semestre, ele teve uma aula de introdução a Engenharia de Petróleo. “Assistindo a esta aula, logo de início me identifiquei e percebi que tinha feito a escolha certa”, afirmou.

Sobre as mudanças de rotina de estudos, o estudante de engenharia diz que apesar de ter tido muita dedicação durante o colégio, levou um susto ao chegar na universidade.

“A quantidade de conteúdo que você recebe em 1 hora é bem maior na faculdade. Esse é o primeiro grande susto”, disse.

Kunitake ressalta que, apesar do clima amistoso dentro do campus de Santos, o curso exige dedicação redobrada. “A Fuvest foi a última prova fácil que você fez antes de entrar para Poli. É preciso deixar de lado a euforia de ter passado na Poli e realmente se dedicar, fazendo os exercício de listas que os professores passam e relendo a matéria ao final do dia”, recomendou o aluno.

Aluno de um campus recém-criado da USP, Kunitake acredita que o tamanho –apenas 100 alunos— facilita o contato com os professores. “Temos abertura para criar coisas novas e realmente colocar a mão na massa, além de uma grande integração fora da sala de aula.”

Engenharia na Poli

Luiza Toledo estuda Engenharia de Produção na Poli
Divulgação/Acervo Pessoal
Luiza Toledo estuda Engenharia de Produção na Poli

Aos 17 anos, Luiza Toledo está no 1° ano da tão sonhada faculdade de Engenharia de Produção na Escola Politécnica (Poli-USP). “É difícil, mas dá para se organizar e fazer funcionar. Se você se organizar e tiver um objetivo, ou seja, parar, sentar e estudar é possível”, diz.

Na Poli, Luiza conta que o aluno tem que correr atrás de matéria, aula e do professor. De uma forma geral, a estudante acredita que o centro acadêmico da instituição é muito receptivo. “Eles são abertos para ajudar, dando dicas de matérias, apresentam as pessoas, são veteranos amigos. Ajudam nos estudos, porque organizam dropbox com provas de anos anteriores, livros em pdf e tudo para ajudar os recém chegados”, conta a estudante.

Para Luiza, o que torna mais difícil o curso é o fato de que tem uma semana só de prova, sem aulas. São 2 horas de prova, com 2 ou 3 questões por prova e bem detalhadas. “Se errar a primeira questão, alguma coisa, você se frustra. Mas isso é costume. Mesmo estudando, existe a chance de ir mal”, conta.