Adriana Partimpim lança DVD ao vivo

Em entrevista ao iG, cantora fala sobre música, mercado e maternidade

Guss de Lucca, iG São Paulo | 11/10/2010 12:58

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Foto: Lenise Pinheiro/Divulgação

Adriana Partimpim durante uma apresentação da turnê "Dois é Show": cenário brinca com as proporções

A cantora e compositora Adriana Calcanhotto já havia consolidado sua carreira musical quando, em 2004, lançou o álbum "Adriana Partimpim", o primeiro dedicado ao público infantil e assinado por um colorido alter-ego.

A surpresa dos pais, que viram os filhos contagiados por letras inteligentes e melodias que se distanciavam ao máximo das exaustivas músicas infantis, foi refletida no sucesso de vendas do disco, que ultrapassou as 100 mil cópias.

Após uma turnê bem-sucedida, Adriana retornou em 2009 com "Partimpim Dois", novo trabalho que adota seu heterônimo e dá seguimento a uma carreira paralela que, de certa forma, serviu de estímulo para o surgimento de outros trabalhos do tipo, como o grupo Pequeno Cidadão, formado por nomes já conhecido do rock e de pop, como Arnaldo Antunes e Edgard Scandurra.

Aproveitando o lançamento de "Dois é Show", DVD que registra a turnê de seu segundo álbum, Adriana conversou com o iG sobre o sucesso do projeto Partimpim, o cuidado em compor para crianças e a opção por não ter filhos.

iG: Em 2004 você lançou o primeiro álbum da Partimpim. Cinco anos mais tarde surge "Partimpim Dois" e agora o DVD da turnê "Dois é Show". Como essa continuação ganhou forma?
Adriana Calcanhotto: A ideia sempre foi a de dar continuidade, de ser uma discografia e não um disco só, um projeto único.

iG: Apesar do sucesso, "Partimpim Dois" não alcançou a projeção do primeiro álbum. Como você analisa essa diferença?
Adriana Calcanhotto: Acho que esses discos têm seu tempo de assimilação, o primeiro Partimpim não foi um fenômeno imediato, ele foi chegando.

iG: "Adriana Partimpim" inaugurou um movimento que tem mudado a cara da música infantil. Nos últimos anos nomes do rock e pop abriram espaço em suas carreiras para trabalhos voltados a essa "cena infantil", se é que podemos classificá-la dessa maneira. Como você se sente inaugurando um novo mercado?
Adriana Calcanhotto: Não entendo nada de mercado, me sinto igual.

Foto: Lenise Pinheiro/Divulgação Ampliar

Partimpim: "Tenho crianças na minha vida a quem mimo, deseduco, estrago e depois devolvo. Fico só com a parte boa"

iG: O que acha dos trabalhos de artistas que surgiram nesse intervalo entre os dois álbuns da Partimpim, como Pequeno Cidadão e último disco do Pato Fu, "Música de Brinquedo"?
Adriana Calcanhotto: Acho muito legais e as crianças estão gostando.

iG: Os músicos envolvidos nesses projetos declaram inspiração e influência de seus filhos - o que não é o seu caso. O trabalho como Partimpim e toda a proximidade com crianças a fez pensar em ter filhos?
Adriana Calcanhotto: Não, não tive vontade de ter filhos. Tenho crianças na minha vida a quem mimo, deseduco, estrago e depois devolvo. Fico só com a parte boa.

iG: Existe diferença entre compor para adultos e para crianças?
Adriana Calcanhotto: Em relação ao tema evidente que há que se ter bom senso, em relação à musicalidade acredito que manter a simplicidade é essencial e importantíssimo.

iG: E o clima da turnê e a postura de palco, mudam muito se comparados aos shows da Adriana Calcanhotto?
Adriana Calcanhotto: Mudam um pouco, a nossa disposição é a de brincar de fazer show.

iG: De onde surgiu a cenografia de "Dois é Show", uma verdadeira sala de brinquedos com luminárias enormes e muita cor - além das roupas e acessórias que você usa?
Adriana Calcanhotto: Queria um cenário que mexesse com as proporções, coisas gigantes que nos deixassem pequenos no palco e coisinhas pequenas (como panelinhas de brinquedo, trenzinho...), que nos deixassem gigantes. Conversei com Helio Eichbauer sobre isso e ele criou o cenário. O trem elétrico eu havia visto no cenário do Helio para a montagem de "A Visita da Velha Senhora", com Tônia Carrero, e conseguimos trazê-lo de volta para o "Dois é Show".

iG: Uma das coisas mais legais da Partimpim é que suas canções agradam tanto aos filhos quanto aos pais. Já aconteceu de o público pedir alguma canção da Partimpim numa apresentação da Calcanhotto?
Adriana Calcanhotto: Acontece direto e, se tem criança na plateia, eu canto. Se não tiver, canto também (risos).

iG: Em outros meios artísticos, como a TV, cinema e histórias em quadrinhos, é comum que o primeiro contato ocorra ainda na infância. Já na música existe uma diferença clara: apesar de ouvir canções infantis em casa, as crianças não tinham o hábito de ir a shows - as primeiras incursões nesse universo costumam ocorrer na adolescência. Como é para você inserir esse público no contexto de uma apresentação musical e ser "o primeiro show" de uma geração?
Adriana Calcanhotto: Essa sempre foi uma das questões que me impulsionaram para a realização do projeto Partimpim. É difícil descrever em palavras as sensações, as emoções que temos experimentado vendo as crianças assistirem ao primeiro show. Sinto enorme orgulho de toda a nossa equipe.

iG: Já existe alguma canção, ideia ou mesmo pista de um terceiro trabalho da Partimpim? Para quando o público pode esperar seu retorno pelos ares?
Adriana Calcanhotto: Às vezes penso em levar a cabo a ideia que tenho para o terceiro, mas agora que estou lançando o segundo DVD Partimpim (com cujo resultado final estou encantada) penso que já fiz a minha parte.

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