Tamanho do texto

Filme de Mauro Giuntini conta três histórias unidas pelas frustrações da condição humana

Em "Simples Mortais", de Mauro Giuntini, o que separa os personagens é o mesmo elemento que os une: a condição humana, evidenciada por suas frustrações e a incapacidade de lidar com elas. Essas pessoas moram em Brasília, e, aqui, a capital do País com sua arquitetura singular é, ao mesmo tempo, opressora e libertária. É o cenário dos opostos e dos paradoxos que rondam a vida dessas figuras.

Chico Sant'Anna e Eduardo Moraes fazem pai e filho em um dos segmentos do drama
Divulgação
Chico Sant'Anna e Eduardo Moraes fazem pai e filho em um dos segmentos do drama "Simples Mortais"
Jonas (Leonardo Medeiros) é um professor que usa métodos pouco convencionais para ensinar poesia. Em casa, seu casamento com Katia (Alice Stefânia) não vai muito bem, e ele encontra na pornografia, especialmente na internet, sua válvula de escape. Yara (Tatiana Muniz) é uma das alunas que mais se destacam, não apenas por seu talento para escrever.

Num outro segmento, Diana (Narciza Leão) é uma bem-sucedida apresentadora de telejornal que fez sua carreira cobrindo política e impondo-se como uma repórter séria. O casamento entra em crise quando ela não consegue engravidar do marido, o ator Gabriel (Sérgio Sartório). Por outro lado, ela também está um tanto desiludida com seu trabalho e as perspectivas para o futuro.

Siga o iG Cultura no Twitter

A terceira história de "Simples Mortais" é centrada em Amadeu (Chico Sant'Anna) e seu filho Kdu (Eduardo Moraes). Desde que perdeu a mulher, a vida de Amadeu ficou sem rumo. Funcionário público, ele faz bicos como músico. Seu filho é skatista e também músico e está sempre preocupado com o pai. Às vezes, preocupado até demais, chegando a pagar prostitutas para cuidar dele.

Unindo essas histórias, está o cenário de Brasília - cidade de grandes prédios e ruas longas que transformam o ser humano em um minúsculo detalhe em sua paisagem urbana. O roteiro assinado por Di Moretti, de "Nossa Vida não Cabe num Opala", trata de cada grupo separadamente, traçando suas histórias, seus dramas.

O diretor, Giuntini, nasceu e vive em Brasília e, no longa, mostra conhecimento e apropriação da cidade. O óbvio da capital - o poder, a política - está lá no filme, mas de forma discreta, num subtexto, pois o que importa aqui são os dramas humanos dos personagens engolidos pelo sistema ou, às vezes, pela incapacidade de lidar com os problemas.

null

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.