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Apesar de deficiências no roteiro, filme sobre fuga de prisão conta com boas atuações

Russell Crow sai do cotidiano pacato de um professor para um dia de crime no suspense de ação
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Russell Crow sai do cotidiano pacato de um professor para um dia de crime no suspense de ação "72 Horas"
Russell Crowe desperta o gladiador que mora dentro do professor John Brennan, seu protagonista no drama de suspense "72 horas", em que, mais uma vez, o premiado diretor e roteirista Paul Haggis desenvolve uma estrutura dramática em espiral - e inspirada no filme francês "Tudo por Ela" (2008).

Desta vez, ao contrário de "Crash - No Limite" (o filme de Haggis que ganhou o Oscar em 2006), o foco está centrado numa única pessoa - o professor de literatura, honesto e pacato pai de família, obcecado por tirar da cadeia a mulher, Lara (Elizabeth Banks), com um plano mirabolante, de dar inveja a qualquer criminoso ousado e experiente.

Crowe é um ator talentoso o bastante para dar credibilidade a este marido e pai fragilizado, que não consegue mais concentrar-se no emprego, nem no cuidado do pequeno filho único, Luke (Ty Simpkins), por conta do problema da mulher - que foi condenada pelo assassinato da chefe sem esperança de apelação, tamanhas as evidências que se acumularam contra ela.

Por conta desse beco sem saída, que levará sua esposa à bem-guardada penitenciária do estado em três dias (as tais 72 horas), John corre contra o relógio para pesquisar um plano de fuga à prova de erros. Como é novato no ramo, recorre aos serviços de um especialista (Liam Neeson), um presidiário e fugitivo contumaz que até já escreveu um livro a respeito.

O personagem de Crowe com seu mentor, o ex-presidíário e expert em fugas interpretado por Liam Neeson
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O personagem de Crowe com seu mentor, o ex-presidíário e expert em fugas interpretado por Liam Neeson
Contando com a assessoria do especialista e algumas arriscadas incursões pelo submundo de Pittsburgh, onde mora, o professor arma um plano complexo para tirar sua mulher da prisão e fugir com ela e o filho. Nada simples, porque a logística exige documentos falsos, roupas, passaportes, passagens e a rapidez da escapada, permitindo fugir ao cerco que rapidamente se armará em divisas estaduais, fronteiras, rodoviárias e aeroportos.

Haggis conta com a empatia que o protagonista deve despertar, embora esteja envolvido claramente numa empreitada, em última instância, criminosa. Um problema é que, num determinado momento, põe-se em dúvida a inocência de Lara, de uma forma mal-conduzida - o que pode suspender a simpatia, tanto por ela, quanto por John, levando a pensar se ele não deveria atentar mais ao seu papel de pai.

Há inúmeros buracos no roteiro que levam à quebra de confiança que toda história de ficção precisa contar para sustentar-se, por mais que os atores visivelmente se esforcem em superar estas falhas.

Também é preciso uma dose extra de fé para acreditar que John supere tão facilmente não só sua inexperiência no mundo do crime como tome as atitudes ousadas que assume - melhor deixar de fora os detalhes aqui, para não entregar todo o filme.

Não seria nada mau que Haggis confiasse também algumas linhas de diálogo a mais ao veterano Brian Dennehy, que faz pouco mais do que caras e bocas - e ainda assim captura a atenção - no papel do pai de John. O que é muito pouco para o intérprete de "Silverado" e "A Barriga do Arquiteto".

Assista abaixo ao trailer de "72 Horas":

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