Os cinco melhores filmes de terror desde "Pânico"

Franquia de Wes Craven devolveu, na década de 1990, prestígio ao gênero; conheça os melhores longas produzidos desde então

Marco Tomazzoni, iG São Paulo | 16/04/2011 14:34

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Foto: Divulgação Ampliar

Drew Barrymore na cena de abertura de "Pânico" (96)

Depois uma década sem brilho nem sucesso comercial, a estreia de "Pânico", em 1996, colocou o terror de novo nos eixos em Hollywood. Coube a Wes Craven, um veterano do estilo, a tarefa de filmar o roteiro do iniciante Kevin Williamson, futuro queridinho da indústria e criador de séries como "Dawson's Creek" e "The Vampire Diaries". "Pânico" não só dava vida a um matador carismático como unia irreverência e clichês assumidos do gênero, numa série de piscadelas aos fãs que acabou forjando o cinema de horror da nova geração.

Até hoje o slasher-movie com maior bilheteria de todos os tempos nos Estados Unidos – US$ 103 milhões –, "Pânico", mais do que uma moda, provou que o terror podia de novo encher os cofres dos estúdios e, nos melhores casos, com custo-benefício baixíssimo. Fundada pelos irmãos Weinstein, a produtora e distribuidora Dimension Films, responsável por "Pânico", continuou investindo no gênero e dali saíram as franquias "Hellraiser", "Um Drink No Inferno", "Halloween", "Colheita Maldita" e "O Corvo", entre outras, sem contar filmes únicos ("Mutação", "A Prova Final") e a infame série pastelão "Todo Mundo em Pânico".

Esse é apenas um microcosmo de como o mercado abriu suas portas sem medo para o horror. Os efeitos se veem até hoje, em todo o mundo, e com maior intensidade na década passada, quando as mais impactantes produções do gênero chegaram aos cinemas. O iG preparou um Top 5 com os melhores filmes de terror desde "Pânico", sem contar os filmes da série – há quem diga que "Pânico 2" é até superior ao original.

"O Chamado", de 2002, é o primeiro deles, por encabeçar a atenção dos norte-americanos ao terror japonês. Dois anos depois, apareceram "Jogos Mortais", que inaugurou a lucrativa franquia e deu origem ao "torture porn", e "Todo Mundo Quase Morto", suprassumo da combinação horror, comédia e sangue. Em 2007, os espanhóis comprovaram sua competência para o terror com o assustador "[REC]" e, em 2008, a Suécia surpreendeu o mundo todo com "Deixa Ela Entrar", considerado um dos melhores filmes de vampiro de todos os tempos.

Assista abaixo aos clipes dos cinco filmes e, na sequência, saiba mais sobre eles.

Os cinco melhores filmes de horror desde "Pânico"

Foto: Divulgação Ampliar

Naomi Watts assiste fita maldita em "O Chamado"

"O Chamado" (2002)
Diretor publicitário e de videoclipes, Gore Verbinski ("Pirata dos Caribe") teve sua primeira grande chance com "O Chamado", adaptação de Hollywood para o japonês "Ringu" (1998). A versão norte-americana seguia à risca o original, mas era muito mais ambiciosa em termos visuais, de clima e suspense, mérito do diretor e do elenco excelente, comandado por Naomi Watts. O filme narra a maldição de uma misteriosa fita VHS: quem a assiste, recebe um telefonema e tem exatos sete dias antes de morrer pelas mãos de Samara e seus longos cabelos. Watts é uma jornalista que investiga o caso e logo precisa lutar por sua vida e a de seu filho. "O Chamado" não foi uma pechincha – custou US$ 48 milhões –, mas faturou cinco vezes mais nas bilheterias e é um dos filmes de terror mais bem-sucedidos da história. O filme ganhou uma sequência e abriu as portas para as refilmagens de J-horror, ou filmes japoneses de horror, nos EUA – pouco depois, estrearam "O Grito" e "Água Negra", este dirigido pelo brasileiro Walter Salles.

Foto: Divulgação Ampliar

A vampira-mirim do sueco "Deixa Ela Entrar"

"Deixa Ela Entrar" (2008)
Baseado no best-seller de Anne Rice, "Entrevista com o Vampiro" (1994) foi o primeiro ícone pop a mostrar uma criança-vampiro (no caso, Kirsten Dunst), mas foi o sueco "Deixa Ela Entrar" quem tratou a situação com seriedade. A terra de Ingmar Bergman e Roy Andersson é famosa por produzir cineastas com tendência para o cinema de reflexão, inventivo, psicológico. Aqui não é diferente, embora o apelo para o espectador seja bem maior e acessível. A história se passa numa cidadezinha nos arredores de Estocolmo, onde uma série de crimes têm chocado a população. Em meio ao clima de insegurança, Oskar, de 12 anos, conhece a vizinha Eli, na verdade uma vampira da mesma idade – pelo menos na aparência. Em meio à solidão do condomínio, os dois se tornam amigos e compartilham um interior borbulhante: ela, um monstro sedento por sangue; ele, uma vítima de bullying prestes a explodir. Autor do romance que deu origem ao filme, John Ajvide Lindqvist também escreveu o roteiro para o diretor Tomas Alfredson. "Deixa Ela Entrar" teve passagem triunfante pelo circuito de festivais, figurou em muitas listas de melhores do ano e garantiu lugar cativo entre os filmes definitivos de vampiro. Inferior, a refilmagem feita em Hollywood, "Deixe-me Entrar", estreou no início do ano no Brasil.

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Garotinha zumbi em "[REC]": terror espanhol

"[REC]" (2007)
Em 1999, "Bruxa de Blair" sacudiu a indústria ao se tornar um dos maiores sucessos do ano. Produzido com apenas US$ 600 mil, se amparou numa campanha de marketing genial, que levava o espectador a crer que se tratava de uma história verdadeira, levada aos cinemas graças ao material remanescente de uma equipe de jovens cineastas desaparecidos na floresta. Fenômeno, o filme faturou US$ 248 milhões e suas imagens amadoras, gravadas com câmera na mão e muito tremidas, fizeram escola. O espanhol "[REC]" é seu melhor discípulo, até porque a Espanha se firmou como um grande produtor de filmes de horror ("Os Outros", "O Orfanato", "Os Olhos de Julia"). Uma repórter e o câmera de um programa de TV acompanham a rotina na madrugada do corpo de bombeiros e vão parar num prédio, para atender uma ocorrência trivial. De repente, o edifício é isolado pelo governo, em quarentena, e não demora para os jornalistas, a polícia, os bombeiros e moradores se verem encurralados, às voltas de uma infecção clássica dos filmes de zumbi – uma mordida transmite a doença e transforma humanos em criaturas sedentas de sangue. Os diretores Jaume Balagueró e Paco Plaza conseguem a proeza de transmitir veracidade em todos os momentos, mesmo em longos planos sem cortes, tensos. Com orçamento de 1,5 milhão de euros, "[REC]" rendeu cinco vezes mais na Espanha, correu o mundo e deu origem a um remake em Hollywood, "Quarentena". O filme já ganhou uma sequência, "[REC] 2", e ainda tem outros dois longas-metragens em vista.

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Nick Frost e Simon Pegg: comédia romântica

"Todo Mundo Quase Morto" (2004)
Aclamado pela crítica e público, "Todo Mundo Quase Morto" ("Shaun of the Dead") conseguiu reinventar o clássico filme de zumbi em pleno século 21, ao misturar gêneros de forma original e, acima de tudo, esperta. Shaun (Simon Pegg) é um funcionário medíocre numa loja em Londres e sua falta de ambição e romantismo cria problemas com a namorada, Kate. O casal entra em crise às vésperas da cidade virar um antro de criaturas ávidas por miolos e pronto, temos aí uma comédia romântica muito, muito engraçada. Boa parte do humor está em Ed, o amigo sem noção interpretado por Nick Frost – foi o início da parceria frutífera de Frost e Pegg, que continuou em "Chumbo Grosso" e "Paul" –, mas não dá para tirar o mérito do excelente roteiro escrito por Simon e pelo diretor Edgar Wright ("Scott Pilgrim contra o Mundo", além do próprio "Chumbo Grosso"). Ágil, repleta de referências pop, a história ainda cativa por inserir o cotidiano no contexto de zumbis, tirar sarro das referências e fazer graça com o "gore" – entranhas e sangue não faltam, nem o uso de armas bizarras para dar conta dos zumbis. Desde então, "Todo Mundo Quase Morto" habita ao mesmo tempo as listas de melhores comédias e de filmes de terror de todos os tempos, sem contar que é um dos favoritos de Quentin Tarantino. Se você não assistiu, não perca tempo.

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Leigh Whannell (direita) também é roteirista

"Jogos Mortais" (2004)
O mundo do cinema foi sacudido em 2004 pela estreia de "Jogos Mortais" ("Saw"), saudado como o melhor filme de terror e suspense desde "Seven - Os Sete Pecados Capitais". E provavelmente seja mesmo o caso, até porque os dois compartilham o território de tramas policiais sufocantes e assassinos fora do convencional. A estrela é o encapuzado Jigsaw, serial-killer que não põe a mão na massa para matar suas vítimas, mas submete-as a torturas físicas ou psicológicas, ou "jogos". Se elas sobrevivem (o que geralmente não é o caso), conseguem, segundo o maníaco, apreciar a vida mais intensamente. Daí que Adam (Leigh Whannell) e o médico Lawrence (Cary Elwes) acordam acorrentados num banheiro decrépito, sem lembrar de nada. Através de uma fita, Lawrence descobre que precisa matar Adam para ficar livre e para que Jigsaw não assassine sua família. Tenso é pouco. O filme já era bom o suficiente, mas a reviravolta final aumenta a satisfação do espectador exponencialmente. Escrito por Whannell e pelo diretor James Wan, "Jogos Mortais" teve orçamento baixíssimo – US$ 1,2 milhão –, mas faturou bem mais nas bilheterias: US$ 103 milhões. Além disso, virou uma franquia impressionante, com um filme novo por ano desde então. Whannell e Wan tiveram envolvimento direto até o terceiro longa-metragem. Depois disso, a série perdeu o rumo e ajudou a fazer a fama do "torture porn", filmes famosos por cenas fortes de tortura e sofrimento alheio. Mas não se engane: a matriz é de primeira qualidade.

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