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Comédia romântica genérica do ator se destaca por merchandising no final

Dean Cain abraça Juliana Paes em
Divulgação
Dean Cain abraça Juliana Paes em "Amor por Acaso", filmado no Brasil e Estados Unidos
Márcio Garcia dirigiu um curta-metragem, foi premiado num desconhecido festival norte-americano e alguém achou que seria uma boa ideia colocar o galã na direção de um longa. O resultado é "Amor por Acaso", comédia romântica que entra em cartaz nesta sexta-feira (10) no país. Produção internacional, falada mais em inglês do que português, o filme reúne dois rostos bonitos no cartaz: Juliana Paes, em sua estreia no cinema, e Dean cain, conhecido até hoje por seu papel de Super-Homem na série "Lois e Clark: As Novas Aventuras do Superman". É bom não esperar mais do que isso.

"Amor por Acaso" tenta seguir a cartilha do gênero. Ana (Paes) mora no Rio de Janeiro, trabalha numa loja de departamentos (patrocinadora do filme) e namora Marcos Pasquim, rato de praia cuja personalidade se resume a dizer "caraca". Após a morte do pai, ela herda dívidas e uma propriedade na rica região vinícola da Califórnia que, pensa, pode salvar seu bolso. O problema é que lá mora Jake (Cain), o carente ex-marido de uma estrela de Hollywood, prestes a inaugurar uma pousada no local – daí o título nos Estados Unidos, "Bed & Breakfast". Ana pega um avião para tirar essa história a limpo, os dois entram numa disputa para ver quem fica com o imóvel, brigam, se aproximam e, bem, o resto você já conhece.

Com jeito de produção genérica, feita para a TV, se percebe que as filmagens foram concluídas em apenas 14 dias (em razão da gravidez de Paes). A trama vai acontecendo sem apuro ou desenvoltura – nem a paisagem californiana é explorada direito – e clichês servem para estufar o meio de campo: fotos queimadas na lareira, um cachorro esconde a cabeça entre as patas, o elenco confraterniza perto do final e por aí vão outros lugares comuns. A graça ficaria por conta dos coadjuvantes. Há um policial alcoólatra (sempre com uma cerveja na mão), uma latina com roupa de empregada e os hóspedes da pousada, entre eles um fogoso casal de japoneses em lua-de-mel e John Savage (preocupado com o cachê, a única explicação plausível para ele ter topado participar).

Sobra espaço para brincadeiras com estereótipos, ou pelo menos era isso que o roteirista imaginava. De gravata borboleta, Eric Roberts (outro que devia estar precisando de dinheiro) interpreta um crítico afetadíssimo, o mesmo caso de Rodrigo Lombardi, chefe de Ana, e do britânico Julian Stone, advogado e fiel escudeiro da heroína. Claramente gay, lá pelas tantas o personagem de Stone diz que não, gosta é de mulher. Mas por que todo mundo achava o contrário? "Eu só sou inglês", ele responde. Se a ideia era ser engraçado, não funcionou.

E o Brasil? Não aparece muito. Além das poucas cenas no Rio e cuíca na trilha sonora, só há uma exótica feijoada. Belíssima na tela, Juliana Paes se vira bem no inglês e faz o que pode com os diálogos. É o mesmo caso de Dean Cain – um casal de protagonistas competente, sem ter muito com o que se virar. Para Márcio Garcia, sobra uma participação especial, sem camisa, logo depois do desfecho, naquele que é provavelmente o merchandising mais absurdo da história do cinema brasileiro. Algo de destaque "Amor por Acaso" tinha que ter.

Assista ao trailer de "Amor por Acaso":

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