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Estudo da Organização Mundial Metereológica poderá auxiliar países nas decisões da conferência da ONU

Michel Jarraud, da WMO: esta década registrou as temperaturas mais altas
EFE
Michel Jarraud, da WMO: esta década registrou as temperaturas mais altas
O ano de 2010 certamente será o ano mais quente da história. A média das temperaturas da superfície terrestre e do oceano foram 0,55 °C mais altas que a média anual de 14°C referente as temperaturas de 1961 a 1990. O ano mais quente até agora, 1998, teve aumento de 0,53°C. A Organização Mundial Metereológica (WMO) divulgou as médias hoje em Cancún, na Cop-16.

O secretário geral da WMO, Michel Jarraud, disse que ainda não é possível afirmar se de fato 2010 é o ano mais quente da história, pois no mês de dezembro há a influência do fenômeno La Niña – que esfria as águas do Pacífico. “Dezembro poderá ser mais frio que janeiro, por causa da La Niña, portanto não estamos certos ainda se este ano será o mais quente”, disse.

O que já se pode dizer é que a década de 2001 a 2010 foi a que marcou as temperaturas mais altas. Neste período, as temperaturas superaram em 0,46°C em relação as médias anuais do período de 1961 a 1998.

As temperaturas tiveram mais altas em quase todas as partes do planeta. As únicas regiões que não se aqueceram foram oeste e centro da Sibéria, leste da América do Sul e interior da Austrália. “O inverno passado foi mais frio que o normal na Europa, mas outras partes do planeta foram mais quentes”, disse Jarraud.

Maior aumento
O Ártico e o Canadá tiveram aumento de 3°C nas temperaturas deste ano. O último verão do Hemisfério do Norte, inclusive, testemunhou pela terceira vez extensões mínimas de gelo no Ártico. O segundo maior acréscimo de temperatura foi o da região que se entende pela metade norte da África, passando por quase toda a Ásia Meridional até a metade ocidental da China.

Em Moscou, o mês de julho apresentou máximas de 38,2 °C. A temperatura foi 7.6 °C mais alta que o normal e 2°C a mais que o antigo recorde. O calor extremo foi causa de morte de cerca de 11 mil pessoas. “Não há outra situação parecida. Não podemos afirmar que isto está ligado com o aquecimento global, mas foi tão forte que acreditamos que ele tenha contribuído para tal efeito”, disse.

O ano ainda contou com secas na Amazônia e Bangladesh e inundações no Paquistão. Ainda de acordo com Michel Jarraud, o estudo é um importante instrumento para auxiliar países a mitigar as mudanças climáticas assim como dar apoio científico às resoluções da COP-16. “Isto é como estamos ágoras, estes são os fatos. A temperatura está subindo. Quando pensamos em aquecimento pensamos no mundo inteiro, mesmo que alguns países sejam mais atingidos por conta de sua falta de capacidade para se adaptar”, disse.