Paula Miraglia

Antropóloga analisa segurança pública, justiça e cidadania

Antropóloga e diretora geral do International Centre for the Prevention of Crime, Paula analisa segurança pública, justiça e cidadania

A violência não é um problema novo para a Bahia

Em meio à greve dos policiais militares, população vê escalada da violência em um Estado que já enfrenta problemas de insegurança

06/02/2012 15:18

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O saldo da greve da Polícia Militar na Bahia até esta segunda-feira incluía mais de 90 assassinatos, saques, a presença do Exército, da Força Nacional e da Polícia Federal, além de 11 mandados de prisão contra os líderes grevistas. Hoje, forças militares cercaram a Assembleia Legislativa com o intuito por fim ao movimento. Mas longe de uma solução, o clima no momento é de confronto.

A greve da PM baiana não é um caso isolado. Recentemente, as polícias do Ceará, Pará e Maranhão também entraram em greve, manifestando a insatisfação da categoria com suas condições de trabalho.

Movimentos grevistas envolvendo corporações são delicados e controversos. Mas como serviços essenciais podem fazer valer suas reivindicações, em muitos casos legítimas, como melhores condições de trabalho, plano de carreira e salário compatíveis com a sua função? Há um histórico de situações similares onde prevaleceu o conflito. Basta lembrar o caso dos Bombeiros no Rio ou da greve da Polícia Civil em São Paulo.

Infelizmente, as reivindicações dos PMs da Bahia acabaram abafadas pelo clima de motim. Ao usar armas e viaturas – seus instrumentos de trabalho – para ameaçar a população em geral, os policiais conseguiram perder a legitimidade de suas demandas de imediato.

O quadro, agravado pela intervenção militar e o cenário de confronto, carrega tensão e medo. No entanto, é preciso notar que se a ausência de policiais nas ruas provocou um aumento de crimes em geral, incluindo o número de mortes, não é de hoje que a Bahia é vítima de uma epidemia de assassinatos.

O Mapa da Violência 2012 mostra que, junto com Alagoas e Pará, a Bahia está entre os Estados que tiveram maior aumento da taxa de homicídios na última década. Em Salvador, a taxa de morte por homicídio cresceu 330% no período. Seguindo o padrão do resto do País, as vítimas preferenciais são jovens, negros, das classes mais pobres.

A crise atual certamente deixou mais evidente a fragilidade do aparato de segurança pública estatal. Mas é preocupante que seja necessário um episódio como a greve para dar notoriedade nacional a uma situação tão extrema. A verdade é que não é de hoje que a Bahia carece de um plano para prevenir e combater o número cruel de mortes no Estado.

<span>PMs grevistas na Assembleia Legislativa da Bahia, em Salvador. Casa é ocupada desde terça-feira (1)</span> - <strong>Foto: AE</strong> <span>Tanques, helicópteros e até cães são utilizados nos entornos da Assembleia nesta segunda-feira</span> - <strong>Foto: AE</strong> <strong>Publicidade</strong> <span>Familiares dos PMs grevistas também ocupam a Assembleia durante a paralisação</span> - <strong>Foto: AE</strong> <span>Quarenta homens do Comando de Operações Táticas da Polícia Federal também foram convocados para participar do cerco</span> - <strong>Foto: AE</strong> <span>Clima é tenso no local entre as tropas federais e os grevistas. Possibilidade de conflito é alta</span> - <strong>Foto: AE</strong> <span>Manifestantes que apoiam os PMs em greve entram em confronto com as tropas federais nesta manhã</span> - <strong>Foto: AE</strong> <span>Grevistas e familiares afirmam que vão resistir e que rejeitam proposta de reajuste salarial</span> - <strong>Foto: AE</strong> <span>Exército e Força Nacional reforçam a segurança na capital baiana. Na foto, Salvador no domingo (5)</span> - <strong>Foto: Arestides Baptista / A Tarde / Futura Press</strong> <span>Após pedido do governo do Estado, Exército tenta conter a onda de violência nas ruas de Salvador</span> - <strong>Foto: AE</strong> <span>Soldados fazem patrulhamento na av. Manoel Dias, em Pituba, em Salvador</span> - <strong>Foto: AE</strong> <span>Agentes da Força Nacional na chegada a Salvador, na noite de sexta-feira (3)</span> - <strong>Foto: AE</strong>

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Paula Miraglia - pmiraglia.coluna@gmail.com - Antropóloga e diretora geral do International Centre for the Prevention of Crime, Paula analisa segurança pública, justiça e cidadania

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