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Hoje não existe fundamento democrático que sobreviva na Venezuela, já que os conceitos 'bolivarianistas' servem para contrariar a vontade da população

Sucessor de Hugo Chávez, Nicolás Maduro manteve Venezuela no caminho equivocado do bolivarianismo
Divulgação/Governo da Venezuela - 30.7.2017
Sucessor de Hugo Chávez, Nicolás Maduro manteve Venezuela no caminho equivocado do bolivarianismo

Muito tempo atrás havia um anúncio que dizia “eu sou você amanhã”. Mostrava o que acontece com quem insiste num caminho errado, tendo em quem se espelhar, alguém com mais anos numa trajetória furada.

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Esse conceito nunca foi tão apropriado como agora, quando se compara a trajetória política e econômica do Brasil e da Venezuela , país em que a situação é caótica há muito tempo.

Nicolás Maduro é o sucessor na herança de Hugo Chávez, que manteve o país no caminho equivocado do bolivarianismo, mas pelo menos com condições mínimas de sobrevivência para o povo, coisa que deixou de acontecer desde que Maduro assumiu. Sua reação a supostos conchavos internacionais para retirá-lo do poder faz com que tudo o que acontece no país seja atribuído a conspirações externas. 

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Sem defesa

Hoje não existe fundamento democrático que sobreviva na Venezuela, já que os conceitos “bolivarianistas” servem para contrariar a vontade da população, a ponto de interferir no Congresso e na Justiça do país para garantir o poder. E se a suspeita cai sobre a General Motors, basta atribuir à montadora americana ações de sabotagem contra o governo que justifiquem a sua anexação à massa falida bolivarianista.

É engraçado imaginar os “companheiros” boçais de Maduro assumindo a GM, dando ordens aos colegas, criando vantagens indevidas para eles, até a interrupção da produção de carros. 

Lembrar que o Brasil, na base do “eu sou você amanhã”, apoiou os governos da Venezuela por 13 anos, nos governos do PT, chegando a “construir” a Refinaria Abreu Lima em Pernambuco, em sociedade com o governo de Chávez.

Claro que o sócio venezuelano não pagou nada, e o acordo de “camaradas” entre Lula e Chávez nunca foi formalizado, de tal forma que a Petrobras ficou impedida de cobrar os investimentos prometidos pelo venezuelano, e o Brasil ficou com o ônus de garantir, sozinho, o investimento de 20 bilhões de dólares, sem chance de cobrar multas por descumprimento de um contrato no “fio de bigode”.

A dura lição que Lula parece não ter aprendido até hoje é que não existe socialismo entre nações, só prejuízos. E como afirma o prestigiado economista Eduardo Giannetti da Fonseca, por mais que os governos do PT tenham roubado, “o custo da má gestão de Dilma é maior que o da Lava Jato”.

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