Lento, o animal é conhecido como lagarto-preguiça
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Lento, o animal é conhecido como lagarto-preguiça

Encontrado em Niterói o Papa-Vento-Verde ou lagarto-preguiça - devido a sua forma lenta de se movimentar. A surpresa foi com relação a raridade desse animal no Sudeste, já que seu habitat natural é mais para o norte, como Amazônia e países vizinhos Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Suriname, Guiana Francesa e Trinidad e Tobago.

Fora que, por habitar o copo das árvores altas e pela capacidade de se camuflar à vegetação, raramente é visto. O animal foi encontrado por acaso, resultando em susto e agitação.

“O caso do Lagarto Papa-vento-verde chama atenção por ter acontecido ao acaso e dentro da área de proteção ambiental - estâncias de Pendotiba, como um verdadeiro achado, pela dificuldade de se avistar essa espécie em natureza e o chamado para resgate”, justificou o veterinário Bernardo de Paula Miranda.

Tumulto na mata
Em uma tarde ensolarada, as facilitadoras do Projeto Estudo Vivo da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, de São Gonçalo - RJ, estavam planejando suas atividades no espaço de convivência da Área de Proteção ambiental de Maria Paula.  Foram surpreendidas com um corre-corre e gritos de micos descendo das árvores atrás de um animal. Mal imaginavam o que viria a ser... Os técnicos que chegaram ao local tiveram dificuldades para achar o animal pois ele era de cor verde e se misturava à vegetação.

“Pensei que estava morto pois estava paralisado e parecia um camaleão”, relata o veterinário.

Ao começar a manipular o animal começou a inflar o pescoço para tentar se mostrar maior do que é.

"Se fingir de morto, inflar o pescoço e mudar de cor (mimetismo) são técnicas de defesa que usa para se proteger dos predadores, ensina Glaucio Teixeira Brandão, subsecretário de Meio Ambiente de São Gonçalo.

Os técnicos chegaram à conclusão de se tratar do Polychrus marmoratus (nome científico), uma espécie de réptil do gênero Polychrus que atinge 126 mm nos machos e 144 mm nas fêmeas.

“Desde sua criação, já passaram por atendimento na ASAS [Área de Soltura de Animais Silvestres] cerca de 80 animais, maioria formada por gambás-de-orelha-preta, espécie comumente encontrada na região, devido a fragmentação de seus territórios e facilidade de adaptação próximo ao meio urbano. Por parte das aves, alguns animais chegam acidentados, filhotes e/ou jovens encontrados sem a presença dos pais... O que compreende os répteis, muitos desses resgates estão relacionados a serpentes e até mesmo jacaré-de-papo-amarelo já foram trazidos para atendimentos depois das fortes chuvas na região de São Gonçalo”, explica o Dr Bernardo.

Aumento de áreas protegidas
O investimento em áreas verdes e espaço de soltura de animais tem ajudado na preservação e no repovoamento de áreas degradadas na região de São Gonçalo.

“Quando aumentamos o percentual de áreas protegidas por legislação específica de 4% para 19% tínhamos o objetivo de ampliar e proteger a casa dos nossos animais silvestres e agora somos brindados com esse achado. Isso só reforça a necessidade de mais investimentos em pesquisa e mais parcerias com as universidades locais para ampliarmos os estudos de nossos ecossistemas e prova a importância da preservação de nossas áreas verdes. Temos um laboratório vivo em nossa cidade e em breve estaremos divulgando o estudo de fauna de todas as nossas Unidades de Conservação da Natureza, muitas delas já passaram em nossa ASAS ambiental, fauna 100% gonçalense. Essa espécie por exemplo foi encontrada na Serra do Mendanha e no Espírito Santo. Já temos evidências de animais raros na APA do Engenho Pequeno e no Alto do Gaia", conta Glaucio.

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