
Sabe o que eu, Selton Mello, Whindersson Nunes, Sandy e Rodrigo Santoro temos em comum? Estamos desaparecidos.
Quer dizer, eles estão. Eu ainda não fui incluído na lista.
O crime deles foi não dizer em quem vão votar no segundo turno. É, parece que artista que não declara voto agora entra no programa de proteção à testemunha.
Tô falando de uma matéria do Poder360 de domingo: “ Artistas são cobrados nas redes por silêncio no 2º turno ”. Fizeram até cartaz de desaparecido com a cara deles. Tem jogador de futebol, modelo, streamer, apresentador. A Carolina Dieckmann também tava no cartaz, mas já foi encontrada. Postou uma estrelinha e voltou pra casa.
Eu não entrei no cartaz, mas sou cobrado todo dia. E dos dois lados.
Mas quem inventou que artista tem que declarar voto?
Eu falo de política o tempo inteiro. Já critiquei aqui nessa coluna governo, oposição, Congresso, Supremo. Mas parece que não vale. Opinião política só conta se vier carimbada com 13 ou 22.
Quando eu fazia o CQC, tinha uma visibilidade gigantesca. E comecei a me perguntar: o que eu faço com tanta gente me ouvindo? Será que eu devia usar isso pra dizer o que as pessoas têm que fazer?
Demorei pra perceber que já tava fazendo alguma coisa. Fazendo rir e cutucando. Ao mesmo tempo! E que milhões de pessoas olhando pra mim não me deixavam mais sabido que nenhuma delas.
Em 1952, ofereceram ao Albert Einstein a presidência de Israel . O cientista mais famoso do planeta, cara. Ele recusou. Disse que não tinha jeito nem experiência pra lidar com gente e com cargo oficial.
O Einstein recusou ser presidente. Hoje cobram da Sandy que ela indique um.
Tem quem declare voto por convicção. E pode ter quem declare porque compensa. Nem precisa ser dinheiro. Aplauso, seguidor, pertencimento também pagam. E tem quem não queira declarar. Tá tudo bem também.
O que me incomoda é a obrigação
Eu não quero ser cabo eleitoral de ninguém. Opinião eu tenho, e muita. Só não vem com número.
Afinal, desde quando ter público virou obrigação de ter eleitor?
Mas tá bom, já que insistiram tanto e que é tão importante dar um número, aqui vai. Do jeito que o Brasil tá, a minha posição é... de quatro.
* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal iG