Oscar Filho

Desde quando artista tem que dizer se vota Lula ou Flávio?

Selton Mello, Sandy e Whindersson viraram “desaparecidos” nas redes por silêncio na eleição. Ter público nunca obrigou ninguém a ter eleitor

13, 22 ou nenhum?
Foto: Crédito: I. A.
13, 22 ou nenhum?

Sabe o que eu, Selton Mello, Whindersson Nunes, Sandy e Rodrigo Santoro temos em comum? Estamos desaparecidos.

Quer dizer, eles estão. Eu ainda não fui incluído na lista.

O crime deles foi não dizer em quem vão votar no segundo turno. É, parece que artista que não declara voto agora entra no programa de proteção à testemunha.

Tô falando de uma matéria do Poder360 de domingo: “ Artistas são cobrados nas redes por silêncio no 2º turno ”. Fizeram até cartaz de desaparecido com a cara deles. Tem jogador de futebol, modelo, streamer, apresentador. A Carolina Dieckmann também tava no cartaz, mas já foi encontrada. Postou uma estrelinha e voltou pra casa.

Eu não entrei no cartaz, mas sou cobrado todo dia. E dos dois lados.

Mas quem inventou que artista tem que declarar voto?

Eu falo de política o tempo inteiro. Já critiquei aqui nessa coluna governo, oposição, Congresso, Supremo. Mas parece que não vale. Opinião política só conta se vier carimbada com 13 ou 22.

Quando eu fazia o CQC, tinha uma visibilidade gigantesca. E comecei a me perguntar: o que eu faço com tanta gente me ouvindo? Será que eu devia usar isso pra dizer o que as pessoas têm que fazer?

Demorei pra perceber que já tava fazendo alguma coisa. Fazendo rir e cutucando. Ao mesmo tempo! E que milhões de pessoas olhando pra mim não me deixavam mais sabido que nenhuma delas.

Em 1952, ofereceram ao Albert Einstein a presidência de Israel . O cientista mais famoso do planeta, cara. Ele recusou. Disse que não tinha jeito nem experiência pra lidar com gente e com cargo oficial.

O Einstein recusou ser presidente. Hoje cobram da Sandy que ela indique um.

Tem quem declare voto por convicção. E pode ter quem declare porque compensa. Nem precisa ser dinheiro. Aplauso, seguidor, pertencimento também pagam. E tem quem não queira declarar. Tá tudo bem também.

O que me incomoda é a obrigação

Eu não quero ser cabo eleitoral de ninguém. Opinião eu tenho, e muita. Só não vem com número.

Afinal, desde quando ter público virou obrigação de ter eleitor?

Mas tá bom, já que insistiram tanto e que é tão importante dar um número, aqui vai. Do jeito que o Brasil tá, a minha posição é... de quatro.

* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal iG