
Você viu o vídeo do ministro Alexandre de Moraes e da esposa descendo de um jatinho ligado ao Daniel Vorcaro ?
Sabe qual é o problema desse vídeo?
Não é o vídeo. É o que já tinha sido dito antes dele.
Porque o gabinete do ministro já havia respondido, por escrito, quando a Folha publicou uma série de voos do casal em aviões ligados ao banqueiro.
Veja essas palavras: "jamais" e "nenhum".
Duas palavras que não deixam nenhuma porta aberta. Quem escreve "jamais" não está negando um episódio. Está negando a categoria inteira.
Aí sai o vídeo e vem a explicação nova: era táxi aéreo.
Agora segura essa
Dia 13 de maio, na porta do Supremo, os jornalistas perguntaram ao Flávio Bolsonaro se tinha dinheiro do Vorcaro no filme sobre o pai dele.
Não foi um "não comento". Não foi um "vou verificar". Foi o deboche, aquele tom de quem está sendo incomodado com uma bobagem.
Algumas horas depois, apareceram as mensagens e o áudio. Do próprio Flávio. Cobrando os pagamentos.
E aí a versão mudou. Virou patrocínio privado, para um filme privado, sobre o pai. Sem dinheiro público, sem Lei Rouanet . Ele nega ter recebido dinheiro ou vantagem.
O mesmo banqueiro, a mesma negativa categórica e o mesmo prazo de validade.
Um de um lado, outro do outro, e os dois fizeram exatamente a mesma coisa. Um jurava que nunca voou. Outro jurava que nunca pediu. Os dois falaram antes de lembrar que existia arquivo.
E olha de onde saiu o arquivo do ministro: de um canal de YouTube chamado Aviation TV, que transmite ao vivo a movimentação das pistas de aeroporto. É gente que gosta de avião filmando avião. Ninguém investigou, ninguém grampeou, ninguém vazou. Um hobby filmou.
"Cotas de vocês"
No caso do ministro tem um detalhe a mais.
A Polícia Federal achou uma minuta de contrato de R$ 50 milhões entre a Viking Participações, empresa do Vorcaro, e o escritório da mulher do ministro.
Quarenta dos cinquenta milhões seriam pagos em cotas de duas aeronaves. Um Legacy 650 e um helicóptero. Os outros dez cobririam despesa de voo.
Agora adivinha só qual era o jatinho da minuta.
Aquele! O do vídeo!! Mesmo modelo, mesmo prefixo, mesma empresa dona!!!
O ministro e o escritório negam que esse contrato tenha sido fechado. Dizem que só existia uma contratação, com o Banco Master, e que nada foi assinado.
Só que, em julho do ano passado, o responsável pela operação dos aviões mandou uma mensagem para a Viviane perguntando se ela estava gostando da utilização "das cotas de vocês".
E ela respondeu que sim, que estavam gostando muito, e agradeceu a atenção.
Cotas de vocês.
Táxi aéreo não tem cota. Táxi aéreo tem preço, tem fatura e tem recibo. Cota é outra coisa. Cota é participação.
Três perguntas de contabilidade
Esse caso pede mais que tese jurídica: pede planilha.
Quanto custou, quem pagou e quedê a nota???
E vale a mesma cobrança do outro lado do balcão. Cadê as contas do Dark Horse, que o senador prometeu abrir em trinta dias, lá em maio, e que até hoje ninguém viu publicamente?
* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal iG