
Lembra quando você recebia um e-mail sobre aumento de pênis e pensava:
"Ué, como foi que eles descobriram"?
Naquela época, era só spam disparado em massa até acertar alguém. A internet evoluiu. E o "sigilo" também.
Hoje você marca uma teleconsulta discreta pra tratar disfunção erétil, queda de cabelo ou ansiedade, e no dia seguinte o Instagram já sabe.
Vira anúncio de estimulante sexual, terapia de casal e, cortesia do algoritmo, até plano funerário.
O problema que você contou só pro médico virou íntimo de toda a internet.
É basicamente o que a Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC), junto com o estado de Utah, está acusando a Hims & Hers de fazer.
A plataforma de telemedicina prometia privacidade total aos pacientes.
Segundo o processo, ela teria compartilhado dados sensíveis de saúde com Meta e Snapchat, as mesmas empresas que decidem qual anúncio aparece no seu feed.
O sigilo médico virou aquela vizinha fofoqueira: sabe de tudo e conta com detalhes pra quem paga.
A lista não para por aí. A FTC afirma que a empresa cobrava pelos remédios antes mesmo de o paciente falar com um profissional de saúde. O cartão de crédito recebia o diagnóstico antes do médico.
E cancelar a assinatura, quando o tratamento não funcionava, também não era tão simples quanto contratar.
A Hims & Hers nega as acusações
Também diz que o processo não tem fundamento.
"Ah, mas isso aconteceu nos Estados Unidos", você pode pensar.
Só que o Facebook é o mesmo aqui, e o anúncio não pede visto pra atravessar fronteira. A empresa é americana, mas o modelo de negócio é mundial: quanto mais a internet sabe sobre você, mais dinheiro ela ganha.
No Brasil também existem regras contra esse tipo de compartilhamento; o problema é descobrir a violação antes que o anúncio te descubra primeiro.
No fundo, a gente conta pros aplicativos coisas que tem vergonha de contar até pra gente próxima, porque confunde ausência de contato humano com privacidade.
Antigamente o médico dizia "isso fica entre nós". Agora o aplicativo diz "isso fica entre nós e nossos parceiros comerciais".
E, se a sua bandeira não subir, tudo bem, o problema é o departamento de marketing inteiro começar a cantar o hino.