
O Dia do Sorvete deixou de ser só uma data promocional. Virou termômetro de como as marcas disputam atenção, frequência e novas ocasiões de consumo. Em 23 de setembro, Borelli, Sorvetes Rochinha, Chiquinho e Kibon adotam mecânicas diferentes para um mesmo objetivo: transformar um produto cotidiano em experiência de marca .
O movimento acontece num mercado que fechou 2025 com crescimento real estimado de 6,8%, segundo a Abrasorvete (Associação Brasileira o Sorvete e Outros Gelados Comestíveis), e que projeta avanço de 16,3% no faturamento em 2026. Esses números ajudam a explicar por que datas sazonais ganharam tanto peso na estratégia das empresas.
Quatro marcas, quatro leituras da mesma data
A Borelli aposta na experimentação. No dia 23, das 14h às 16h, as unidades participantes distribuem 300 casquinhas Marvi com gelato artesanal aos primeiros consumidores. A estratégia coloca o produto no centro da experiência e usa a degustação como porta de entrada para uma marca construída em torno da produção artesanal.
A Rochinha segue outra lógica. Entre 21 e 25 de setembro, a Semana do Sorvete oferece uma bola grátis nas compras a partir de R$ 19,90, em franquias participantes de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Aqui, a data vira ferramenta de aumento de frequência e estímulo ao consumo dentro das lojas.
Na Chiquinho, a mecânica é ainda mais direta: no dia 23, quem comprar um Milk Shake de 300 ml ganha outro igual, nas lojas da rede e pelo iFood . A promoção trabalha o compartilhamento e amplia a ocasião de consumo — uma compra pode virar duas experiências.
Já a Kibon combina escala, conveniência e memória de marca. Em seu aniversário de 85 anos, oferece descontos de 5% a 85% no iFood, em todo o Brasil, além de ter feito uma ação presencial em São Paulo com caminhões personalizados que resgatam elementos da sua identidade visual.
A Sorvetes Nestlé acrescenta uma leitura mais ligada à conveniência e à frequência de consumo. No dia 23, a marca leva ao Clube do Sorvete, loja oficial no iFood, preços especiais para produtos do portfólio. Entre eles, a linha Moça Caldas, nos sabores Trufadinho, Merengue de Morango e Brigadeiro, a linha Tradicional, com opções como Napolitano, Chocolate, Flocos, Napolitano Flocos e Creme.
Mais do que usar o desconto como chamariz, a Nestlé tenta ampliar o território de consumo da categoria ao associar o sorvete a pequenas pausas, momentos de alegria e celebrações cotidianas. A campanha reforça o conceito de “sorvetear”, transformando o produto em um verbo e, consequentemente, em um hábito. A escolha também combina a força de um portfólio conhecido com a conveniência do delivery, aproximando a marca de uma ocasião de consumo que pode acontecer sem depender de uma data comemorativa.
O produto é o mesmo. A estratégia, não.
O mais interessante está justamente na diferença entre as mecânicas. Experimentação, aumento de ticket, compartilhamento, conveniência, nostalgia e presença física aparecem como caminhos distintos para trabalhar a mesma categoria.
Isso mostra uma mudança importante no marketing de alimentos: datas comemorativas funcionam cada vez menos como simples gatilho de desconto e cada vez mais como plataforma para testar comportamentos.
Lupercio Moraes, CEO da Sorvetes Rochinha, resume essa lógica ao destacar a criação de novas ocasiões de consumo. Tony Miranda, CEO da Gelato Borelli, aposta na experimentação e na aproximação com o produto. Isaias Bernardes de Oliveira, presidente da Chiquinho, associa a data à experiência compartilhada.
A Kibon acrescenta outra camada: transforma uma efeméride em parte de uma narrativa maior, conectando os 85 anos da marca à estratégia de verão.
O aprendizado para o mercado vai além do sorvete . Uma boa data de calendário não é necessariamente a que oferece o maior desconto, mas a que deixa a marca escolher qual comportamento quer provocar. Num mercado que cresce, essa diferença pode ser justamente o que separa uma promoção pontual de uma estratégia de marca.
* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal iG